Trata-se do segundo melhor resultado para o período nos últimos dez anos

De acordo com estudo feito pelo Observatório PUC-Campinas, os produtos mais vendidos ao exterior pelas indústrias regionais são tratores, medicamentos, automóveis, partes e acessórios de veículos, além de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (Divulgação)
A Região Metropolitana de Campinas (RMC) acumula nos primeiros nove meses deste ano US$ 4,14 bilhões (R$ 9,22 bilhões) em exportações, o segundo melhor resultado dos últimos 10 anos. O montante é inferior apenas aos R$ 4,24 bilhões (R$ 9,32 bilhões) registrados entre janeiro e setembro de 2022, de acordo com o estudo da balança comercial divulgado na terça-feira (10) pelo Observatório PUC-Campinas. Os principais produtos vendidos ao exterior pelas indústrias regionais são os tratores, medicamentos, automóveis de passageiros, partes e acessórios de veículos, além de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos.
Já as importações ficaram em US$ 11,12 bilhões (R$ 56,51 bilhões), o quarto maior da última década. O valor é inferior ao acumulado em 2024 (US$ 12,07 bilhões), 2021 (US$ 11,13 bilhões) e 2013 (US$ 11,4 bilhões). Com isso, o saldo da balança comercial da RMC acumula este ano o déficit de US$ 6,99 bilhões (R$ 35,52 bilhões), o terceiro maior resultado em dez anos.
O resultado nas exportações foi sentido por uma indústria de peças automotivas, equipamentos eletroeletrônicos e ferramentas elétricas de Campinas. A multinacional estima este ano aumento nas vendas entre 6 e 9%, mantendo o ritmo de crescimento verificado em 2022. No ano passado, as vendas da empresa na Americana Latina totalizaram R$ 10,3 bilhões, crescimento de 11,5% na comparação com 2021. Somente o mercado brasileiro foi responsável por 75,72% do total do faturamento, com uma participação de R$ 7,8 bilhões.
"Em momentos de maior volatilidade, é ainda mais importante garantir a solidez financeira da empresa por meio do equilíbrio entre rentabilidade e investimentos. Neste cenário, esperamos um crescimento moderado das vendas para este ano", disse o CEO e presidente da empresa na América Latina, Gastón Diaz Perez. As exportações representam em torno de 23% das vendas da indústria, com os principais mercados sendo os países da América Latina, América do Norte e Europa.
OUTROS RESULTADOS
O levantamento do Observatório PUC-Campinas aponta que no mês passado as exportações foram de US$ 401,43 milhões (R$ 2,04 bilhões), queda de 17,25% em comparação aos US$ 485,13 (R$ 2,46 bilhões) de setembro de 2022. Foi o segundo mês consecutivo de queda nas vendas ao exterior das empresas da região. Para o coordenador do estudo da balança comercial, o economista Paulo Ricardo da Silva Oliveira, o desempenho da RMC reflete o momento de estagnação da indústria de transformação nacional. "Para esse setor, o momento não é bom. Como a indústria de transformação é forte na região, ela acaba sentido isso", afirmou ele, que também é professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas.
Ele lembrou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país tem sido puxado principalmente pela agropecuária, serviços e alguns setores industriais, como o da construção civil. Esse indicador teve alta de 3,4% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2022, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre abril e junho deste ano, a agropecuária teve alta de 17%; os serviços, 2,3% e a indústria, 1,5%. No primeiro semestre, a alta do PIB foi de 3,7% frente ao mesmo período de 2022.
As importações na RMC também registraram redução. Em setembro, atingiram US$ 1,23 bilhão (R$ 6,25 bilhões), queda de 29,27% em relação ao US 1,74 bilhão (R$ 8,84 bilhões) de igual período de 2022. "A redução das importações pode estar relacionada à queda no valor importado tanto de bens acabados como bens intermediários. Reduções expressivas na importação de bens intermediários indicam, em geral, queda do ritmo da produção industrial", disse o economista Paulo Ricardo da Silva Oliveira, responsável pelo estudo da balança comercial do Observatório PUC-Campinas.
O resultado das importações vai ao encontro dos dados da Sondagem Industrial de setembro divulgado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)-Regional Campinas. O levantamento apresentado no final de setembro mostrou que 33% dos entrevistados diminuíram a produção em relação ao mês anterior, 48% permaneceram estáveis e 19% aumentaram. O cenário chamou a atenção porque este é um período em que as fábricas deveriam estar com a produção aquecida para atender aos pedidos para o final do ano.
"É uma situação menos otimista do que deveria ser", disse o diretor titular do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, Os números são piores do que em setembro de 2022, quando 36% haviam aumentado a produção, 50% continuaram estáveis e 14 diminuíram. O estudo mostra ainda que o mês passado o saldo da balança comercial foi negativo, da ordem de US$ 831,81 (R$ 4,22 bilhões).
"Esses dados, considerando a balança comercial, PIB e sondagem industrial, estão conversando entre si e mostram que o momento não é tão bom para a região", disse o economista. O professor da PUC-Campinas apontou que em setembro a RMC teve uma participação de 21,87% nas importações do Estado de São Paulo, o menor índice desde 2016, quando foi de 19,46%. Em relação às exportações, a Região Metropolitana representou 6,33%, a menor taxa dos últimos 10 anos, A taxa mais baixa anterior foi verificada em 2013 (7,52%).
REFLEXOS
Nos últimos 12 meses, as exportações da Região Metropolitana de Campinas somaram US$ 5,46 bilhões (R$ 27,76 bilhões). O economista aponta que houve diminuição das vendas ao exterior para a maioria dos principais destinos, principalmente China (-45,8%) e Bélgica (-39,81%). Já as importações ficaram em US$ 15,63 bilhões (R$ 79,49 bilhões). Em relação à origem das compras feitas no exterior, a maior queda foi da China, com variação de -27,73% nos últimos 12 meses. Apesar da redução, o país ainda lidera com folga o ranking de principal fornecedor das empresas regionais, com participação de 26,32% do total.
Também tiveram queda as importações do Japão (-13,76%), França (-9,76%), Coreia do Sul (-8,92%), Vietnã (-6,04%), Índia (-5,67%) e Estados Unidos (-2.33%). Com isso, o saldo negativo da balança comercial no período de outubro de 2022 ao mês passado foi de US$ 10,71 bilhões (R$ 54,47 bilhões).
Campinas segue na liderança como principal município exportador na RMC, com o total de US$ 1,11 bilhão (R$ 6,64 bilhões) nos últimos 12 meses, o que representou 20,48% do total. A segunda colocação é ocupada por Indaiatuba (US$ 921,64 milhões - 16,87%), vindo em seguida Paulínia (US$ 873,55 milhões - 15,99%), Americana (US$ 445,55 milhões - 8,15%) e Vinhedo (US$ 438,7 milhões - 8,03%).
Segundo o coordenador do estudo do Observatório PUC-Campinas, as análises apontam uma queda expressiva nas importações (-20,65%) e leve redução das exportações (-3,86%) em 2023. Os resultados do mês passado contribuíram para uma piora da avaliação das compras feitas no exterior pelas empresas da região. A previsão anterior era de queda nas importações de 19,32%. As previsões para o resultado das exportações também pioraram. Anteriormente, a estimativa era de queda de 0,43%.
Siga o perfil do Correio Popular no Instagram.