SAÚDE EM XEQUE

Pressão aumenta para que Estado amplie leitos na região de Campinas

Câmara de Sumaré pede que Ministério Público ajude a sensibilizar o governo estadual

Ronnie Romanini
18/05/2022 às 08:28.
Atualizado em 18/05/2022 às 08:28

No dia 6 de maio, um ofício foi encaminhado ao governador Rodrigo Garcia (PSDB) com o mesmo pedido de reativação dos leitos (Gustavo Tilio)

A falta de resposta do Estado às reivindicações por novos leitos infantis tem gerado críticas por parte de autoridades e especialistas da região. Diante do silêncio do governo paulista, a Câmara Municipal de Sumaré enviou ofício ao Ministério Público do Estado de São Paulo pedindo que a instituição atue como intermediária para tentar sensibilizar a Secretaria de Estado da Saúde a ampliar a estrutura de atendimento com a reabertura de até 30 leitos na enfermaria de pediatria do Hospital Estadual de Sumaré (HES).

O presidente da Câmara de Sumaré, William Souza (PT), declarou que o governo estadual está mostrando, há pelo menos dois anos, que a saúde das crianças da região não é prioridade. "Espero, de verdade, que ouvindo os apelos e ciente dos números, que desçam do palanque político e priorizem a saúde das pessoas. Não estamos querendo algo novo ou um remanejamento absurdo de orçamento do Estado. Estamos apenas pedindo que devolvam aquilo que foi tirado. Eu quero acreditar que o governo do Estado de São Paulo terá sensibilidade e respeito com as crianças."

Ele justificou a procura pelo MP por julgar importante formalizar a situação para que o órgão tenha ciência e possa contribuir para ampliar a capacidade de atendimento do HES. A reabertura dos leitos aliviaria a pressão nos leitos pediátricos de Campinas ao acolher pacientes de outras cidades da região.

No dia 6 de maio, o prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos),reuniu-se com as autoridades sanitárias e representantes de hospitais do município. Um ofício foi encaminhado ao governador Rodrigo Garcia (PSDB) com o mesmo pedido de reativação dos leitos de enfermaria no HES, um consenso entre os participantes da reunião. Houve ainda o desejo por investimentos para a ampliação de estruturas pediátricas em outras cidades da região. Naquele dia, Dário afirmou que cerca de 30% das crianças atendidas no município são oriundas de outras localidades.

Na semana passada, o presidente da Câmara Municipal de Sumaré já havia solicitado diretamente ao governador a reabertura dos leitos, após moção aprovada por unanimidade no legislativo, mas este não foi o primeiro pedido feito.

Um ano antes, foi protocolada outra moção de apelo ao Governo do Estado de São Paulo e ao Departamento Regional de Saúde (DRS 7), mas a demanda foi negada. Na ocasião, o argumento foi o de que, após o período de sazonalidade, em que há lotação nos leitos, a ocupação se mantém baixa nos meses restantes. Isso causaria um déficit ao hospital, uma vez que os leitos não estariam sendo utilizados, mas os custos permaneceriam os mesmos. E ainda que não haver previsão de acréscimo de recursos ou estrutura, pois os recursos disponibilizados eram destinados prioritariamente ao enfrentamento da pandemia de covid-19.

Ele definiu a resposta anterior como insatisfatória. "Agora, as crianças de cidades, como Sumaré, Campinas, Americana e Nova Odessa, estão sendo espalhadas por todo Estado, sendo reguladas por um sistema desumano e despreparado."

A Secretaria de Estado da Saúde enviou uma nota anteontem, com exatamente o mesmo conteúdo da primeira resposta, dada no dia 6 de maio. A afirmação é a de que o DRS 7 está monitorando a situação e em diálogo com gestores locais para oferecer assistência à população.

No final do mês passado, o Conselho Municipal de Saúde de Campinas fez sete recomendações à Secretaria de Saúde diante do cenário atual. Entre elas, justamente a de buscar de imediato "recursos e meios para ampliar o número de leitos de UTI pediátrica e neonatal, superando a crise provocada pelo fechamento de leitos do Caism e as necessidades impostas pelo aumento de casos, sazonalmente" e "envolver a Secretaria de Estado da Saúde e Ministério da Saúde para contribuir na solução desse problema, inclusive com o financiamento dos leitos".

A presidente do CMS, Nayara Oliveira, cobrou que o Estado assuma o que é sua responsabilidade. "A abertura de leitos em cidades da região seria importante. Como há sobrecarga, é necessária uma articulação em nível regional. A Secretaria Estadual tem uma responsabilidade na coordenação regional e na organização de leitos, pensando que existe uma demanda que se repete todos os anos. O Estado não chama para si a responsabilidade dele de coordenar esse processo. A DRS 7 tinha que agir nesse sentido e não age." 

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