MÃOS À OBRA

Plataforma federal lista cinco obras como inacabadas em Campinas

PAC Taubaté está parado há 12 anos e contempla instalação de 600 moradias

Luis Eduardo de Sousa/ [email protected]
28/04/2023 às 09:05.
Atualizado em 28/04/2023 às 09:05
Conjunto habitacional às margens do córrego Taubaté precisa ser concluído (Alessandro Torres)

Conjunto habitacional às margens do córrego Taubaté precisa ser concluído (Alessandro Torres)

Cinco obras de Campinas foram incluídas pelo governo federal na plataforma Mãos à Obra, que identifica intervenções inacabadas em todos os estados da União. Estão no levantamento o BRT (Bus Rapid Transit), PAC Taubaté, PAC Santa Lúcia, PAC Quilombo e a Praça Tancredo Neves, na região do Campos Elíseos. A Administração explicou que quatro delas estão em andamento e apenas uma totalmente parada por falta de verbas. O caso mais emblemático é do PAC Taubaté, que começou em 2011 e está com mais de dez anos de atraso. A obra contempla a instalação de um conjunto habitacional com cerca de 600 moradias na região do Jardim das Bandeiras, às margens do córrego Taubaté.

Ainda em 2010 foi anunciada a construção do residencial através do programa Minha Casa, Minha Vida. O convênio firmado entre União e Prefeitura previa pavimentação da área, instalação de estrutura de saneamento, iluminação pública e lazer. Foram liberados inicialmente R$ 10 milhões, o que permitiu a execução de 14% do total. A Administração disse que necessita de R$ 40 milhões para conclusão.

De acordo com o diretor de Captação de Recursos e Convênios da Secretaria de Finanças, Flávio Emílio Rabetti, a prefeitura pediu ao governo federal os recursos necessários para terminar a obra. "Com a verba que recebemos no início do projeto, há mais de 10 anos, não foi possível concluir, e aí ficou parada por falta de recursos. Agora precisamos de R$ 40 milhões. Nós informamos à União que queremos continuar com essa obra e que precisamos do montante", disse. Caso ocorra o aporte, a Prefeitura espera concluir o PAC Taubaté em 2025. Se o recurso não vier, a intenção é estudar formas de concluir o empreendimento com outras fontes, inclusive com verba municipal.

Segundo Rabetti, a plataforma intitulou todas as obras da cidade como paralisadas, embora quatro estejam caminhando, ainda que com atraso. Caso amplamente conhecido é o do BRT, que já acumula três anos de atraso e não dá sinais de que a conclusão será neste ano. Em 2017, quando anunciado o sistema, o contrato firmado pelo então prefeito Jonas Donizetti (PSB) e a União garantiu R$ 162,7 milhões de verba federal para execução da obra, que tinha previsão de conclusão para 2020. "Na plataforma, consta que o BRT está como obra paralisada, mas não está e tratamos de fazer essa correção. Incluímos no sistema que a obra ficará pronta até 31 de dezembro deste ano", disse Rabetti. Segundo a Administração, para concluir o BRT não foi solicitada verba extra. A questão que travou a finalização é técnica e não de verbas.

A partir desta sexta-feira (28), os usuários do transporte público de Campinas terão seis novas opções de estações para embarque e desembarque na linha BRT Campo Grande, tornando operacionais 100% das estações BRT do Corredor Campo Grande. As estações integram o corredor John Boyd Dunlop do Lote 2. Na quinta-feira (27) marcou a data para abertura dos envelopes das propostas para o lote 4 da obra que foi relicitada. Até o fechamento desta edição, não houve uma resposta sobre a quantidade de empresas que se candidataram. No Lote 3, resta a entrega do Terminal Santa Lúcia.

O PAC Santa Lúcia e o PAC Quilombo contemplam obras de saneamento e revitalização. No Santa Lúcia, a obra, que vai corrigir irregularidades na região do córrego que corta a região, também está atrasada. É prevista a construção de uma área de lazer na região. De acordo com a Administração, a intervenção foi dividida em duas partes, sendo que a primeira foi executada. "Para iniciar a segunda parte foi necessário aguardar a autorização de início por parte do Ministério das Cidades, que só aconteceu em janeiro de 2023. Agora as obras prosseguem, com previsão de conclusão também para dezembro de 2023" informou a Prefeitura através de nota.

Parte das habitações às margens do córrego, consideradas de risco, também devem ser removidas e os moradores realocados em moradias providenciadas pelo município. Já o PAC Quilombo contempla ações de regularização fundiária, infraestrutura e eliminação de inundações às margens do Ribeirão Quilombo, na Região do São Marcos. Essa é a obra com melhor andamento. A previsão é de que seja concluída em dezembro desse ano.

A Praça Tancredo Neves, o Tancredão, está em fase de licitação. O recurso foi destinado ao município através de emenda parlamentar. A cobertura da quadra desta praça tem contrato de R$ 4,7 milhões para a execução de obras. Após a licitação, a previsão para conclusão é de quatro meses, coincidindo, assim como a maioria das obras, com o mês de dezembro de 2023.

Mãos à Obra

O programa foi lançado pela gestão Lula (PT) para atualizar a situação das obras que a União realiza em parceria com estados e municípios nas áreas de saúde, educação, mobilidade urbana, saneamento, habitação, esporte e cultura. Gestores municipais e estaduais puderam atualizar as informações sobre cada empreendimento, para que o governo federal possa mapear rapidamente as obras que podem ser retomadas.

A plataforma deu a opção aos gestores de indicarem se desejam continuar as obras e se precisam de algum aporte financeiro por parte da União. O levantamento diz respeito apenas às obras em parceria com a União. A reportagem consultou se as demais cidades que compõem a Região Metropolitana de Campinas (RMC) possuem obras apontadas na plataforma. Vinhedo e Sumaré foram as únicas que responderam até o fechamento desta edição e ambas disseram que não possuem, atualmente, obras conveniadas com o governo federal.

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