DESRESPEITO AOS USUÁRIOS

Paralisação dos ônibus em Campinas segue apesar de liminar da Justiça

Sindicato suspende serviços em duas linhas municipais, afetando até 20 mil pessoas

Thiago Rovêdo/ [email protected]
03/12/2022 às 08:30.
Atualizado em 03/12/2022 às 08:30
A linha vermelha atende Campo Grande, Padre Anchieta e o corredor da Avenida John Boyd Dunlop, enquanto a linha verde serve os distritos de Barão Geraldo, Sousas e os bairros da região dos Amarais (Gustavo Tilio)

A linha vermelha atende Campo Grande, Padre Anchieta e o corredor da Avenida John Boyd Dunlop, enquanto a linha verde serve os distritos de Barão Geraldo, Sousas e os bairros da região dos Amarais (Gustavo Tilio)

O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Campinas e Região realizou um segundo dia de paralisação de ônibus em Campinas no começo da manhã de sexta-feira (3). O ato ocorreu um dia após o juiz Mauro Fukumoto, da 1ª Vara da Fazenda Pública, considerar o movimento ilegal e determinar multa no valor de R$ 10 mil por hora paralisada. A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) vai acionar a Justiça para que a punição seja executada. A categoria reivindica reajuste no salário, o que não acontece há um ano e meio.

As linhas paralisadas sexta-feira, das 4h às 6h, são das empresas Campibus (linha vermelha) e VB3 (linha verde). A linha vermelha atende a região do distrito de Campo Grande, Padre Anchieta e o corredor da Avenida John Boyd Dunlop, enquanto a linha verde faz os distritos de Barão Geraldo, Sousas e os bairros da região dos Amarais.

De acordo com o magistrado, a categoria não decretou um estado de greve, o que pela legislação é previamente obrigado a fazer antes de decretar qualquer paralisação. "Observo que, segundo relatado pelo requerente, não há estado de greve formalmente constituído ou prévia comunicação dos motivos do ato praticado nesta data", afirmou em sua sentença, após ser acionado pela Emdec.

Fukumoto ainda determinou que o sindicato fica proibido de bloquear entrada e saída de veículos das garagens das empresas concessionárias, sob pena de multa de R$ 10 mil por hora paralisada. "Mesmo assim, a liminar não foi cumprida e a operação das empresas Campibus (Área Vermelha) e VB3 (Área Verde) iniciou com atraso, após às 6h. No início da operação, a Emdec acionou o Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência), como forma de oferecer opção de transporte aos passageiros prejudicados, nas principais linhas, utilizando ônibus de cooperativas do sistema complementar e de outras empresas", informou a Emdec através de nota oficial.

De acordo com a Administração, a Campibus e a VB3 são responsáveis pela operação de 54 linhas, transportando, no pico da manhã, entre 15 a 20 mil passageiros. "A Emdec continuará agindo para evitar os transtornos aos usuários do transporte coletivo", completou. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros da Região Metropolitana de Campinas (SetCamp) informou que paralisação das linhas, mais uma vez, foi feita sem qualquer aviso prévio e durante o andamento de um processo de negociação com a categoria.

"Importante lembrar que a atual diretoria do Sindicato dos Rodoviários foi eleita no dia 5 de novembro, ou seja, tomou posse há menos de 30 dias. E que, até então, o Sindicato dos Rodoviários estava sob intervenção judicial e que o processo eleitoral foi bastante tumultuado. O SetCamp reitera que continua à disposição para o diálogo, que as negociações estão em andamento e que desaprova as paralisações ilegais pois as mesmas prejudicam os usuários e toda a cidade de Campinas", disse o SetCamp por nota.

O estudante de 17 anos, Brian Orlando, contou que como mora próximo da escola, não houve problemas relacionados com a greve. "De manhã foi tudo tranquilo, porque moro próximo da escola e que eu saiba ninguém teve problema. Agora estou indo para o Centro ver o jogo do Brasil e pelo jeito também não vou ter problemas. Acho que vai ser ruim só na volta mesmo, porque volta todo mundo ao mesmo tempo e tem pouco ônibus", afirmou.

Julia Alves, de 18 anos, contou que só ficou sabendo mesmo da greve quando chegou no Terminal de Barão Geraldo e não viu ninguém reclamar de grandes problemas, mas ela acredita que uma nova greve pode causar transtornos. "Aqui muita gente usa para trabalhar e estudar, então se para de surpresa, vai mesmo causar problemas. Por enquanto, estou só pensando se fico por aqui ou se pego um ônibus e vou ver o jogo do Brasil em algum outro lugar", disse.

A estudante Rafaela Tavares, de 16 anos, também disse que não viu reflexo dos problemas causados pela paralisação. "Pelo que eu vi, era bem cedo ainda quando os ônibus voltaram, então para mim não aconteceu nada demais", afirmou.

Na quinta-feira (1), a paralisação foi no distrito do Ouro Verde, em Campinas e Valinhos também por cerca de duas horas e o motivo é a falta de reajuste nas remunerações, que não ocorrem há um ano e meio. O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Campinas e Região foi procurado, mas não houve retorno.

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