EVENTO SEDIADO EM CAMPINAS

Setor projeta aumento na venda de imóveis em 2025

Estimativa foi apresentada em encontro entre incorporadoras imobiliárias; crescimento deve ser semelhante ao do ano passado, que foi de 29,25%

Da Redação
04/04/2025 às 10:12.
Atualizado em 04/04/2025 às 11:49
Para o diretor de Assuntos Econômicos da Abrainc, Renato Lomonaco, o interior paulista é um dos principais mercados imobiliários do país (Alessandro Torres)

Para o diretor de Assuntos Econômicos da Abrainc, Renato Lomonaco, o interior paulista é um dos principais mercados imobiliários do país (Alessandro Torres)

O setor de incorporadoras imobiliárias deverá ter um crescimento de venda de imóveis novos neste ano próximo ao de 2024, quando o número de unidades vendidas em todo o Brasil chegou a 159.593 unidades, alta de 29,25% em comparação às 123.163 do ano anterior. Em Campinas, as vendas totalizaram R$ 2,4 bilhões, com a comercialização de aproximadamente 5,2 mil moradias.

A estimativa foi feita ontem pelo presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, durante a 4ª edição do Inc Interior Paulista, realizado na cidade. Para ele, o desempenho novamente deverá ser puxado pelos imóveis populares incluídos no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). “O mercado de baixa renda é resiliente a qualquer crise. Sem dúvida nenhuma, teremos em 2025 também um ano muito bom”, afirmou.

O Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a Selic para 14,25% ao ano no dia 19 de março, sendo a quinta alta seguida da taxa básica de juros. “Você não estará preso a essa taxa durante 30 anos. Quando a taxa cair, poderá transferir o seu financiamento para outro banco ou negociar com mesmo. A taxa pode estar cara momentaneamente, mas há condições de mudar isso”, argumentou Luiz França.

De acordo com a Abrainc, o Valor Geral de Vendas (VGV) do segmento econômico cresceu 5,76% em Campinas no ano passado. O relatório da entidade, elaboradora a partir de pesquisa feita com empresas associadas, apontou o lançamento de 1.836 unidades do MCMV, o que representou 66% do total de lançamentos na cidade. O segmento standard, com valores de até R$ 500 mil, correspondeu a 31% dos lançamentos, totalizando 864 unidades.

PERFIL DO IMÓVEIS

O levantamento mostrou que, em 2024, foram vendidos 382 imóveis com valor entre R$ 500.001,00 e R$ 1 milhão, ante 141 vendidos em 2023, representando um aumento de 170,92%, no segmento de médio padrão. Os imóveis de luxo, com valor entre R$ 1,5 milhão e R$ 3 milhões, registraram aumento nas vendas de 12,98% na comparação de 2024 com 2023.

Apesar da recente alta dos juros no Brasil, Luiz França apontou outros fatores que podem contribuir para o desempenho do setor, entre eles o baixo nível de desemprego, atualmente em 6,8%, e a compra de imóveis estar concentrada principalmente entre as pessoas de 35 e 45 anos, onde se encontra hoje a maior parte da população brasileira. Além disso, nessa faixa etária o público já tem uma vida financeira encaminhada e claro os seus objetivos, com a compra de imóvel sendo um deles. Como uma referência na mudança do perfil, grande parte dos clientes tinha cerca de 27 anos na década de 1970.

Outro fator positivo, na avaliação da Abrainc, é o aumento da renda média da população. Em 2024, ela ficou em R$ 3.378,00, alta de 4,3% em comparação ao ano anterior, de acordo com a entidade. Além disso, contribui para a demanda do setor o déficit habitacional brasileiro, atualmente de cerca de 7 milhões de unidades no país e de 75 mil em Campinas. “A gente precisará de 11 milhões de moradias nos próximos 10 anos. O segmento, no médio e longo prazo, deve ter um desempenho muito bom”, projetou Luiz França. “Eu acho que Campinas vai ter realmente, não só neste, mas ao longo dos anos, um crescimento bastante importante no mercado imobiliário”, completou.

EM ALTA

O mercado aquecido levou uma incorporadora voltar a investir em Campinas após cinco sem fazer lançamentos na cidade. O empreendimento será construído em um terreno de 14 mil metros quadrados (m²) no bairro Mansões Santo Antonio. O condomínio de médio padrão terá ambientes para yoga, massagem, piscinas, salões temáticos, espaços infantis e outras opções de lazer. Os apartamentos de dois dormitórios terão áreas de 42 e 58 m².

“Este é o nosso primeiro projeto sob a nova marca direcionada para o médio padrão. Além da sua localização privilegiada, o empreendimento está situado próximo a uma área de preservação permanente, proporcionando uma verdadeira harmonia com a natureza, cuidadosamente integrada ao projeto”, exaltou a diretora de Incorporação da empresa, Renée Silveira.

No ano passado, a incorporadora registrou desempenho recorde de R$ 3,9 bilhões em lançamentos e R$ 3,4 bilhões em vendas líquidas. “O retorno ao interior, especialmente Campinas, integra nosso plano estratégico de crescimento. Queremos levar à região projeto inovadores que atendam as reais necessidades dos consumidores”, disse a executiva. De acordo com ela, os fatores que fizeram as empresas voltarem a investir em Campinas foi a cidade ter uma população de 1,13 milhão de habitantes, de acordo com o Censo 2022, e um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 72,9 bilhões. Esse resultado coloca o município entre as 10 cidades com a maior economia do país. A incorporadora atua há 27 anos no mercado e tem cerca de 59 mil unidades habitacionais entregues.

OTIMISMO

Para o diretor de Assuntos Econômicos da Abrainc, Renato Lomonaco, o interior paulista é um dos principais mercados imobiliários do país. “Essa região é pujante e uma das mais promissoras. É, sem dúvida, um mercado com muito potencial. A força econômica dessa região é impressionante.”

Para o diretor-regional de Campinas do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Grandes Estruturas no Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Marcio Bevenutti, os números de empreendimentos ligados ao programa Minha Casa Minha Vida no primeiro trimestre devem contribuir para um desempenho positivo em 2025.

“Especificamente na região de Campinas, estamos prevendo que esse desempenho continue positivo no setor da construção civil ao longo deste ano e que pode se manter até o primeiro semestre de 2026. Isso se deve ao fato de que nos últimos quatro anos o município de Campinas apresentou um aumento, em torno de 37%, no número de alvarás emitidos para as obras”, explicou Marcio Bevenutti.

Em função do ciclo de execução de uma obra ser em torno de 18 a 36 meses, o diretor avaliou que o mercado regional, durante esse período, deve se manter aquecido, incluindo a necessidade de mais profissionais qualificados para essas obras. Porém, o setor evitou fazer estimativas de crescimento em virtude do cenário macroeconômico marcado pela inflação, elevação da taxa Selic e aumento das incertezas, o que poderá levar a indústria da construção a ter em 2025 um crescimento menor do que o inicialmente previsto. A previsão no começo do ano era de crescimento de 3%.

“O cenário interno está confuso, e o cenário externo, com as mudanças nos Estados Unidos, é muito recente. Algumas decisões do governo norteamericano acabaram barradas pela Justiça local. A inflação nos Estados Unidos também demandará novas medidas, obrigando o recuo de algumas delas. A relação da Europa com a guerra da Ucrânia e outras questões externas também poderão afetar diretamente o Brasil e a indústria da construção”, ponderou o presidente estadual do Sinduscon, Eduardo Zaidan. A construção civil apresentou alta de 4,3% em 2024, sendo o setor da indústria com maior crescimento no PIB, com destaque para os segmentos de edificações e infraestrutura.

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