Clima esquenta com troca de farpas e até palavreado chulo

Sessão da última segunda-feira onde clima ferveu na Casa: base, oposição e independentes em rota de colisão (Cedoc/RAC)
A Câmara de Campinas baixou o nível na última sessão, na segunda-feira, e acirrou o conflito entre parlamentares da base e os independentes e a oposição. O vereador Tenente Santini (PSD) disse que o líder de governo na Câmara, Marcos Bernardelli (PSDB), é um boçal e que muitas das atitudes dos vereadores “são reflexo da boçalidade do xerife da Casa”, e o vereador Gilberto Vermelho (PSDB) avisou: enquanto os independentes e oposição não pararem de atacar a base, não terão mais nenhum projeto aprovado. A briga é mais um episódio em um clima que já vinha esquentando entre os dois lados do parlamento desde a semana passada, quando o projeto de Santini, que endurecia as multas para quem fosse flagrado pichando patrimônio público e privado, foi rejeitado. Na segunda-feira, a base rejeitou projeto do vereador Marcelo Silva (PSD), que obrigava a instalação de avisos e de dispositivos de segurança, inclusive com indicação tátil, em escadas rolantes de estabelecimentos de grande circulação de público. A proposta previa que os avisos orientassem os usuários quanto ao uso correto do equipamento e os cuidados para evitar acidentes. A rejeição foi articulada por Bernardelli e deixou a oposição e os independentes inconformados. “Ele dá mijada nas pessoas aqui dentro, é arbitrário”, afirmou Santini, e comunicou: se é guerra declarada, vou falar o que eu falava na polícia: já peguei meu coturno e já engraxei, já peguei minha farda e passei, já peguei meu cinturão e equipei, já peguei minhas armas e estou pronto para condições de combate”. Silva também foi ao ataque: “quando se coloca alguém para liderar e não tem essa liderança ocorre o que estamos vendo. Derruba um projeto de interesse da cidade, só porque o autor não faz parte da base”. Bernardelli disse que não se importava como os adjetivos utilizados por Santini para atacá-lo. “Essa volúpia do Santini não me afeta e jamais vai afetar, porque tenho minha história nessa cidade. Conversei sim com a base e o projeto foi rejeitado porque o plenário é soberano. Deixei o projeto ir à votação de propósito, para ver até onde a situação iria”, afirmou. Segundo ele, Marcelo Silva deveria ter feito uma emenda a uma das muitas leis já existentes sobre elevadores e escadas rolantes na cidade. “Sabe por que ele não fez isso e preferiu apresentar um projeto? Porque emenda não aparece como autoria de lei. Ele preferiu cancelar tudo para ser o autor da lei que vai salvar as mãozinhas das crianças. Ninguém está votando contra o projeto de ninguém”, disse. Emenda Votaram a favor do projeto na sessão que discutia a legalidade da proposta os vereadores Mariana Conti (PCdoB), Nelson Hossri (Podemos), Marcelo Silva (PSD), Tenente Santini (PSD), Zé Carlos (PSB), Carlão do PT, Luiz Cirilo (PSDB) e Fernando Mendes (PRB). O relator da proposta, Zé Carlos, afirmou que a iniciativa de Silva era legal e constitucional, mesmo sendo uma emenda mais indicada ao caso. “É uma proposta de mérito, importante e que precisa ser posta em prática. Meu filho, quando tinha pouco mais de dois anos, quase perdeu a mão em uma escada rolante”, afirmou. Nelson Hossri entrou no debate e lamentou essa guerra declarada entre base e independentes. “Campinas não precisa disso. Entro nessa guerra, mas sem farda”, disse. Ninguém manda Jorge Schneider (PTB), que saiu do plenário na votação “para não votar contra porque não queria votar a favor”, entrou na discussão e afirmou que não aceitava jogo de palavras. “Saí da votação. No meu voto ninguém manda, na minha consciência ninguém manda. O senhor (referindo-se a Santini) está acostumado com hierarquia, onde o coronel fala, o major aceita, toda a hierarquia abaixo aceita. Aqui não. Eu não aceito de maneira alguma. Eu tenho autonomia”, defendeu-se. Clima tenso O clima anda tenso na Câmara desde a semana passada, quando Santini acusou a base de governo de barrar medidas de transparência e sugeriu que os políticos em Campinas foram eleitos pelo crime organizado. A base se revoltou e o denunciou à Corregedoria da Câmara, que vai abrir investigação. Santini terá que provar as acusações que fez – como a de que o serviço público teve e tem estelionatários, ex-ladrões de banco e falsificadores – sobre pena de quebra de decoro e risco de perda de mandato.