JIU-JÍTSU

Parentes do lutador morto fazem ato por justiça

Protesto é porque empresários que teriam causado a morte do jovem já saíram da cadeia

Daniela Nucci
17/11/2013 às 10:07.
Atualizado em 26/04/2022 às 14:41

Cerca de 20 pessoas, entre familiares e amigos do lutador de jiu-jítsu, Kaio César Alves Muniz Ribeiro, que morreu após ser atropelado por um Audi A3 que supostamente disputaria um racha com um Camaro, realizaram na manhã deste domingo (17) um ato na Avenida Júlio Prestes, mesmo local da tragédia, que completa dois anos hoje. A ação foi uma forma de protesto pela soltura da cadeia dos dois empresários que teriam causado a morte do jovem no dia 18 de novembro de 2011, quando o lutador voltava da casa da namorada pela calçada.Com faixas pedindo justiça e mudança no código penal do trânsito brasileiro, a família plantou flores no canteiro central da avenida para lembrar os dois anos do acidente que matou Kaio. "Quero agradecer os amigos, parentes e as pessoas presentes. São poucas, mas com uma enorme força. Essa dor vai continuar até o fim dos dias que ficarmos nesta terra. É muita luta. É muito sofrimento buscar a Justiça neste país", disse o pai do lutador, Gilberto Ribeiro, que carregou no pescoço medalhas vencidas pelo filho. Uma das irmãs do lutador, Amanda Caroline, também prestou homenagem vestindo seu quimono. "Não podemos deixar a data passar em branco. Mais uma vez estamos cobrando justiça. Plantamos estas flores em homenagem a ele, que era uma pessoa de bem" , completou o pai, muito emocionado.Também bastante comovida, a mãe do lutador, Francisca Ribeiro, relembrava cada momento da tragédia . "É um vazio eterno. Guardo a calça que ele usava até hoje. Quero que a culpada seja presa. Não gosto de passar aqui na frente", disse. A funcionária pública Paula Selhi, que também teve o filho, Felipe Selhi, de 17 anos, brutalmente assassinado em 2010 a facadas quando voltava da escola, após um assalto na antiga Praça Quebra-Ossos, que ganhou o nome do estudante depois de passar por uma revitalização, prestou sua homenagem à família lendo uma carta de apoio. "Agradecemos a Deus por ter nos dado consolo, por ter nos dado as mãos amigas para que cada dia fosse menos doído, para que cada dia reuiníssemos força e resistencia para viver, para seguir. Kaio Ribeiro, esse é seu jardim", disse, em lágrimas, Paula.Em abril deste ano, o juiz Sérgio Araújo Gomes, da 2ª Vara do Júri de Campinas, acatou pedido de júri popular feito pelo Ministério Público contra a empresária Adriane Aparecida Pereira Diniz Ignácio de Souza, de 44 anos, e o consultor de obras Fabrício Narcisso Rodrigues da Silva, de 34 anos. Os dois são suspeitos de disputarem o racha em novembro de 2011, que acabou na morte do lutador de jiu-jítsu Kaio Ribeiro, na época com 23 anos. Adriane estava ao volante do carro que atropelou a vítima, que estava na calçada. Silva dirigia um Camaro. Entretanto, a defesa dos suspeitos recorreu da decisão.O promotor do Júri autor da denúncia, Fernando Viana, disse na sexta-feira que tem esperança de que a decisão do magistrado de levar o caso a juri popular seja mantida, mesmo com o recurso da defesa, que pede que o caso seja julgado como homicídio culposos- quando não hé intenção de matar.Pela decisão proferida em abril, os réus foram acusados por homicídio doloso simples, com pena que varia de 6 a 20 anos de prisão. Se for aceita denúncia de homicídio duplamente qualificado, a pena varia entre 12 e 30 anos.Na época, o advogado de defesa de Silva, Antonio Godoy Maruca, ironizou a decisão e disse que recorreria. "O Fabrício não matou ninguém. Como vai responder por um processo de homicídio se ele não matou ninguém. Não sou eu quem está falando, são as provas do processo", declarou, na época. O acidenteNa madrugada do dia 18 de novembro de 2011, o professor de jiu-jitsu Kaio César Alves Muniz Ribeiro, na época com 23 anos, foi atropelado e morto na Avenida Júlio Prestes por um Audi A3 dirigido pela empresária Adriane Aparecida Pereira Diniz Ignácio de Souza. Segundo a polícia, Adriane disputava um racha com o consultor de obras Fabrício da Silva, que dirigia um Camaro.A prisão preventiva dos dois foi decretada. Uma semana depois, Adriane deixou a cadeia de Paulínia ao pagar fiança de R$ 109 mil. No dia 26 de novembro de 2011, o motorista do Camaro também pagou fiança, no valor de R$ 163,5 mil, e foi solto. Em dezembro de 2011, o promotor do Júri de Campinas, Fernando Viana, apresentou à Justiça denúncia de homicídio duplamente qualificado contra Adriane e Fabrício.

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