Medida foi tomada após drama de brasileiras com bagagens trocadas na Alemanha
Passageiros aguardam voo no Aeroporto de Viracopos, na tarde de ontem: cuidado redobrado com bagagens tornou-se prioridade após o caso envolvendo brasileiras na Alemanha (Rodrigo Zanotto)
A quantidade de policiais federais no Aeroporto Internacional de Viracopos aumentou em 33%. Por questões de segurança, os números absolutos não foram revelados. A medida é uma solução estratégica da Polícia Federal para reforçar a segurança no aeroporto e também endurecer ainda mais a fiscalização de bagagens. Mesmo que esse reforço já estivesse previsto, ele aconteceu justamente quando o assunto de proteção de malas ganhou ainda mais importância depois das brasileiras Kátyna Baíua e Jeanne Paollini terem as etiquetas das malas trocadas e serem presas na Alemanha por tráfico de drogas.
"Esse aumento de efetivo de policiais já estava previsto. Tivemos novos concursos e, com isso, conseguimos aumentar o efetivo, tendo em vista a importância do aeroporto, tanto no cenário nacional quanto internacional", detalhou o delegado Fábio Simões. Ele destacou que a polícia fiscaliza a questão de entorpecentes e também a segurança do local. Simões informou que foram realizadas oito apreensões de drogas em Viracopos em 2023, sendo todas elas entre março e abril. Nos dois primeiros meses do ano não houve apreensões.
O caso das brasileiras acendeu um alerta para essa questão de tráfico de drogas. As brasileiras Kátyna Baíua e Jeanne Paollini tiveram as etiquetas das malas trocadas. As malas da dupla foram trocadas por duas com 40 quilos de cocaína. Segundo investigação da Polícia Federal do Brasil, as etiquetas foram trocadas no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Elas foram presas quando chegaram na Alemanha e foram soltas na terçafeira (11). Os pertences delas ainda seguem desaparecidos. Esse caso despertou a atenção das pessoas sobre medidas para proteger as malas.
Simões disse que o que ocorreu com elas foi um caso isolado e deu dicas de como se proteger contra isso. Ele disse que é comum pessoas pedirem para outras levarem a mala delas, alegando estar com excesso de bagagem. "A medida principal e fundamental é jamais aceitar levar a mala de alguém. Se possível, tenha sempre contato visual com sua bagagem para evitar esse tipo de coisa". O delegado ainda destacou que os órgãos de segurança estão sempre atentos e que o ambiente é filmado.
Com relação às medidas que podem, eventualmente, serem adotadas após o caso das brasileiras na Alemanha, a decisão fica a cargo de cada empresa aérea. Procurada pela reportagem, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) comunicou que eventuais mudanças no protocolo de manuseio de bagagens estão sendo tratadas por cada companhia aérea. Dessa forma, a ABREAR optou por não se pronunciar sobre o tema.
Prevenção
Com esse caso, os cuidados que já eram adotados por alguns viajantes foram reforçados. Como é o caso do empresário no ramo da comunicação, Dirceu Fernandes, 60 anos. Ele relevou que nunca enfrentou problemas com as bagagens, porque não é descuidado. "Tomo muito cuidado. Sempre deixo as malas perto de mim. Vou ao banheiro com a bagagem. Quando não está despachada, está comigo", disse o empresário com as malas ao lado do corpo. Além de prestar atenção nos seus pertences, Fernandes também observa as malas dos outros. "Observo as malas dos outros para saber se tem alguém fazendo algo de errado".
As irmãs Carmen Lúcia Marinho Barros, 62 anos, e Ivone Marinho Barros, 59 anos, fizeram uma conexão no Aeroporto Internacional de Viracopos na tarde de sexta-feira (14). A dupla saiu do Rio de Janeiro com destino à Florianópolis, para participar de um casamento. Justamente por estarem indo para um evento especial, as irmãs preferiram carregar as roupas para o evento na bagagem de mão e não despacharam as malas. "Tenho muita insegurança. Fiquei com medo de acontecer algum extravio ou alguma coisa, a gente ficaria sem as roupas. Como é um evento, eu não quis correr risco. Como estamos fazendo conexão, vai que a mala vai para um lado e eu para o outro", brincou a mais velha.
Mesmo com medo de que ocorra algum dano, troca ou extravio da bagagem, a administradora Luana Yukimi Odani Leite, 34 anos, disse que não toma nenhum cuidado extra e que deixa a cargo da "sorte" a proteção das suas malas. "Tenho medo, mas não tomo nenhum cuidado. Vai na sorte". Larissa estava esperando o embarque para uma viagem nacional e estava com a mala por perto.
Ao contrário de Larissa, o encarregado Edicarlos Batista dos Santos, 33 anos, amarrou fitas nas alças das malas para não perder as bagagens de vista. Segundo ele, é importante deixar as malas sempre no campo de visão, para eliminar os riscos. "Eu faço marcas nas minhas malas, assim fica mais fácil de observar. Tem que ter um elemento que você conheça a sua bagagem", aconselhou.
Além das tradicionais fitas, outro elemento utilizado para diferenciar as malas das demais são capas protetivas. Essas, além de ajudar na identificação, também protegem os equipamentos. O vendedor Tiago Anzolin, 32 anos, disse que uma mala dele já quebrou em um aeroporto e revelou as medidas que adota desde então para evitar enfrentar esse problema mais uma vez. "Aconselho as pessoas a adotarem medidas autoprotetivas. Como utilizar capas, comprar malas com reforço nos cantos e se possível não colocar nenhum eletrônico, para evitar danos nos aparelhos", disse o vendedor enquanto estava colocando a capa na mala que estava carregando para fazer uma viagem nacional. No caso de viagens internacionais, Anzolin adota ainda mais medidas. "Eu coloco fitinhas, para identificar de outras formas. Fitas e adereços ajudam. Até para evitar o que aconteceu com as brasileiras na Alemanha, que tiveram as malas trocadas", alertou.