Americana teve a segunda maior participação popular da RMC, com 20 mil pessoas segundo a Guarda Municipal (GM)
Manifestantes pelas ruas de Indaiatuba neste domingo (15) ( César Rodrigues/ AAN)
Os protestos contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) se espalharam pela Região Metropolitana de Campinas (RMC) durante o domingo (15). A maior concentração de manifestantes, depois de Campinas, foi registrada em Americana. De acordo com a Guarda Municipal, cerca de 20 mil pessoas participaram do ato, que começou na Praça dos Trabalhadores e percorreu toda a Avenida Brasil, num total de quatro quilômetros – segundo a Polícia Militar, eram 7 mil os participantes. Protestos na RMC levam milhares às ruas por correiopontocom O ato também contou com carreata, motoqueiros, dois caminhões e um grupo de maçons. Oito pessoas, três delas menores de idade, foram abordadas pela PM por estarem com metade dos rostos cobertos, mas nada foi encontrado e elas foram liberadas em seguida. A manifestação foi pacífica. As opiniões dos moradores se dividiam quanto à reinvidação de impeachment. Insatisfeitos com a situação da administração municipal, alguns até questionaram se o problema seria apenas com o governo do PT. “Existe corrupção em todos os lados, passamos por grandes problemas com a administração municipal aqui, mas faz muito tempo que o PT está no comando e já perdemos a liberdade. Parece militarismo”, disse a empresária Priscila Gallucci, de 26 anos. “O negócio é não desistir. Queremos um Brasil progressista e temos que lutar contra a corrupção”, convocou a aposentada Lúcia Medon, de 68 anos, que apesar da crise se disse orgulhosa de ser brasileira.Veja galeria de fotos dos protestos O casal Willian Carmargo, de 25 anos, e Glaucia Cabello, de 25, também foi às ruas ontem, apesar de a decisão de mudar de país já estar tomada. “A inflação está desordenada, os preços só aumentam, as condições estão péssimas no trabalho e na educação. Parece que quem faz coisa errada é quem está certo, há uma inversão de valores”, desabafou Gláucia.IndaiatubaEm Indaiatuba, a maioria dos manifestantes pedia pelo impeachment da presidente, pela redução dos impostos e do preço do combustível, pela alternância do poder e por clareza nas investigações da Operação Lava Jato. “Acho que até quem votou no PT está decepcionado. É muita mentira. Entendemos que com a crise muitas coisas devam ser cortadas, principalmente nos gastos, mas o que vemos é o povo pagando toda a falcatrua do governo”, lamentou a fotógrafa Rafaela Giacomeli Alves, de 26 anos, durante o ato realizado ontem pela manhã e que atraiu cerca de 3,5 mil pessoas. Gritos de “Vem pra rua”, “Fora PT”, “Fora Dilma” e “Nossa bandeira jamais será vermelha” foram entoados na manifestação, que foi pacífica e reuniu famílias, crianças, jovens, adultos e idosos. “Temos filhos e netos e, se verificarmos, o futuro da forma como está não há esperança. Isso tem que mudar”, afirmou o consultor Orlando Bazuli, de 67 anos. “Estou aqui porque muitas pessoas estão infelizes com o governo”, disse Felipe Castilho, de 10 anos. A psicóloga Juliana Sigrist, de 40 anos, levou o marido, o advogado Niltom, de 44 anos, e seus trigêmeos. “Precisamos tomar o Brasil de volta das mãos do PT. Somos apartidários, não estou para levantar nenhuma bandeira, mas para demonstrar o sentimento de indignação”, falou. Pouco antes do meio-dia, os organizadores do evento agradeceram a colaboração dos manifestantes, da PM e da GM, e pediram que todos retornassem às suas casas de cabeça erguida, no mesmo espírito de cooperação e organização. Antes de cantarem o hino nacional, fizeram um coro para que todos os que haviam confirmado presença no evento pelas redes sociais, mas não compareceram, também saíssem às ruas. O protesto partiu do Parque Ecológico e durou uma hora e 40 minutos. Não foram registradas presenças de políticos.VinhedoEntre 500 e 700 pessoas, de acordo com a Guarda Municipal, saíram às ruas de Vinhedo à tarde para protestar. A passeata, prevista para começar às 15h, teve início com meia hora de atraso, no portal da cidade e seguiu em direção à Praça de Santana. Como nas outras cidades das região, o protesto foi pacífico e sem ocorrências, mas terminou mais cedo por causa da chuva. A maioria dos manifestantes pedia mais transparência no atual governo, alguns até para dar exemplo aos filhos, como a psicóloga Flávia Cabrini, de 38 anos. “Quero mostrar para minhas filhas que devemos lutar por um Brasil melhor quando estamos insatisfeitos”, disse. “Foram 12 anos de populismo e agora a conta está vindo”, completou o marido dela, Otávio Cabrini. A microempresária Greice Chavier, de 29 anos, pedia o fim da corrupção e se disse contrária ao impeachment. “Acho necessário mais clareza no governo, não acredito que tirar a presidente venha a resolver toda a sujeira”. Já para a auxiliar de compras Aline Almeida, de 24 anos, a situação só irá melhorar com a saída de Dilma do governo. “O aumento de impostos está sem igual, assim como a corrupção. Nada está como prometido na campanha presidencial”, falou. Jundiaí alvo de bomba A sede do Partido dos Trabalhadores (PT) em Jundiaí, instalada na Rua Prudente de Moraes, na região central, foi alvo de bomba, provavelmente coquetel molotov, na madrugada de ontem. A Guarda Municipal afirmou ter sido acionada ao local por volta de 12h30, quando então a Polícia Militar assumiu a ocorrência de dano e a apresentou no Plantão Policial após perícia. O crime, de autoria ainda desconhecida, deve ser investigado pelo 1º Distrito Policial. Em nota, o presidente municipal da legenda, Arthur Augusto, afirmou que o vandalismo provocou sérios estragos em uma das salas do imóvel, onde documentos, cortinas, mesas e cadeiras foram queimadas. “Quero crer que não seja uma ação orquestrada por adversários políticos”, disse. Em postagem no Facebook, o vereador e líder do PT na Câmara Municipal, Gerson Sartori, classificou a ação como “lamentável”. Segundo ele, na sala atingida são feitas reuniões e entrevistas. O reparo dos danos deve acontecer ainda hoje.