NOVA CONFIGURAÇÃO

Unicamp altera os modelos de feiras, cantinas e restaurantes

Universidade vai remover ambulantes e camelôs prometem resistir à saída

Luis Eduardo de Sousa/ [email protected]
01/04/2023 às 09:09.
Atualizado em 01/04/2023 às 09:09
Administração da Unicamp quer aumentar o número de barracas e padronizar os equipamentos nas feiras (Alessandro Torres)

Administração da Unicamp quer aumentar o número de barracas e padronizar os equipamentos nas feiras (Alessandro Torres)

Mudanças anunciadas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) no modelo de comércio de alimentos preocupam ambulantes que se concentram nas adjacências do Hospital das Clínicas (HC) e em outros pontos do campus. Eles temem serem retirados do dia para a noite sem uma garantia de estabilidade. A universidade anunciou na última quinta-feira, dia 30, que promoverá alterações nas feiras livres e cantinas, além de remover ambulantes. Enquanto a Universidade reivindica a área, os camelôs dizem que vão resistir à ordem de saída.

A remoção acontece porque um convênio firmado entre Unicamp e a Serviços Técnicos Gerais (Setec), que garantia a permanência dos permissionários no local, terminou na sexta-feira (31) e a Universidade não tem interesse em renovar, já que a área deve ser usada para a construção de uma farmácia de alto custo. As mudanças contemplam ainda as feiras livres, que serão padronizadas, as lanchonetes e cafés, que serão transferidos para contêineres, a reforma de 12 cantinas que estão abandonadas e a instalação de 42 pontos de venda de alimentos automatizados.

A Universidade quer concluir as obras até o fim do primeiro semestre. O programa de reformulação do sistema de alimentação foi batizado pela gestão de Preac (Projeto de Rede de Espaços de Alimentação e Convívio). A mudança é bemvista pelos feirantes, que veem na ação uma chance de melhora na infraestrutura de trabalho. É o que espera Marco Antônio Brito, dono de uma barraca de especiarias na feira em frente à Faculdade de Ciências Médicas há dez anos.

“Fiquei sabendo [DA MUDANÇA]por WhatsApp e sinceramente acho que vai ser interessante. Facilita. O maior problema para mim é a falta de segurança. Espero que a organização dos participantes da feira seja feita de uma forma que deixe o espaço mais seguro, menos sujeito a roubos”, diz.

Nas feiras, a administração da universidade quer aumentar o número de barracas e padronizar os equipamentos. Medida vista com parcimônia pelo também feirante Luis Fernando Jacco, de 37 anos. “As mudanças podem ajudar, mas padronizar barraca acho que atrapalha. Se o espaço for menor que o necessário eu não consigo expor todos os produtos que preciso”, comenta. Jacco tem uma barraca de roupas e vive apenas da renda obtida com as feiras. Em três dos seis dias em que trabalha por semana ele atua só no campus. “A Unicamp é o melhor lugar” comenta.

Reformas

A administração universitária tem intenção de recuperar os espaços de cantinas, muitos deles abandonados. A exemplo da que existe em frente ao Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti (Caism). No espaço, hoje abandonado, já funcionou uma lanchonete.

A Universidade argumenta que o negócio não é mais rentável para os comerciantes, que preferiram abandonar os estabelecimentos. “Os comerciantes gastavam com construção e manutenção do espaço físico, além dos investimentos inerentes ao próprio negócio. Com isso, o tempo de retorno do valor investido era longo demais, muitas vezes ultrapassando o período de concessão ou obrigando a praticar preços inacessíveis”, explica por nota.

De acordo com a universidade, o modelo de contêineres, que será adotado a partir de agora, é tendência no mercado e reduz custos. “A Unicamp ficará incumbida da elaboração do projeto, licitação e instalação de equipamentos. O comerciante terá uma licença de uso de um local já preparado e o aluguel será revertido para a manutenção do espaço”, informa. As cantinas reformadas serão disponibilizadas para novos interessados.

Camelôs

A situação que gera mais embate é a dos camelôs, que formam uma ‘praça de alimentação’ próxima ao HC. Os ambulantes reclamam que só souberam que terão que deixar o local na quinta-feira (30), graças a uma publicação no site da Unicamp. “Eu não sabia e ainda não sei como vai funcionar. Vamos todos ficar desempregados. Queremos o direito de trabalhar”, lamenta ambulante Damaria Rodrigues, de 32 anos.

A coordenadora Susana Durão, da Secretaria de Vivência no Campus, responsável por tratar do assunto, explica que a permanência dos comerciantes virou um problema. “Eles não poderiam estar ali, mas nós mantivemos por um tempo graças ao convênio com a Setec. Ali é um espaço do HC e quem acaba sendo prejudicado é o hospital. Nós entendemos que eles precisam de um tempo para sair, que aquilo é a renda deles e sim, tudo isso é negociável”, explica.

Em nota, a autarquia disse que soube sobre o fim do convênio no dia 23 de março, e que se reuniu na última quintafeira com os permissionários para formar uma comissão para tratar do caso junto à Prefeitura Universitária.

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