ATÉ 2050

São Paulo tem meta de reduzir em 79% as emissões de carbono

Campinas tem um grupo de trabalho para elaborar Plano Local de Ação Climática

Bianca Velloso/ [email protected]
07/05/2023 às 09:47.
Atualizado em 07/05/2023 às 09:47
PAC 2050 sugere a redução das emissões de poluentes nas frotas de transporte de carga, do transporte coletivo de passageiros, veículos leves e motocicletas; eletrificação veicular é uma importante alternativa apresentada (Alessandro Torres)

PAC 2050 sugere a redução das emissões de poluentes nas frotas de transporte de carga, do transporte coletivo de passageiros, veículos leves e motocicletas; eletrificação veicular é uma importante alternativa apresentada (Alessandro Torres)

O Estado de São Paulo não conseguirá zerar as emissões de carbono até 2050. No entanto, a previsão é que ocorra uma redução de 79% na quantidade de dióxido de carbono lançado na atmosfera por parte do Estado, ou seja, uma queda de 168 megatoneladas do gás poluente. Dessa forma, a emissão ficará em 45 milhões de toneladas de CO2. Para atingir esse objetivo, o Estado uniu esforços com pesquisadores para elaborar um Plano de Ação Climática e desenvolvimento sustentável para São Paulo, o chamado PAC 2050. O documento norteia para a adoção de políticas públicas, mas não prescreve instrumentos de implementação, para isso seria necessário a elaboração de outro plano. O PAC 2050 faz um diagnóstico inicial dos problemas a nível estadual e foi dividido em seis setores chaves da economia, que compreendem atividades nas quais geram emissões diretas do poluente. A área que mais preocupa é a de transporte. Já o setor de agropecuária, florestas e usos do solo (Afolu) pode ser o único dos seis a bater a meta, segundo projeção.

Esse compromisso foi estabelecido pela Política Estadual de Mudanças Climáticas, por meio da Lei 13.798/2009 e a assinatura do Estado na campanha da Organização das Nações Unidas (ONU), chamada Race to Zero (Corrida Rumo ao Zero), que prevê zerar a emissão desse gás no ano de 2050 no mundo. O Plano contém metas dinâmicas, isto é, serão revisadas de acordo com implementação, o que permite o rastreio de um conjunto de ações propostas nos seis setores que envolvem Transportes; Energia; Agropecuária, Florestas e Usos do Solo (Afolu); Resíduos; Indústria e Uso de Produtos; Finanças Verdes e Inovação.

O pesquisador e membro da Coordenação Técnica do PAC 2050, Gilberto de Martino Jannuzzi, avalia que a sociedade deve olhar o desenvolvimento econômico de outra maneira para que seja possível atingir os objetivos traçados. “Temos grandes desafios, principalmente na área de transportes, resíduos e energia”. Jannuzzi sugeriu, além de medidas técnicas, a mudança de comportamento das pessoas, pois, quando somadas, essas ações irão acelerar a redução. “Estamos falando de um horizonte de 2050. Alguma coisa vai mudar”.

No campo dos transportes, o PAC 2050 sugere a redução das emissões de poluentes nas frotas de transporte de carga, do transporte coletivo de passageiros, veículos leves e motocicletas. O documento também orienta mudanças no planejamento urbano e a inserção de novos combustíveis, além da eletrificação da frota veicular.

Gilberto Jannuzzi sugere que São Paulo passe a importar energia verde, ou seja, de fontes renováveis. “O Estado terá que desenvolver uma capacidade muito grande de fazer uma gestão inteligente da energia. Temos que modificar a demanda”, observou Jannuzzi, que também é professor na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador sênior do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe).

O pesquisador enfatizou que essas ações foram pensadas em um cenário conservador. “A gente preferiu mostrar que o Estado não vai atingir, do que forçar uma solução em um cenário complicado. A gente vai chegar em 2050 com a emissão reduzida. Vamos ter que pensar formas de compensar esse excedente”. Jannuzzi destacou que a parceria com as prefeituras do Estado é fundamental. “Precisamos do comprometimento das prefeituras”, apelou.

Campinas

A metrópole está agindo para colaborar com esse projeto de redução de emissão de carbono. Na última semana de abril, Campinas realizou a primeira reunião com o grupo de trabalho, que envolve 16 secretarias, para elaborar o Plano Local de Ação Climática (PLAC), que tem previsão de lançamento para o primeiro trimestre de 2024. Embora o documento ainda esteja em fase inicial, a cidade já está adotando medidas que colaboram com a diminuição de emissão de CO2, conforme afirmou o secretário do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Rogério Menezes de Mello. “Estamos fazendo o Plano Local de Ação Climática em Campinas. Mas não é um plano para começar a agir depois, tem muita coisa acontecendo já”.

O secretário citou exemplos dessa iniciativa na cidade, inclusive no setor de transporte, categoria vista como crítica no nível estadual. “Estamos realizando a transição da mobilidade elétrica. Embora a concessão do transporte público não tenha saído do papel, ela prevê uma substituição de 40% da frota de veículos movidos a diesel por veículos movidos a energia ou outras fontes menos poluentes”, revelou Mello. Ao todo, serão 200 ônibus movidos pela chamada energia limpa. A concessão tem previsão de estar finalizada até o primeiro trimestre de 2024. Ainda no campo da mobilidade, Campinas conta com 88 quilômetros de ciclofaixa. “Pode ser pouco, mas em 2013 eram apenas 13 quilômetros”, lembrou o secretário.

Na área dos resíduos, a cidade conta com a usina verde de compostagem, que tem capacidade para processar até 300 toneladas de resíduos por dia, transformando o material em adubo. A estrutura produz adubo orgânico utilizando como matéria prima o lodo de esgoto, da Sanasa, restos de galharia e caixas, do DPJ (Departamento de Parques e Jardins) e de feiras livres e caixas de frutas e verduras, da Ceasa (Centrais de Abastecimento S.A). O produto orgânico, rico em nutrientes, é destinado para a adubagem de hortas e utilizado nos Parques Lineares. A usina verde operada pela Secretaria Municipal de Serviços Públicos ocupa uma área de 17 hectares dentro da Fazenda Santa Elisa, no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que pertence ao governo do Estado.

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