TRANSPORTES

Uber roda sem adesivo obrigatório por medo

Prestador de serviços por aplicativos prefere ficar sem identificação visível no veículo

Alenita Ramirez
29/04/2018 às 08:50.
Atualizado em 28/04/2022 às 07:12
   (Alenita Ramirez/AAN)

(Alenita Ramirez/AAN)

Com medo de ser alvo de bandidos, prestador de serviços de transportes de passageiros individual por aplicativos de celulares esconde no quebra-sol do carro o adesivo que o identifica. Dos três motoristas que a reportagem do Correio usou na manhã de ontem, dois deles afirmaram que não usam o adesivo como manda a lei municipal, vigente desde o último dia 8, porque temem pela segurança deles e dos passageiros. Segundo eles, há relatos de perseguição por taxistas e também de ‘falsos passageiros’. Há duas semanas, contaram, um prestador de serviço deixou um passageiro no terminal rodoviário, quando foi acionado para outra corrida no mesmo local. Ele avistou um homem mexendo no celular logo à frente e seguiu até a pessoa, chamando-a pelo nome informado. O rapaz respondeu que era sim o cliente e entrou no carro, que estava com o adesivo. Em seguida, surgiu o verdadeiro cliente reclamando que o rapaz havia pegado seu motorista. “O homem que simulou ser o passageiro saiu rapidamente do carro e sumiu. Era ladrão, pois ele nem falou o seu local de destino. Ou seja, no caminho anunciaria o assalto. O suspeito só pegou o Uber porque o carro estava com a placa de identificação”, acredita o motorista, que não quis ser identificado. Em outra situação, segundo eles, uma passageira foi constrangida por um taxista, que parou ao lado do veículo com placa de identificação, no semáforo. “A moça foi xingada e não sabia o que fazer. Se estivesse sem placa, o passageiro não passaria por uma situação dessas”, explica outro motorista. Para evitar transtornos, alguns motoristas escondem a placa e a apresentam quando o passageiro questiona. Em nota, a assessoria do Uber informou que a empresa é contrária ao uso do adesivo, mas orienta o prestador de serviço a usá-lo. “O Uber considera que o modelo de identificação visual obrigatória imposto pela Prefeitura de Campinas resulta em mais gastos e maior exposição dos motoristas parceiros de aplicativos, sem que isso traga benefícios nem para eles, nem para os usuários. Além de resultar em alto custo para os motoristas, o modelo não é prático, pois precisa ser aplicado dos dois lados do veículo, exigindo que condutor saia do carro toda vez que quiser retirar a identificação, quando não estiver dirigindo para aplicativos”, disse e acrescentou: “Dessa forma, a obrigação imposta não condiz com a flexibilidade de tecnologias como a do Uber, que permite aos parceiros se conectar ou desconectar do aplicativo com um simples toque no celular. (…) Em outras cidades, onde os aplicativos já foram regulamentados, como São Paulo ou São José dos Campos, o Uber tem adotado um modelo de identificação discreto, prático e flexível, distribuído gratuitamente aos parceiros cadastrados. A empresa espera que a Prefeitura de Campinas aceite esse modelo no lugar do que foi publicado na resolução da Emdec”. O secretário de Transportes e presidente da Emdec, Carlos José Barreiro, reafirmou que a identificação visual é prevista em lei e é necessária quando o veículo está realizando a atividade remunerada. “A Administração municipal inovou ao elaborar um regramento para a categoria, que está em consonância com a lei federal sobre o tema. E que traz estabilidade jurídica para a atividade. O maior objetivo do Poder Público é garantir a segurança dos usuários, com regras justas para os operadores”, frisou.

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