Sentados no chão, os campineiros não desgrudaram os olhos da transmissão. A cidade, que antes estava desanimada, decidiu que era hora de recuperar o fôlego.

(Leandro Torres/ AAN)
O domingo de estreia do Brasil na Copa começou animado com o telão instalado no Largo do Rosário, no Centro de Campinas. No jogo em que o México ganhou da Alemanha (para alegria dos brasileiros), que antecedeu a tão esperada disputa, o público começou a chegar ainda tímido. Mas quando a Seleção Brasileira entrou em campo, a praça foi tomada por cerca de 3 mil pessoas.Sentados no chão, os campineiros não desgrudaram os olhos da transmissão. A cidade, que antes estava desanimada, decidiu que era hora de recuperar o fôlego. O operador Thiago Bertuol, de 29 anos, levou a esposa e os dois filhos para assistir o jogo contra a Suíça. Para ele, a crise nacional e a corrupção não podem afetar a festa. "Não temos memória curta, mas a nossa participação é importante. Aposto no 2 x O. Vamos ver como o Brasil vai se sair. O importante é não desanimar" , disse. O casal Avelino e Bianca (foto) levou a sério a proposta de assistir o Brasil na praça. Com bandeira na mão, cadeira de praia e cooler cheio de cerveja, eles fizeram parte do grupo de campineiros que saíram preparados de casa. "Temos que animar sim. Mesmo com tantos problemas que o País está vivendo, é importante que a gente esteja unido torcendo pela Seleção" , disseram. Ele apostava no 3x0 e ela no 2x1. A vitória do México, que trouxe à memória do brasileiro o tão doloroso 7x1, foi comemorada com moderação por eles. "Ainda tem muito chão pela frente" . Na primeira fileira estava Sandra, Raji e Aron. Os meninos animados, apostavam no 5xO. "Brasileiro não desiste nunca. Temos muita fé" , disse a mãe. Raji seguiu de pé assistindo o jogo e balançando a bandeira que levou com ele. Mas chamando a atenção estava o funcionário público Marcelo Ramos, de 59 anos. Ele segurou durante todo o jogo uma bandeira do Brasil de 5 metros. "Sou patriota. Nem pensar em tristeza. O importante hoje é apenas torcer. Vou de 3x0" , falou. O secretário municipal de Esportes, Dário Saadi, comemorou a adesão do campineiro ao telão. "Apesar do desânimo das últimas semanas, a população me surpreendeu. A praça está lotada. Uma festa e tanto", avaliou. A avenida Francisco Glicério chegou a ser interditada para acolher os torcedores. O trânsito foi desviado para a rua General Osório. "Muitas pessoas ficaram em dúvida sobre os gastos que o telão traria para a cidade, mas reafirmamos que se trata de uma parceria, que não teve nenhum custo para a administração" , falou. O painel de mil polegadas, o equivalente ao tamanho de um prédio de três andares, foi instalado por uma empresa particular, que arcou com todos os custos. Além de não ter gastos, a Prefeitura afirmou que vai receber R$ 90 mil referentes às licenças obtidas pelos food truks. Animais aderiram Sentado com a esposa e a cachorra em cadeiras de praia no meio da Avenida estava o metalúrgico Luiz Fernando, de 60 anos. "Quando se trata de jogo o sentimento é mais forte. Assistindo futebol o povo esquece até da fome" , brincou. "Trouxemos a cachorra pois ela nos acompanha onde vamos" , completou. Além da cachorrinha deles, dezenas de outras pessoas levaram os animais, também vestidos com bandanas e roupas da bandeira brasileira. Não faltou criatividade para os campineiros. Todos estavam com camisas do Brasil, perucas verdes e amarelas, rosto pintado e corneta na mão. A segurança, feita pela Polícia Militar e pela Guarda Municipal e a estrutura contou com banheiros químicos e alimentação a preço acessível. A expectativa é que, nos próximos jogos, mais campineiros troquem o sofá pela praça. Cambuí Os campineiros animados com o primeiro jogo do Brasil também encheram os bares e as ruas do Cambuí. Um dos mais movimentados na Rua Emílio Ribas era o Boteco Vidottinho.Cerca de 250 pessoas aproveitavam a promoção da cerveja para sofrer com o segundo tempo, que não rendeu nenhum gol brasileiro. Segundo o gerente, Eduardo, logo após o meio dia os clientes começaram a chegar vestidos com camiseta amarela e a buzina na mão. "Tudo é festa e aqui começou cedo", contou. Televisões espalhadas pelo bar garantiram que todos pudessem ver a primeira partida da Seleção. Os mais ansiosos ficaram de pé na porta do bar. Já na rua Padre Almeida, uma das mais movimentadas da região, dois bares chamavam a atenção com pessoas até no meio da rua. O Deck 21, além de telão, ofereceu almoço para os torcedores, que durou até as 17h. Com decoração caprichada, eram cerca de 300 pessoas no clima da Copa. Apostando no 2x1, estava o organizador do evento, Alessandro Ribeiro, o Salgado. "O povo está animado sim. Teremos eventos como esse em todos os jogos. O da próxima sexta-feira, às 9h, terá café da manhã e música ao vivo depois" , falou. O Brexó Bar e Cozinha, na mesma rua, era o que tinha os torcedores mais concentrados. Telão nas duas extremidades da área externa e dentro do boteco fizeram com que os campineiros acompanhassem cada segundo da estreia com o copo na mão. "Complicado esse segundo tempo. Podia sair mais um" , comentou um cliente. Eram 200 torcedores, segundo o gerente Gustavo. "O movimento está dentro do esperado, mas tivemos lotação máxima", disse. Outros bares da mesma rua também estavam lotados como o Coronel Mostarda, Grainne's Irish Pub e Espetto Carioca. Depois do jogo veio a música.