OBSERVATÓRIO PUC-CAMPINAS

População idosa dobra em 20 anos na RMC, diz estudo

Estimativa é que o crescimento desse estrato nas duas próximas década seja o mesmo

Ronnie Romanini/ ronnie.filho@rac.com.br
30/06/2022 às 09:36.
Atualizado em 30/06/2022 às 09:36

Segundo o coordenador da pesquisa, Cristiano Monteiro da Silva, a transição demográfica vai ampliar a demanda por vida social urbana, serviços de saúde, educação, lazer, cultura, habitação, segurança para os idosos (Ricardo Lima)

O crescimento do número de idosos nas últimas duas décadas dobrou e a previsão é a de que o mesmo aconteça nos próximos 20 anos na Região Metropolitana de Campinas (RMC). A estimativa consta de um estudo do Observatório PUC-Campinas, que aborda a transição demográfica que constata um processo acelerado de envelhecimento populacional. 

Em 2000, a relação de idosos economicamente dependentes era de 13 a cada 100 pessoas em idade ativa (no estudo, considerando o grupo entre 15 e 59 anos). Em 2020, eram 22 idosos a cada 100 pessoas economicamente ativas. A projeção é a de que a relação, em 2030, esteja em 31 a cada 100 e, em 2040, em 41 para cada 100 adultos. 

O estudo concluiu que a RMC também passa por um momento de declínio nas taxas de fecundidade e natalidade. Com o avanço da população com 60 anos ou mais e da população próxima a essa faixa etária, a estrutura etária da população estará mais envelhecida, propiciando uma maior participação desse estrato na vida social. Diante disso, é preciso que haja um planejamento, políticas públicas delineadas por gestores que levem em conta a densidade da população idosa que cresce cada vez mais.

Entre os jovens economicamente dependentes, de 0 a 14 anos, a relação era de 39 jovens para cada 100 pessoas economicamente ativas em 2000. Década após década, esse número também vem caindo, ficando em 30 em 2010, 27 em 2020, e a previsão é a de que sejam 25 jovens em 2030 e 22 em 2040.

"As taxas de fecundidade e natalidade declinante, a taxa de crescimento populacional também declinante, combinadas a uma população mais envelhecida e um alto nível de urbanização, de vida social urbana, permitem-nos afirmar que a transição demográfica vai ampliar a demanda por questões relacionadas à vida social urbana, à urbanização, às cidades. Serviços de saúde, educação, lazer, cultura, habitação, segurança e, principalmente, de trabalho e renda. Porque essa faixa etária mais envelhecida acaba sendo mais representativa, mais significativa na estrutura social que as outras (...), então, há a necessidade de planejamento de serviços, de políticas públicas que contemplem a densidade da população idosa que cresce cada vez mais", afirmou o coordenador da pesquisa, Cristiano Monteiro da Silva.

O gráfico, nesta página, mostra a evolução do padrão etário da população da RMC, ou seja, quantas pessoas cada faixa etária tinha no passado, tem no presente e possivelmente terá no futuro. 

Em 2000 e 2010, o grupo etário de 15 a 29 anos era o mais representativo dentro de todos, entre 600 e 700 mil pessoas. Em 2020, a maior população estava uma faixa etária acima, a de 30 a 44 anos, o que deve se repetir em 2030. Porém, em 2040, a projeção é a de que a parcela mais representativa da população esteja duas faixas etárias acima, justamente a de idosos, acima dos 60 anos, com pouco mais de 800 mil pessoas em toda a região. Em 2000, o total não chegava a 200 mil.

Cidades da RMC

O estudo também divulgou os cálculos cidade por cidade da RMC sobre os números da razão de dependência dos idosos de 2000 a 2030. Em 2000, Americana, Pedreira e Santo Antônio da Posse eram os municípios com mais idosos economicamente dependentes em relação à população de 15 a 59 anos, 15 para cada 100. No fim da lista, estavam Sumaré, com 9, e Hortolândia, com 8 idosos a cada 100.

A estimativa é que em 2030, Santa Bárbara d’Oeste, a 12ª das 20 cidades com mais idosos dependentes em 2000, assuma a liderança, com uma relação de 38 para cada 100, com Americana (37) e Valinhos (36) na sequência. Campinas era a 4ª cidade com mais idosos em 2000 e continuaria nessa posição na próxima década se a projeção for concretizada. 

Hortolândia (24), Monte Mor (23) e Engenheiro Coelho (19), seriam os municípios com menos idosos, porém, em número ainda superior às primeiras colocadas de 2000. "O objetivo do estudo foi obter uma leitura mais panorâmica da RMC. Porém, as considerações sobre as particularidades de cada cidade ainda vão depender de um aprofundamento. O Observatório PUC-Campinas planeja continuar estudando a transição demográfica no segundo semestre", revelou o pesquisador.

Com o envelhecimento da população e a ampliação das demandas da vida social urbana, o estudo também procurou estudar as potencialidades da atividade econômica - a capacidade de geração de riqueza da Região - que financiarão e atenderão as demandas das próximas décadas. O estudo innvestigou o que a RMC está produzindo e constatou que existe um crescimento no valor e número de projetos de investimentos na região, com característica distinta às outras localidades do Estado de São Paulo.

"O que enxergamos é que, na RMC, existe um investimento que procura juntar, criar uma sinergia entre indústria e serviços, principalmente os mais especializados. É o tipo de investimento que observamos em países desenvolvidos e que pode gerar um valor mais alto que as demais atividades econômicas. A relação fortalecida entre indústria, tecnologia e serviços especializados é um caminho com potencialidade para geração de riqueza que pode ser administrada e planejada no sentido de suprir as necessidades da RMC", concluiu o professor.

Questões como a saúde física, mental e acessibilidade são protagonistas no debate do envelhecimento da população. Em um terminal de ônibus de Valinhos, Maria do Socorro Silva Sousa, de 62 anos, explicou que, enquanto idosa, a maior dificuldade atualmente é em relação ao transporte público, principalmente com as escadas dos veículos. 

"Não dou conta desses degraus altos. Subo o primeiro, segundo e, no terceiro, alguém tem de me ajudar, pois não consigo. Um dia, caí e machuquei o joelho."

Em Campinas, o Clube de Bocha Santo Antônio reúne mais de 100 sócios, que se encontram para jogar sinuca, baralho, bocha, fazer churrasco e disputar torneios. É uma maneira da mente e corpo continuarem ativos, além de exercitar a sociabilidade, encontrando velhos e novos amigos para jogar conversa fora.

O presidente do clube, André Castro, de 62 anos, lamentou o período e m que ficou enclausurado no período da pandemia. O clube perdeu cerca de 20% dos sócios que tinha. Mesmo sem patrocínio para conseguir fazer mais, o lugar sobrevive e ajuda na qualidade de vida dos idosos, que são maioria no local. "Os meninos, como eu os chamo, praticam esportes o dia inteiro aqui, caminham o tempo todo, o que também é fundamental. Essa população precisa ter o olhar do poder público e das empresas. Quando nós tínhamos patrocínio, fazíamos uniforme para eles jogarem. Era a alegria deles. Eu, como presidente, sinto-me realizado vendo todos unidos desse jeito. O esporte é o primordial para eles, mas por meio disso vem as relações de amizade, exercício mental, físico, comunidade..."

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