Apesar da crise

Unicamp mantém projetos no pré-sal

Instituição tem participação estratégica em pesquisa e desenvolvimento aplicáveis ao segmento

Rogério Verzignasse
rogerio.verzignasse@rac.com.br
14/07/2018 às 18:35.
Atualizado em 28/04/2022 às 11:31

Plataforma FPSO (Floating Production Storage and Offloading), unidade flutuante de armazenamento e transferência, em Ilhabela: extração de petróleo na Bacia de Santos (Divulgação)

Apesar da retração dos investimentos públicos e privados em pesquisa — decorrência da crise econômica e política que se arrasta há três anos — a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) continua sendo estratégica no desenvolvimento e na execução de projetos ligados à tecnologia do petróleo, inclusive no pré-sal. É fato que as sucessivas denúncias de malversação do dinheiro público que passaram a envolver o nome da Petrobras afetaram — e ainda afetam — os negócios de toda a cadeia industrial brasileira. Mas, ao contrário do que se poderia supor, a universidade não perdeu contratos. Longe disso. A participação nos projetos não para de crescer. De acordo com o professor Dens José Schiozer, diretor do Centro de Estudos de Petróleo (Cepetro), ao mesmo tempo que limitou investimentos, o setor produtivo passou a ser mais rigoroso na escolha dos parceiros. E a Unicamp, alicerçada em uma parceria história com a estatal, possui credibilidade e se mantém forte no segmento. E o prestígio da universidade é medida por números. Em uma década, para se ter uma ideia, a Unicamp concentrou praticamente um terço dos R$ 800 milhões que a Petrobras investiu no Estado de São Paulo. Os recursos financiaram programas decisivos para o progresso técnico dos campos de extração e das refinarias. E, no caso da Unicamp, a descoberta do pré-sal — área estratégica de reservas petrolíferas que se estende pelo litoral do Sul e do Sudeste — serviu para destacar ainda mais a atuação dos pesquisadores. Em 2015, por exemplo, o Cepetro já contava com 5 mil metros quadrados de laboratórios financiados com a ajuda da estatal. No final daquele ano era inaugurado o Flow & R Labs, laboratório que passou a formar mão de obra qualificada e conhecimento aplicável à geração de petróleo e gás. Os pesquisadores desenvolveram tecnologia para escoamento vertical do produto extraído. A Unicamp também participou — ao lado das outras duas universidades públicas paulistas, a USP e a Unesp — do lançamento do Centro Tecnológico da Baixada Santista (CTBS), unidade da Petrobras voltada ao desenvolvimento de pesquisas que apoiam a exploração do petróleo especificamente na camada específica do pré-sal. Os investimentos, de R$ 77 milhões, foram anunciados pela estatal em 2016, mesma época em que foi apresentado o projeto conceitual. Desde então, o projeto físico é implementado. Referência mundial Os pesquisadores da Unicamp, neste caso, passam a trabalhar em uma unidade que desponta como referência mundial na gerência de operações, com controle em tempo real de todas as atividades desenvolvidas pela Petrobras na Bacia de Santos. Quando funcionar efetivamente, o CTBS vai permitir a tomada de decisões imediata, por exemplo, na correção de alguma falha operacional ou na otimização de um processo. E o mais interessante é que todas as universidades que integram o projeto poderão compartilhar conhecimento em áreas onde são especialistas. Nas questões relacionadas à engenharia de petróleo, que envolve perfuração e produção; na logística; na operacionalidade. E não é só a academia e a Petrobras que ganham. Para o diretor Denis, o empreendimento é essencial para a geração de emprego e renda para os próprios moradores de Santos.

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