
Funcionários a serviço da Prefeitura de Campinas trabalham na remoção da árvore do Bosque dos Jequitibás, que caiu atravessada sobre a Rua General Marcondes Salgado, matando na hora o motorista que conduzia o veículo branco e atingindo casas do outro lado da via (Gustavo Tilio)
Um dia depois da divulgação do laudo atestando as condições saudáveis do eucalipto da Lagoa do Taquaral, que caiu e matou uma menina de sete anos, um outro laudo com o mesmo resultado foi anunciado na sexta-feira (3) pela Prefeitura de Campinas. Segundo o documento, a figueira branca que esmagou e matou um homem de 36 anos nas proximidades do Bosque dos Jequitibás também estava saudável. Em ambos os casos - tanto no do Taquaral quanto no do Bosque - os laudos comprovaram que as quedas das árvores foram provocadas por excesso de chuvas e, consequentemente, o encharcamento do solo.
De acordo com a Secretaria Municipal de Serviços Públicos, o laudo com a análise da figueira branca, que ficava dentro do Bosque dos Jequitibás e tombou na área externa, em 28 de dezembro de 2022, é do Instituto Biológico (IB). Além deste relatório, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento e Fitossanidade do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) já havia divulgado um resultado de análise da mesma árvore em 19 de janeiro, que também a atestou como sendo saudável. Ambos os órgãos que emitiram os laudos sobre a figueira são ligados ao governo do Estado. Os dois relatórios apresentaram como conclusão que a árvore estava saudável e a queda foi por causa dos eventos climáticos e o excesso de água no solo.
Conforme a Prefeitura, essa segunda análise descarta completamente a tese de comprometimento da árvore e comprovam que a Figueira branca, de 35 metros de altura, e com estimativa de ter 100 anos, caiu por fatores climáticos, como alto índice de chuvas e ventos.
Segundo o secretário municipal de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, os laudos técnicos confirmam que a queda ocorreu por razões meteorológicas. "Os dados mostram que a árvore estava saudável e a queda ocorreu devido ao excesso de chuvas e ventos, e a saturação do solo", disse.
No laudo do Instituto Biológico consta que a árvore não apresentou atividades ou danos provocados por cupins ou outros insetos que pudessem levar à queda.
Segundo as informações trazidas pelo laudo, "o tombamento ocorreu devido à ruptura na área radicular, devido a vibrações decorrentes do trânsito automotivo constante, friabilidade e drenagem do solo, somados aos adventos climáticos (pluviosidade elevada, ventos etc.), dentre outros possíveis fatores".
Ainda conforme trecho do laudo "a árvore (Figueira Branca) não apresentou atividade ou danos termíticos ou causados por outros insetos xilófagos ou presença de outros agentes biodeterioradores que pudessem catalisar ou levar ao tombamento, não sendo o motivo do comprometimento da integridade vegetal quanto a ruptura ou queda".
Na análise anterior do IAC o documento apontou que "não foram observadas podridões nas amostras de raízes ou da parte basal da planta". Ainda conforme o documento técnico, não foram observadas ainda nas amostras das partes aéreas quaisquer sintomas de doenças, como seca de ramos, amarelecimento de folhas e murchas.
A figueira branca com idade estimada em 100 anos caiu na parte externa do Bosque, na Rua General Marcondes Machado, sobre um veículo que passava pelo local, matando por esmagamento um homem de 36 anos. A queda da árvore também danificou a fiação elétrica e a entrada de uma casa.
O cenário da árvore caída sobre o carro esmagado chocou a cidade. Foi necessário a ajuda de guindastes para a remoção do veículo. O trabalho mobilizou diversas equipes e durou praticamente o dia todo. Segundo informações da Prefeitura, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) se solidarizou com a família e colocou a Administração Municipal à disposição para prestar o auxílio necessário.