LITRO NA BOMBA

Preço da gasolina cai ao mesmo patamar de março em Campinas

Produto já é encontrado em Campinas abaixo de R$ 6, reflexo da redução de impostos federais e estadual na sexta passada

Do Correio Popular
01/07/2022 às 12:01.
Atualizado em 01/07/2022 às 12:05

Com os cortes tributários, o menor preço da gasolina encontrado foi de R$ 5,94, praticado por um posto da Vila Nova, que até a semana passada vendia a R$ 6,37, redução de 6,8% (Marcello Casal Jr/ Agência Brasil)

O preço do litro da gasolina caiu até R$ 0,90 na bomba - o uma redução de 12,88% - e o produto já é encontrado em Campinas abaixo de R$ 6, mesmo patamar do início de março passado, antes do primeiro reajuste dos combustíveis do ano, um reflexo da redução de impostos federais e estadual. O PIS/Cofins (10,6%) e o Cide (1,3%) foram zerados na sexta-feira passada, enquanto o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), reduzido no Estado de São Paulo de 25% para 18% na última segunda-feira.

Com os cortes tributários, o menor preço da gasolina encontrado foi de R$ 5,94, praticado por um posto da Vila Nova, que até a semana passada vendia a R$ 6,37, redução de 6,8%. Mas a aplicação dos cortes tributários depende da renovação dos estoques dos postos de combustíveis, o que faz com que a redução seja diferente entre os postos. Há postos que, até terça-feira, vendiam a gasolina a R$ 6,99 e agora trabalham com o valor de R$ 6,09, diferença de 12,88%, enquanto outros vendem a R$ 6,49.

“O preço nas bombas é definido pela redução da carga tributária que é repassada pela distribuidora”, explicou o chefe de pista de um estabelecimento no distrito de Barão Geraldo, Alessandro Nascimento. Outro posto, no Castelo, já trabalhou com três preços diferentes da gasolina esta semana. Começou segunda com R$ 6,94, reduziu para R$ 6,74 na quarta e ontem vendia a R$ 6,24, com a perspectiva de nova queda. “A distribuidora já reduziu o preço de novo hoje [ontem] e, assim que fizermos uma nova compra, vai para as bombas”, afirmou o gerente Éder Nunes. 

Consumidores

Os motoristas mostram satisfação com a redução dos preços, mas ainda consideram a gasolina cara. “Não adianta nada essa queda, a diferença é muito pequena. Talvez beneficie quem usa o carro apenas para passear”, avalia a entregadora de mercadoria Vanessa Ridolfi. O motoboy Israel Moura, que roda até 1 mil quilômetros por semana, acredita que economizará o equivalente a um tanque por mês. “Não é muito, mas já ajuda”, observa.

Ele explicou que, até semana passada, gastava R$ 125 para abastecer a moto flex com uma mistura de gasolina e etanol, valor que caiu para R$ 95 agora. 

Para o economista Paulo Zarpelon, que abasteceu o carro para aproveitar o preço, o combustível nos “postos de bandeiras tradicionais está quase proibitivo” e o corte nos impostos é um paliativo. “É o mercado quem vai dizer como os preços vão ficar”, explicou. O assistente administrativo, Eliseu da Silva Mesquita, que estava indo de Cosmópolis para São Paulo, desviou o trajeto em busca de gasolina mais em conta em Campinas. “Em Cosmópolis, a mais barata está a R$ 6,49 e, nas rodovias, o preço ainda não caiu”, afirmou. 

Como enche o tanque, ele avalia que compensa abastecer em Campinas, uma prática que adota sempre que passa próximo à cidade. A redução no preço da gasolina refletiu também no etanol, mas não por contra da redução dos impostos, mas com as usinas sucroalcooleiras buscando manter a paridade nos preços.

O combustível renovável derivado da cana-de-açúcar é encontrado por até R$ 3,94 nos postos. No dia 20 passado, o preço mínimo encontrado em Campinas foi de R$ 4,13, redução de 6,4%. Para compensar para o motorista, o etanol tem que custar no máximo 70% da gasolina em função de ter menor rendimento. 

Procon-SP

A Fundação Procon divulgou ontem que a redução média foi de R$ 0,30 no preço da gasolina comum em todo o Estado de São Paulo. Já o valor médio apurado foi de R$ 6,67. Na semana passada, antes da redução do ICMS, o órgão do governo estadual checou os valores em 1.202 postos e voltou a 447 deles entre terça e quarta desta semana.

O maior preço do combustível encontrado foi de R$ 7.99 em um estabelecimento no bairro Jardins, na cidade de São Paulo. O menor, R$ 5,89, também foi na capital, em um posto da Vila Guilherme. 

Para especialistas, a redução no preço da gasolina pode ter impacto por um curto prazo, dependendo da cotação do dólar e da variação do preço do barril no mercado internacional. “Sem mexer na raiz do problema, que é a política de preços da Petrobras, pode haver algum novo choque externo que jogue o preço pra cima. E aí o governo corre um risco enorme de gastar capital político às vésperas das eleições e a medida ser um tiro no pé”, disse o professor Carlos Eduardo Navarro, pesquisador do Núcleo de Estudos Fiscais (NEF) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de São Paulo. 

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