PERFIL INDUSTRIAL

Pé no freio das exportações

O perfil desfavorece a RMC; queda da balança desde janeiro é maior que médias estadual e nacional

Maria Teresa Costa
teresa@rac.com.br
28/10/2013 às 16:09.
Atualizado em 26/04/2022 às 07:27

Pedreira teve o maior crescimento em 12 meses na região, com bom desempenho da indústria de plástico ( Cedoc/RAC)

O volume de exportações da Região Metropolitana de Campinas (RMC) fechou em US$ 3,2 bilhões nos primeiros oito meses do ano, o que representa 2% do montante vendido pelo Brasil no mercado global no mesmo período. A presença exportadora regional sofreu uma retração de 5,61% na comparação com o ano passado, queda bastante superior à média paulista (0,9%) e a nacional, de 2,4%. O saldo da balança comercial nos primeiros oito meses do ano foi negativo, em US$ 6,5 bilhões.Apenas cinco das 19 cidades da RMC conseguiram aumento nas exportações no ano, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior — Pedreira, com crescimento de 71,4%, Itatiba, com 14,5%, Nova Odessa com 10,3%, Campinas, com 6,6% e Vinhedo com 4,3%.A retração regional, segundo o economista Maurício Hoffmann, assessor da Secretaria de Estado e Planejamento, deve-se à característica de exportação da região, que atua mais na linha de eletroeletrônicos, de produtos intermediários, de bens de capital cujos produtos tiveram seu peso reduzido diante da conjuntura mundial. “A queda brasileira é menor porque tem o peso das commodities, o que a RMC não tem. A carteira da região é industrial”, disse.Na região, o peso significativo está em produtos intermediários — insumos que em geral uma empresa compra de outra para a elaboração dos produtos de sua linha de especialidade. Também é importante na carteira de produtos comercializados no exterior os bens de consumo e de capital (são os equipamentos e instalações, bens ou serviços necessários para a produção de outros bens ou serviços).A surpresa do levantamento ficou por conta de Pedreira, que embora tenha um volume pequeno de exportação conseguiu crescer 71,4%, o maior índice da RMC. A cidade vendeu no exterior US$ 21 milhões. Para o prefeito Carlos Pollo (PT), o responsável pelo aumento são as indústrias de plástico, que estão conseguindo alavancar a venda de seus produtos no mercado global. Cem anos depois de implantar uma indústria de cerâmica, que foi a base da economia local, a cidade substituiu a porcelana pelo plástico e há cerca de 30 indústrias do setor em Pedreira. “Foi uma surpresa ver esse crescimento.”Indaiatuba, que ocupa o segundo lugar nas exportações da região, teve uma retração de 15%. Para o secretário de Desenvolvimento, Renato Stochi, a cidade tem acompanhado o cenário nacional. “As exportações seguem a tendência nacional de uma redução na movimentação. As importações, ao contrário, mantêm-se em crescimento, mesmo com a balança comercial negativa, Indaiatuba está em 2º lugar nas exportações da RMC”, afirmou.A maior queda de vendas no exterior foi sentida em Jaguariúna, que sofreu uma retração de 44,6% em relação ao mesmo período do ano passado e exportou US$ 34 milhões. Valinhos também teve queda importante, de 27,7% nas vendas, com US$ 84,1 milhões.O saldo da balança comercial nos primeiros oito meses do ano foi negativo na RMC em US$ 6,5 bilhões — houve US$ 3,2 bilhões em vendas e US$ 9,7 bilhões em compras. Cinco cidades tiveram saldo positivo na RMC: Engenheiro Coelho, com US$ 23,8 milhões; Nova Odessa, com US$ 21,9 milhões, Cosmópolis com US$ 17,6 milhões e Pedreira, com US$ 14,6 milhões.Na cidade de Itatiba, as exportações foram de US$ 92,7 milhões, com um crescimento de 14,5% sobre o ano passado. As compras de produtos em fornecedores internacionais chegaram a US$ 154,1 milhões. O déficit ficou em US$ 55,4 milhões.Em Jaguariúna, as exportações caíram 44,6% (US$ 34 milhões) e as importações ficaram em US$510,1 milhões). O saldo ficou vermelho em US$ 476,1 milhões. Pé no freio das exportações Campinas criou um programa para alavancar as exportações especialmente das micro e pequenas empresas, com a proposta de transformar o déficit da balança comercial, que nos primeiros oito meses do ano fechou em US$ 2 bilhões negativos. O Espaço Cidadão, que funciona no térreo da Prefeitura, vai cadastrar as empresas que desejam ingressar no mercado internacional com a venda de seus produtos. O cadastro pode ser feito pela internet. Para tornar a ideia realidade, a Prefeitura conta com apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae), do Núcleo Softex e do Banco do Brasil. No projeto, o Núcleo Softex faz o diagnóstico dos gargalos, sugere soluções para solucioná-los e promove a modernização e a capacitação das empresas para exportação. O Sebrae vai fornecer cursos de capacitação em todos os níveis em que as empresas se encontram para ajudá-las a ampliar horizontes e colocar uma linha telefônica gratuita para consultoria em comércio exterior, esclarecendo dúvidas dos empresários. E o Banco do Brasil, além de ajudar na política de internacionalização, coloca à disposição das empresas seus escritórios internacionais, para que elas possam disponibilizar seus produtos e marcar reuniões com potenciais clientes. 

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