EM BARÃO GERALDO

Unicamp Portas Abertas recebe 60 mil pessoas em sua 19ª edição

Adolescentes puderam conhecer cursos, instalações e participar de atividades no campus da universidade durante todo o dia de ontem

Alenita Ramirez/[email protected]
18/08/2024 às 12:07.
Atualizado em 18/08/2024 às 16:16
Um dos espaços muito visitados ontem foi o Laboratório de Genômica e Bioenergia, do Instituto de Biologia; estudantes que se preparam para ingressar em breve no ensino superior puderam ter uma amostra do trabalho feito por biólogos e pesquisadores (Alessandro Torres)

Um dos espaços muito visitados ontem foi o Laboratório de Genômica e Bioenergia, do Instituto de Biologia; estudantes que se preparam para ingressar em breve no ensino superior puderam ter uma amostra do trabalho feito por biólogos e pesquisadores (Alessandro Torres)

Ao menos 58 mil pessoas passaram pela Unicamp ontem durante a 19ª edição do Unicamp de Portas Abertas (UPA). O evento teve início as 9h, no campus em Barão Geraldo, em Campinas, com expectativa de receber 1,2 mil ônibus fretados com estudantes do ensino médio chegando de diversas cidades de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. O número supera em 62% o esperado no ano passado, que foi de 36 mil. “Neste ano, o evento superou todas as nossas expectativas e trouxe algumas novidades, por exemplo o local da recepção, que foi a Praça da Paz, um espaço símbolo da universidade e que deverá ser o marco para próximas reuniões da UPA. E também (o evento proporcionou) a abertura para o público dos laboratórios, dos institutos, dos centros de pesquisa, onde os alunos podem conhecer, como professores e monitores, o que aquela área de conhecimento vai oferecer na formação de um estudante”, disse a coordenadora-geral da Unicamp e presidente da Comissão Organizadora da UPA, Maria Luiza Moretti.

De acordo com a coordenadora, aproximadamente 881 escolas, entre estaduais e particulares, dos quatro estados participaram do evento. As faculdades, institutos, centros e núcleos de pesquisa, órgãos e serviços da Universidade prepararam diversas atividades para que os visitantes pudessem conhecer um pouco da vida universitária na Unicamp.

“A Unicamp não é apenas um lugar para estudar, mas é um espaço de criação, inovação e transformação social”, destacou Maria Luiza. “Aqui os estudantes encontrarão laboratórios de ponta, bibliotecas repletas de conhecimento, centros de pesquisas que estão na vanguarda da ciência e uma comunidade extremamente entusiasmada, vibrante e acolhedora”, acrescentou a professora e doutora.

As amigas Bruna Lobo, Giovanna Lemos e Heloá Sabino, todas de 15 anos e moradoras de São José dos Campos, estiveram na UPA para conhecer as áreas que elas pretendiam cursar na faculdade. Heloá era a única que ainda não sabe o que quer cursar na faculdade, mas Bruna e Giovanna definiram ontem o que vão prestar no vestibular após conhecer o laboratório de filosofia. “Gosto muito de engenharia civil e arquitetura, até então era o que queria para o meu futuro, mas, hoje, vendo o laboratório de filosofia, me encantei por essa área. Já defini que é o que eu quero”, disse Bruna que se encantou pelo ramo ao acompanhar Giovanna, amiga que contou ser apaixonada por filosofia.

Um dos espaços muito visitados ontem foi o Laboratório de Genômica e Bioenergia do Instituto de Biologia, que, inclusive, foi responsável por descobrir a nova variante do vírus da febre do oropouche, doença com sintomas similares à dengue. O estudo foi feito em parceria com Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), University of Kentucky, Imperial College London, The University of Texas Medical Branch, Instituto de Medicina Tropical e Universidade Federal do Amazonas. 

A estudante Giovanna Chaves Picoli, de 16 anos, é de Nova Odessa e cursa o 2º ano do ensino médio em uma escola particular da cidade. Ela era uma das mais de duas mil pessoas que passaram no laboratório do Instituto de Biologia. A adolescente estava acompanhada da mãe. Em abril deste ano, durante uma aula de biologia, que focava em genética, ela decidiu que seu futuro seria como pesquisadora na área de genética humana. “Fiquei encantada com a possibilidade de transformar uma coisa tão pequena aos nossos olhos, como a célula de DNA, em várias coisas. A gente pensa que uma célula é pequena, mas ela é um fio de aproximadamente dois metros”, contou Giovanna. Ela participou de uma atividade interativa e se destacou ao lembrar das explicações passadas e responder corretamente de onde vem e como é feito o etanol, a tequila e a cachaça.

“A gente trouxe para a UPA um pouquinho de todas as principais estantes do Laboratório de Genômica e Bioenergia do Instituto de Biologia para apresentar aos alunos de ensino médio e estudantes, um pouquinho do trabalho do biólogo pesquisador. Quais as ferramentas usadas na pesquisa de genoma, como funcionam as plantas, os microorganismos, e como usá-los para produzir combustíveis renováveis, como o bioetanol”, explicou o mestrando do instituto, Gustavo Seguchi.

Do outro lado do Instituto de Biologia, nos prédios de engenharia, o estudante do 2º ano de Engenharia Mecânica, Matheus Ferreira, de 19 anos, mostrava e explicava como funcionava um carro elétrico de corrida desenvolvido pelos próprios alunos do curso. Matheus é diretor de freios e de transmissão da equipe e disse que desde pequeno já sabia que seria um engenheiro na área automotiva. “Quando comecei a graduação, assistindo às exposições, as palestras, me surgiu muito o interesse de fazer parte da equipe de corrida. Prestei o processo seletivo e quando entrei para a equipe vi que era realmente uma oportunidade muito boa. Eu me apaixonei em fazer carros desde o início, do marco zero”, contou.

No estande em que a equipe de Matheus fez a exposição do carro elétrico, também havia o Baja, um carro fabricado para corridas em estradas de terra e montanhas e de combustão. 

“O evento está sendo um sucesso. Os alunos estão muito entusiasmados. Os laboratórios estão cheios de alunos, os experimentos acontecendo, tem teatro, tem música. Nesta edição da UPA foi feito um projeto de tráfego dentro da universidade, de como movimentar alunos e veículos dentro do espaço para não causar um caos na região e dentro da universidade. O projeto foi feito pelos professores da Faculdade de Engenharia de Transportes da Unicamp”, destacou Maria Luiza.

De acordo com a coordenadora-geral, a Universidade de Campinas tem trabalhado para preparar suas instalações para alunos e pessoas com deficiências, com locais adequados e adaptados para pessoas portadoras de deficiência física, como rampas, elevadores e outros recursos que garantem a mobilidade e a acessibilidade em todos os espaços. “A UPA é um evento inclusivo, e a implantação do projeto de inclusão é de longa data. A universidade tem se empenhado em realizá-lo para que seja uma universidade mais inclusiva do que ela tem sido”, enfatizou Maria Luiza.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Correio Popular© Copyright 2025Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por