AGRONEGÓCIO EM ALTA

Pesquisas do Instituto Agronômico de Campinas elevam a qualidade do azeite paulista

Estudos sobre olivicultura são destaque em evento que termina nesta quarta-feira no instituto

Gilson Rei
18/05/2022 às 08:44.
Atualizado em 18/05/2022 às 08:44

Produtores e pesquisadores participam da 12ª Exposição ExpoAzeite e o VIII Encontro da Cadeia Produtiva da Olivicultura na sede do IAC (Ricardo Lima)

Auxiliado pelo conhecimento científico, o azeite de oliva brasileiro compete cada vez mais em qualidade com os melhores do mundo e já coleciona prêmios nos maiores concursos internacionais. O cenário positivo e promissor deste setor do agronegócio no País foi apresentado e debatido na última terça-feira (17), no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), durante a 12ª Exposição ExpoAzeite e o VIII Encontro da Cadeia Produtiva da Olivicultura. Além dos casos de sucesso da olivicultura no estado de São Paulo e Brasil, o evento contou com palestras técnicas, apresentação do roteiro paulista de olivoturismo, além de exposição de insumos, produtos e degustações. O evento tem encerramento previsto para hoje (quarta-feira), com outras apresentações e debates.

Os estudos desenvolvidos pelos pesquisadores do IAC figuraram ontem com destaque no encontro da cadeia produtiva da olivicultura. Os projetos científicos do IAC apresentados integram a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que reúne também outros trabalhos técnicos de institutos de pesquisa do Estado de São Paulo, incluindo trabalhos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), de Piracicaba.

Um dos estudos foi sobre a pesquisa que detalha as fases de crescimento da planta de acordo com o clima, realizado pela agrônoma Angélica Prela Pântano, pesquisadora do IAC. Angélica destacou que um dos principais desafios da olivicultura no País é a questão climática e que o estudo sobre as fases contribui para a solução deste desafio. "Dentre outras pesquisas, foi desenvolvido um estudo sobre os locais propícios e adequados para se fazer o cultivo da oliveira", afirmou. A planta originária de clima mediterrâneo está presente, atualmente, em 49 municípios paulistas. As variedades de azeitonas mais cultivadas são a Arbequina, Frantoio, Picual, Koroneiki, Coratina e Arbosana.

Em busca de melhores orientações para as produções sobre as questões fenológicas (fases de crescimento de uma planta), Angelica disse que analisou quinzenalmente ramos de diferentes pontos de mais de 100 oliveiras, nas condições climáticas no ciclo 2019/2020 e 2020/21, nos municípios de São Sebastião da Grama e Cachoeira do Sul. Os resultados dessa pesquisa foram apresentados ontem em sua palestra "Fenologia e clima na Olivicultura". "Esse projeto possibilitou mais conhecimentos sobre a polinização e pegamento dos frutos, que pode variar de acordo com as condições climáticas de cada local e safra, assim como a duração do ciclo", afirmou. 

As condições do clima são determinantes nesta cultura. "Por exemplo, no Rio Grande do Sul o florescimento ocorre depois do florescimento que ocorre no estado de São Paulo. Com isso, a colheita também pode ocorrer com até dois meses de diferença. Em São Paulo o ideal é de fevereiro a março e no Rio Grande do Sul é de fevereiro a abril", afirmou. A pesquisadora explicou que foram realizados estudos fenológicos durante a sub fase de florescimento até a colheita. "O objetivo foi de conhecer a porcentagem de frutos em relação ao número de flores no início da subfase. Esse estudo é relativamente novo no Brasil. Por isso, o resultado é relevante porque dá subsídios para uma estimativa de produtividade em uma área", explicou Angélica.

Outro estudo em destaque no evento foi apresentado pelo pesquisador do IAC, Helvécio Della Coletta Filho, em sua palestra "Presença de Xylella fastidiosa em diversas partes da oliveira - perspectiva de poda para mitigar a doença em olivais". O estudo mostra formas de combate à bactéria que age nas oliveiras. Na apresentação foram discutidos dados sobre o comportamento de Xylella fastidiosa em plantas de oliveira. "A bactéria é responsável pela doença conhecida como dessecamento dos ramos da oliveira (DRO), nome localmente atribuído, ou síndrome do declínio rápido das oliveiras, do inglês "Olive Quick Decline Syndrome" (OQDS)", explicou o pesquisador do IAC.

Estudo sobre o solo

A pesquisadora da Apta Regional de Piracicaba, Edna Bertoncini, abordou sobre a fertilidade e o manejo de solos em olivais, considerando a necessidade de se preparar o solo e a manutenção do mesmo para obter sucesso no cultivo. Edna explicou, ainda, como fazer uma boa produção de oliva: "O ideal é escolher uma região que tenha quantidade elevada de horas de frio para florescer. O segundo passo é procurar assistência técnica de qualidade, pois já vimos vários casos de produtores perderem todo o investimento por falta de conhecimento. Outro ponto essencial é a qualidade da muda", comentou.

Edna é coordenadora do Grupo Oliva SP, que reúne pesquisadores de institutos de pesquisa da Apta e outras entidades com objetivo de produzir e transferir tecnologia para a cadeia produtiva da olivicultura no estado. A pesquisadora destacou que o Grupo Oliva São Paulo existe desde 2011. "A equipe é formada por 22 pesquisadores que se dedica a elevar o cultivo das oliveiras e a produção de azeites a um patamar cada vez mais alto dentro da agricultura paulista e nacional", comentou. "O Oliva São Paulo produz conhecimento científico relacionado a diversos aspectos da olivicultura. Atualmente, reúne vários resultados, com um pacote tecnológico específico para São Paulo. Os estudos são referentes à qualidade de mudas, manejo do solo para implantação, fertilidade do solo, e a devida identificação e recomendações e controle de doenças e pragas", exemplificou. 

Segundo Edna, o estudo da maturação é feito em parceria com produtores, e em relação à qualidade do azeite, são realizados anualmente diversos cursos de análise sensorial, visando conscientizar consumidores e produtores. A pesquisadora comentou que a necessidade das pesquisas surgiu da grande procura de produtores por um pacote de tecnologias específicas para a cultura paulista das oliveiras.

Números

Dados da Câmara Setorial de Olivicultura do Estado de São Paulo revelam que o estado produziu 250 toneladas de frutos no ano de 2021. Para 2022 a previsão é de 350 toneladas de frutos, sendo a produção de litros de azeite de oliva saltando de 25 mil litros para 35 mil litros. No Estado de São Paulo existem produtores nos municípios de Espírito Santo do Pinhal; Divinolândia (próximo a Andradas-MG); Campos do Jordão; Silveiras; Cabreúva; Lorena; São Bento do Sapucaí; São Sebastião da Grama; Cachoeira do Sul; e Santo Antonio do Pinhal. São Paulo conta com aproximadamente 60 produtores de oliveiras, com uma área de mais de 600 hectares em produção. As espécies mais plantadas em São Paulo são: koroneiki, grappolo, arbequina, arbosana, picual, frantoio e manzanilla. Já as doenças e pragas mais comuns são as formigas, traça da oliveira e doenças fúngicas.

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