PROTEÇÃO CONTRA A GRIPE

‘Vacina particular’ é a opção para quem não quer esperar

Quem está fora dos grupos prioritários tem buscado alternativas para se imunizar

Ronnie Romanini
27/04/2022 às 09:06.
Atualizado em 27/04/2022 às 09:06

Profissional de Laboratório clínica de vacinação mostra estoque de vacina tetravalente para este ano: procura ainda está aquém do esperado (Kamá Ribeiro)

Com a vacinação contra a gripe iniciada no SUS apenas para os grupos prioritários -, como pessoas acima de 60 anos, gestantes, puérperas e crianças a partir dos seis meses e com menos de cinco anos de idade -, parte da população tem buscado alternativas para se vacinar. Uma solução coletiva criativa e financeiramente compensadora foi encontrada no ano passado por um condomínio residencial no bairro Parque Prado, o Village Monet. Pelo segundo ano consecutivo, o condomínio contratou um laboratório para levar a vacinação contra a gripe até lá.

De acordo com o síndico, Mauro Garcia, a adesão este ano é superior à do ano passado, mas com uma ressalva. "Achava que teríamos uma adesão maior ainda. Somos 180 unidades e 62 pessoas vão se vacinar, mas muita gente nos respondeu informando que já tomou. A parte pública está funcionando bem para pessoas com mais idade e, por isso, elas não precisarão participar da vacinação no condomínio."

Ele ainda explicou a vantagem em adquirir o imunizante em grupo. Garcia contou que o laboratório contratado oferecia a vacina individualmente por R$ 125,00. Em um grupo grande, o valor caiu para R$ 75,00. A ideia dessa espécie de “consórcio vacinal” surgiu justamente para evitar transtornos, tendo em vista que em 2021 a covid-19 estava em uma fase mais crítica. 

Mesmo com a situação um pouco melhor em 2022, os moradores gostaram da iniciativa e cobraram o condomínio, que repetirá a “dose” no próximo sábado, dia 30, e, possivelmente, nos próximos anos também.

Laboratórios e drogarias

A expectativa de laboratórios e drogarias quanto à procura pelo imunizante na rede particular era alta, principalmente após o surto de gripe que assolou o Brasil no final do ano passado. No entanto, a demanda está igual ou inferior ao ano passado em algumas clínicas, como na Imunocamp Vacinas e a Ramos Vacinas, enquanto na rede RaiaDrogasil a avaliação é a de que a procura está boa e constante.

A vacina é recomendada para toda a população a partir dos seis meses de idade. O preço para se vacinar varia entre R$ 80,00 a R$ 120,00 em drogarias e laboratórios consultados em Campinas. 

Em uma clínica de vacinação de Campinas, o investimento feito levou em conta essa expectativa de um aumento na demanda, algo que até o momento não foi atingido na unidade.

"A H3N2 (última cepa que atingiu o país) alarmou um pouco a população. Investimos na compra da vacina, demorou um pouco. A vacina deste ano contém proteção contra a H3N2. Compramos a vacina tetravalente, que imuniza contra quatro subtipos da Influenza. Não sei dizer exatamente como está a adesão em relação ao ano passado, mas esperávamos mais procura este ano", afirmou o médico patologista clínico do laboratório, Fabio Tambascia. 

A nova cepa da H3N2, Darwin, não era contemplada na vacina do ano passado. 

Neste ano, além da H3N2, a vacina trivalente da rede pública protege contra o H1N1 e a Influenza B/Victoria. A tetravalente, disponível na rede particular, tem uma linhagem adicional do tipo B, a Yamagata. 

Na opinião de Tambascia, o próprio Governo deveria fornecer a vacina para outros grupos etários, como crianças com cinco anos ou mais, mas diante dessa impossibilidade, quem não é integrante de grupo prioritário deveria recorrer às alternativas existentes. "Se há disponibilidade na rede particular e a pessoa tem condição, acredito que ela deva ir atrás da vacina. Acompanhamos as internações de crianças e estamos vendo um aumento causado por síndromes respiratórias. Nos extremos de idade - crianças e idosos - a vacina é importante para evitar casos graves de internação. Às vezes o idoso pega uma gripe, tem uma queda na imunidade e pode ter uma complicação. A vacinação pode evitar tudo isso. E vale para as crianças também. Acho que o custo do imunizante torna-se barato em relação a isso."

Meio SUS, meio particular

Com metade da família contemplada nos grupos prioritários para vacinação na rede pública e metade não, a coordenadora de marketing, Amanda Suzetto Vialta, pretende em breve imunizar toda a família tanto na rede pública quanto em laboratório. 

Ela explicou que isso seria feito nesta semana, mas teve que adiar depois que um dos filhos apresentou sintomas gripais. "Tenho dois filhos, um com três anos e um com nove. Como trabalho na área da Saúde, consigo me vacinar pelo SUS, assim como meu filho de três anos. O filho mais velho e o meu marido não se encaixam nos critérios para vacinação gratuita, então, costumo fazer a vacinação no particular para que não fiquem desamparados e todos recebam o imunizante."

Amanda também defendeu que, no contexto de aulas em escolas e creches, as mães procurem vacinar os filhos, mesmo aqueles que estejam fora da faixa etária permitida na rede pública. "Assim que saiu a informação de antecipação de vacinação das crianças, avisei a creche, que imediatamente comunicou em um grupo a informação. Sou a favor da obrigatoriedade de apresentar a carteira de vacinação na escola. Estou protegendo meu filho, mas também o coletivo. É uma questão de amor ao próximo. A criança precisa de alguém para orientá-la, ela não sabe escolher. Esse é o papel dos pais, assim como dar amor e cuidado. A vacinação também é um ato de amor. Quem ama vacina", concluiu.

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