
Funcionários do Departamento de Parques e Jardins (DPJ) recolhem tocos de árvores da espécie canafístula, que estão sendo extraídas do canteiro central da Rua Abolição, próximo à Via Expressa Aquidabã (Rodrigo Zanotto)
Equipes do Departamento de Parques e Jardins (DPJ), da Secretaria Municipal de Serviços Públicos, deram continuidade na segunda-feira (6) a um mutirão iniciado no domingo para a extração de 27 árvores, todas de grande porte, do canteiro central da Rua Abolição em Campinas. Embora elas estejam saudáveis, a Prefeitura justificou a supressão como medida preventiva a fim de evitar novas tragédias, como as ocorridas com duas pessoas que morreram esmagadas pela queda de árvores em decorrência das chuvas de janeiro. O trabalho de remoção foi realizado no trecho entre o nº 117, na altura da Avenida Francisco Glicério, até o 307, nos bairros Ponte Preta e Vila Lídia, próximo ao Centro, informou a Prefeitura. Até agora, 300 árvores foram podadas na cidade.
Segundo a Secretaria de Serviços Públicos, o trabalho vem sendo executado das 8h às 17h e seguirá nesse cronograma pelos próximos dias. Conforme laudo do DPJ, o canteiro das árvores está incompatível com o tamanho das raízes, danificando o asfalto e aumentando o risco de queda. No domingo, foram retiradas nove árvores. Outras quatro foram removidas na segunda-feira (6). As árvores são da espécie canafístula e uma delas é pau-ferro. As canafístulas atingem cerca de 15 metros de altura.
O mutirão reúne 70 funcionários e 14 caminhões, quatro picadores de galho e um destocador (máquina que retira toco das árvores do solo). O serviço está sendo feito em conjunto com a concessionária de energia, que fica responsável pelas providências em relação aos fios de eletricidade. Houve a necessidade de interrupção parcial de energia, gerando impacto nos imóveis das proximidades. O trânsito pelo local também teve que ser interditado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec). A Administração informa que as árvores são saudáveis, mas que as raízes estão "estranguladas", o que gera um risco à população.
A ação da Prefeitura em relação às árvores ocorre após a queda de uma Figueira Branca no Bosque dos Jequitibás e de um eucalipto na Lagoa do Taquaral. Os dois casos resultaram em mortes. No primeiro a árvore caiu para fora do Bosque atingindo um veículo e matando por esmagamento um homem de 36 anos. No outro, a vítima foi uma menina de sete anos que participava de um piquenique na área de lazer da Lagoa do Taquaral sob os eucaliptos. A Prefeitura divulgou laudo nos dois casos dizendo que as árvores estavam saudáveis e a causa da queda foi o encharcamento do solo.
Ainda segundo a Prefeitura, "a ação de supressão das árvores na rua Abolição segue um enquadramento legal da Lei Municipal de 11.571 de 2003, com base no diagnóstico do laudo".
Críticas
Entidades ligadas à defesa do meio ambiente e ambientalistas questionam a gestão arbórea da Prefeitura e temem uma remoção em excesso do verde da cidade, bem como podas emergenciais que possam provocar futuros danos e até comprometer as espécies. As redes sociais também têm sido uma ferramenta de ambientalistas para criticar a ação da Prefeitura com a poda e extração das árvores após as mortes ocorridas na cidade.
O Conselho Municipal de Meio Ambiente de Campinas (Comdema) informa que o risco das quedas de árvores e o problema na gestão arbórea na cidade são questões antigas e que já deveriam ter sido alvo de ações do poder público. De acordo com o Comdena, em 2015 foi realizado um estudo sobre os riscos e a necessidade de remoção dos eucaliptos da Lagoa do Taquaral. Na ocasião, até um grupo de estudos sobre a conveniência de substituição gradual e progressiva de eucaliptos por árvores nativas foi proposto pelo conselheiro Marcos Boni, na época diretor da Secretaria do Verde.
Segundo Boni, "os eucaliptos são árvores exóticas, que não trazem benefícios ambientais significativos para as aves e fauna do local, e que representam uma ameaça à integridade física das pessoas pelo risco de quedas mesmo que aparentemente estejam saudáveis", disse.
Após o acidente que matou a menina de sete anos, a Prefeitura informou a realização de estudos sobre os eucaliptos. A estimativa é que cerca de duas mil árvores existam na Lagoa do Taquaral. A Prefeitura fechou o Parque desde o acidente e segue trabalhando no local. Na tarde de segunda-feira (6), galhos de um eucalipto caíram sobre a tela de proteção, em trecho da pista interna da Avenida Heitor Penteado, que está fechado desde sexta-feira por determinação do Ministério Público, justamente pela concentração de eucaliptos ao lado da via e o risco de quedas.
A Prefeitura informou, no entanto, que o ocorrido foi um acidente durante a poda dos eucaliptos que ocorre desde a semana passada. Segundo a Secretaria de Serviços Públicos, trata-se de um galho que acabou caindo sobre o alambrado enquanto a poda da copa das árvores era realizada. "A Secretaria de Serviços Públicos esclarece que não caiu um eucalipto na Lagoa do Taquaral nesta segunda-feira. A equipe que está fazendo a poda no alto dos eucaliptos derrubou um galho, que bateu no alambrado. O galho já vai ser retirado e será feito reparo na cerca. A área está interditada para veículos, pedestres e ciclistas", diz trecho da nota enviada pela Prefeitura.