GUARDIÃO DA INFORMAÇÃO

Perto dos 95 anos, Correio é o mais antigo órgão de imprensa de Campinas

Lançado em 1927, jornal segue firme rumo aos 100 anos. Várias comemorações estão sendo preparadas para este ano, como forma de marcar a data. Uma das ações que merecem destaque é a exposição itinerante que exibirá as capas do Correio Popular que fizeram história

01/01/2022 às 11:00.
Atualizado em 23/03/2022 às 17:51

Em quase 100 anos de existência, o Correio Popular se modernizou, lançando versões digitais de suas publicações na internet e redes sociaisr (Reprodução)

O Correio Popular comemora 95 anos de existência em 2022. É o órgão de imprensa mais longevo de Campinas. A antiga Rádio PRC 9, Educadora, hoje do Grupo Band, completou recentemente 88 anos. Coube ao Correio Popular, cuja primeira edição foi às ruas em 4 de setembro de 1927, ser testemunha da história da cidade e região de maneira ininterrupta, como guardião da informação e porta-voz de toda população. Ao assumir a Presidência Executiva do jornal, em janeiro de 2021, o empresário Ítalo Hamilton Barioni adotou o mote "Correio Popular, rumo aos 100 anos".

Os 95 anos são, portanto, um marco importante ao longo dessa história. Várias comemorações estão sendo preparadas para este ano, como forma de marcar a data. Uma das ações que merecem destaque é a exposição itinerante que exibirá as capas do Correio Popular que fizeram história. Ítalo Hamilton Barioni destacou que, além dessa exposição que percorrerá bairros da cidade e espaços públicos, outras iniciativas estão sendo preparadas para que os 95 anos sejam efetivamente celebrados por toda cidade.

"O Correio Popular não mais se pertence. É uma instituição da cidade, com 95 anos de registros históricos diários, sem interrupção. O acervo do jornal contém a história viva da cidade e região. Aproveitaremos esta data para transferimos esse acervo para um local privilegiado e aberto à população para visita e consulta. Sem contar com a digitalização de toda nossa história. Enfim, no transcurso do ano muitos atos e realizações irão celebrar este marco histórico", afirmou o presidente executivo do Correio Popular.

Ao longo de quase nove décadas e meia o Correio Popular manteve vivo o lema de Álvaro Ribeiro, fundador do jornal em parceria com o irmão Antonio Joaquim Ribeiro Júnior e o sobrinho Ademar Fonseca Ribeiro: "Seremos na imprensa vigilantes fiscaes da administração pública e zeladores intransigentes do direito collectivo". A frase foi publicada na capa da 1ª edição, em 4 de setembro de 1927, e serve até os dias atuais como norte nas publicações diárias.

Acontecimentos

A humanidade e a sociedade mudam a cada segundo e o Correio Popular segue estas mudanças com sua missão de colocar os leitores em primeiro lugar, comprometido com a verdade. Os assuntos mais importantes sempre foram noticiados com detalhes e com o olhar local, garantindo ao veículo de comunicação a missão também de testemunha ocular da história da cidade.

O Correio Popular recebeu, por exemplo, notícias diretamente vindas do front de batalha na Europa, durante os anos da Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945. As informações chegavam por telegramas e eram retransmitidas, na época, em boletins pela rádio Educadora de Campinas.

Dentre os diversos acontecimentos marcantes na vida de Campinas, o jornal noticiou com detalhes o incêndio no Cine República, em 1944; e o desabamento do Cine Rink, que foi uma grande tragédia na cidade ocorrida em setembro de 1951. Os assuntos da política também foram destaque desde o início, como o fim do Estado Novo e a cobertura da posse do primeiro prefeito campineiro e dos 11 vereadores depois do regime de exceção no Brasil, em 1948.

Seguindo a sua vocação de incentivador do desenvolvimento da cidade e de sua região como um todo, o Correio Popular liderou, nos anos 50, uma campanha que resultou na criação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em 1952, sob a coordenação do redator-chefe Luso Ventura, o jornal deflagrou uma mobilização pela criação da Faculdade de Medicina de Campinas, o que seria o embrião da universidade. A mobilização popular, motivada pela cobertura jornalística do Correio Popular, cresceu e a Unicamp foi criada em 1962. Seu primeiro reitor foi Cantídio Moura Campos e a aula inaugural foi em 20 de maio 1963, realizada no Teatro Municipal.

Fatos

Logo no início, o jornal registrou a história com competência. Em janeiro de 1930, noticiou a inauguração dos primeiros telefones automáticos em Campinas e do primeiro filme sonoro apresentado na cidade. Um junho do mesmo ano detalhou sobre a inauguração do Teatro Municipal de Campinas, atrás da Catedral, com a ópera O Guarani. Já em 24 de outubro de 1930, mostrou a vitória da revolução liderada por Getúlio Vargas.

Outras notícias históricas que participaram diretamente da vida de Campinas foram, por exemplo, as publicadas em 9 de julho de 1932, sobre o início da Revolução Constitucionalista; e os acontecimentos entre os anos de 1939 e 1945 sobre a Segunda Guerra Mundial. Em 1944, o Correio Popular informou sobre o incêndio no Cine República; e em 1948, detalhou a posse de Miguel Vicente Cury, primeiro prefeito campineiro depois do regime de exceção no Brasil.

No dia 3 de outubro de 1950, o jornal mostrou que Getúlio Vargas foi eleito presidente da República nas urnas; e em 16 de setembro de 1951 publicou que o teto do Cine Rink, localizado no Centro de Campinas, havia desabado e atingido a platéea que estava lotada, com capacidade para 1,2 mil espectadores. A tragédia matou cerca de 40 pessoas e feriu mais de 400. Acontecia uma matinê dupla com os filmes "Os Salteadores" e "Amar foi Minha Ruína".

Dentre os assuntos políticos, publicou em 24 de agosto de 1954, que Getúlio Vargas cometeu suicídio no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro e que, em 31 de janeiro de 1956, houve o fim do Estado de Sítio no País com a posse do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira e de João Goulart como vice. Em fevereiro de 1957, anunciou o início da construção de Brasília.

Outros registros históricos foram a instalação da Escola de Cadetes (16 de março de 1959); e a inauguração da pista de 3,2 mil metros do Aeroporto Internacional de Viracopos (19 de outubro de 1960).

Na década de 60, o Correio fez uma ampla cobertura do mais grave acidente aéreo já ocorrido em Campinas, em 23 de novembro de 1961, quando um jato Comet 4, das Aerolienas Argentinas, caiu logo depois de decolar do Aeroporto de Viracopos. Morreram 40 passageiros e quatro tripulantes. A maior parte dos passageiros saiu de Buenos Aires com destino a Nova York.

Nas últimas décadas, destacaram-se as notícias do incêndio do supermercado Eldorado (24 de dezembro de 1986); a morte do prefeito José Roberto Magalhães Teixeira (1 de março de 1996); o assassinato do prefeito Antonio da Costa Santos, o Toninho (11 de setembro de 2001); o terror nas torres gêmeas dos Estados Unidos (12 de setembro de 2001); e a implosão da rodoviária de Campinas (29 de março de 2010), dentre outras.

Pesquisa e arquivo: William Ferreira[/CR

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