Estado não envia representante para o início das ações, previstas para o mês de março
Secretário de Estado de Segurança, Fernando Grella, anuncia em fevereiro gabinete de segurança (Cedoc/ RAC)
O Gabinete de Segurança formado há 35 dias pelo Estado para conter a escalada de violência na região de Campinas foi esquecido pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), que não se reuniu com os representantes dos municípios e não realizou nem apresentou ações integradas de combate a violência como havia prometido no final de fevereiro.
A formalização do grupo ocorreu no dia 27 de fevereiro, em Campinas, com a presença do secretário de Estado da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, que na época nomeou seu secretário-adjunto, Antonio Carlos da Ponte, para encabeçar as medidas do Gabinete Metropolitano de Gestão Estratégica de Segurança Pública da Região Metropolitana de Campinas (Gamesp).
A presença de Pontes era aguardada no início de março, conforme prometido à época, para o anúncio de algumas medidas de segurança, porém, ele ainda não veio a Campinas. O gabinete surgiu por causa do aumento de casos de violência na cidade, mas foi ampliado para os 18 municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) devido à proximidade entre as cidades e também pela área pertencer a dois comandos de policiamentos diferentes. Quando foi anunciado pelo Estado, o comitê seria exemplo e modelo a ser implantado em outras regiões metropolitanas.
Cobrança
Na tarde desta terça-feira (2), ao ser questionado sobre a reunião do gabinete que deveria ter ocorrido no mês passado, o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), admitiu o atraso e afirmou que iria cobrar o Estado. No início da noite, ele informou que conversou com o secretário de Estado, que disse que virá a Campinas no dia 12 para fazer a primeira reunião do Gamesp. O encontro será na Prefeitura e, na ocasião, segundo o prefeito, Grella irá apresentar as ações do comitê de segurança. A SSP confirmou que a reunião ocorrerá na Prefeitura, às 14h.
Comitê
Campinas também anunciou em fevereiro um Comitê de Segurança paralelo para discutir situações locais. A intenção da Prefeitura era reunir o representante do Estado, autoridades de segurança do Município, os comandos das polícias Civil e Militar e os Conselhos Municipais de Segurança (Consegs) para traçar medidas mais focadas para Campinas e depois passar o modelo para as outras cidades. “Toda semana estou em contato com os comandos das policias Civil e Militar para tratar de assuntos relativos à violência. Teria sido importante a presença do secretário para tratar o assunto, como foi prometido”, afirmou Jonas.
O prefeito disse também que está em fase final o decreto municipal que cria esse gabinete na cidade. “Mas não precisamos esperar essa formalidade para tomar atitudes. Vemos que todos estão promovendo ações isoladamente. Os índices criminais de fevereiro deram uma recuada, mas precisamos continuar atuando, pois já houve novas ações de criminosas hoje (terça-feira)”, disse, se referindo a um ataque a caixa eletrônico em plena Câmara.
O único pedido do Gabinete Municipal atendido pelo Estado foi o acesso da Guarda ao Sistema de Informações Criminais (Infocrim). O sistema já foi disponibilizado, mas ainda não entrou em funcionamento devido a um problema de conexão, que deve ser sanado em até 30 dias.
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