Com as temperaturas mais elevadas, entrada de uma massa de ar seco deve proporcionar a queda na umidade relativa do ar
A previsão para hoje é de predominância do sol entre nuvens na maior parte do dia (Kamá Ribeiro)
O Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Unicamp (Cepagri) alerta para o início da temporada de tempo mais seco. Dados do órgão mostram que, mesmo com o início do Outono, a maioria dos dias apresentaram índices de umidade relativa do ar (URA) acima dos 30%, considerado estado de atenção, ainda não de alerta.
Tais medições resultaram em uma média considerada boa para a qualidade do ar aferido pelas estações da Cetesb em Campinas. No entanto, ao completar um mês de Outono amanhã, uma onda de ar seco deve mudar o cenário, iniciando a temporada de estiagem e tempo seco, o que pode comprometer a qualidade do ar.
O meteorologista Bruno Bainy explicou que, após a passagem de uma frente fria que passou pelo litoral paulista ontem, vai ocorrer a entrada de um ar mais seco, em decorrência de uma frente fria que passará pelo oceano. Dessa forma, não haverá queda nas temperaturas. “Nossos indicativos apontam para dias bastante quentes na próxima semana”, explicou. Com as temperaturas mais elevadas, a entrada de uma massa de ar seco deve proporcionar a queda na umidade relativa do ar (URA).
Bainy explicou que não foram registrados grandes volumes de chuva no final de março. Dessa forma, com a ausência de chuvas e estagnação de massas de ar geralmente favorecem acúmulo de poluentes na atmosfera. No começo de abril, as chuvas já foram mais recorrentes, no entanto o volume de precipitações cessou no início da segunda quinzena. “Embora não tenha chovido na última semana, ventos mais intensos do oceano contribuíram um pouco para dispersar a poluição. Hoje, no entanto, os ventos já estão adquirindo outra direção, vindo de regiões continentais (norte, noroeste), que também emitem poluição”.
A previsão para hoje é de predominância do sol entre nuvens na maior parte do dia. No entanto, ainda há possibilidade de pancadas de chuva isoladas durante a tarde. As temperaturas permanecem estáveis, com mínima de 19°C e máxima de 31°C.
Porém, a partir de amanhã, a semana começa com tempo seco e calor. A partir de segunda e terça-feira, o cenário muda. O tempo fica firme e o calor ganha força, chegando aos 32°C. O destaque, contudo, é a grande amplitude térmica, com mínimas de 16°C, o que pode causar uma sensação de “friozinho” nas primeiras horas da manhã devido aos ventos moderados. O principal ponto de atenção será a baixa umidade relativa do ar, que deve cair para menos de 30%, especialmente no período da tarde. O índice acende um sinal de alerta para cuidados com a saúde.
As recomendações são com a hidratação, beber água e sucos naturais constantemente, evitando bebidas alcoólicas ou diuréticas, cuidado aos grupos de risco, com atenção redobrada com crianças e idosos. Se for praticar atividade física é preciso evitar esforços físicos intensos nos horários mais quentes do dia e deve-se garantir o conforto térmico com a recomendação de umidificação de ambientes fechados durante a tarde.
Em Campinas a Cetesb mantém três estações que medem a qualidade do ar. Elas estão localizadas no Centro, Taquaral e Vila União. Nas medições realizadas no último mês, a estação da Vila União foi a que mais apresentou qualidade do ar moderada, enquanto as outras duas estavam com a qualidade do ar boa. O fato se deve ao bairro estar em uma região com menor densidade de arborização, ter maior proximidade com zonas industriais e rodovias. A recomendação do órgão é para que os moradores dessa região redobrem os cuidados na temporada mais seca do ano, uma vez que essa região costuma sentir os efeitos do tempo seco com mais intensidade do que em outras da cidade.
SAÚDE
O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto explicou que, com o tempo mais seco, a incidência de síndromes alérgicas aumentam, resultando em maior incidência de crises respiratórias. Tal cenário também favorece a diminuição da fabricação de lágrimas pelo organismo, o que resulta no chamado olho seco. “A cada dez pacientes alérgicos, sete apresentam ressecamento ocular”. De acordo com o especialista, o ressecamento das lágrimas atinge cerca de 12% da população nessa época, com a proporção de três mulheres para cada homem. “A mulher tem mais olho seco porque a menopausa reduz a produção dos estrogênios e da camada oleosa da lágrima que impede a evaporação da camada aquosa. Outros grupos de risco são os usuários de lentes de contato e quem passa muitas horas no computador”.
Para prevenir o olho seco o oftalmologista indica a inclusão na dieta de nozes e peixes gordos como bacalhau, salmão e sardinha. Para estabelecer um programa de prevenção contínuo, recomenda a suplementação com ômega 3 encontrado na cápsulas de semente de linhaça que também protege a retina da ação de radicais livres que acarretam sua degeneração. “Outra dica importante é piscar, e a cada hora no computador, tirar um dez minutos para olhar para o horizonte. Também vale ressaltar a recomendação de só utilizar colírio após a recomendação de um especialista”, finalizou.
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