MORTE NA PISTA

Justiça decreta prisão preventiva de comerciante

Leo Luiz Ribeiro, que atropelou o sem-teto Luiz Ferreira da Costa, foi detido ontem em Valinhos

Alenita Ramirez
19/07/2019 às 20:56.
Atualizado em 30/03/2022 às 19:24

A Justiça decretou nesta sexta-feira (19) a prisão preventiva do comerciante Leo Luiz Ribeiro, de 64 anos, que confessou ter atropelado e matado o pedreiro Luiz Ferreira da Costa, de 72 anos, na quinta-feira (18), durante uma manifestação de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Valinhos. Comoção marcou o enterro de Costa, no cemitério Parque Hortolândia, em Hortolândia. Em protesto à morte do pedreiro, o MST organiza neste sábado (20), a partir das 9h, um ato em Valinhos. Ribeiro foi preso na noite de quinta-feira, quando retornou do trabalho, em Itatiba. O motorista foi detido por policiais civis na casa dele, no Jardim Santa Terezinha, em Valinhos. Ele confessou em depoimento que fugiu por medo e não reparou que havia atropelado alguém. No entanto, na hora da detenção alegou aos policiais que o grupo estava “atrapalhando” e que ele estava com “pressa” e que acabou ficando “nervoso” e acelerou. O comerciante passou a noite preso na cadeia do 2º Distrito Policial (DP), no bairro São Bernardo, em Campinas, e levado à audiência de custódia na manhã desta sexta, no Fórum em Campinas, onde foi confirmado a detenção. A prisão preventiva é aquela que não determina um limite temporal fixo, de acordo com a lei brasileira. A imagem registrada de um dos ônibus que passava em frente ao Acampamento Marielle Vive, na hora do protesto, mostra que a pista estava ocupada por diversas pessoas quando o comerciante avançou com a caminhonete e atingiu diversas manifestantes. Mas Costa foi o que mais sofreu com o impacto do veículo. Um cinegrafista de 59 anos também foi atingido e sofreu ferimentos leves. Prisão Após o atropelamento, o comerciante, que estava com o filho, seguiu seu destino. Quando tomaram conhecimento da ocorrência, os policiais civis fizeram buscas de imagens por condomínios localizados no trajeto para a estrada e conseguiram uma que mostrava as rodas e um adesivo. Com base nesse adesivo, os investigadores conseguiram saber que a caminhonete era de Itatiba. Os policiais pediram ajuda à Guarda Municipal da cidade vizinha e conseguiram os dados do motorista. “A gente reconhece a importância do trabalho da polícia e do juiz. A gente vê que o ato do assassino não foi isolado, mas ao de ódio que foi disseminado no Brasil”, afirmou Tássia Barreto, da coordenação estadual do MST. Enterro O corpo de Costa foi enterrado às 15h30 desta sexta-feira sob forte comoção. Dezenas de amigos e integrantes do MST foram ao velório e ao enterro. Houve celebrações católica e evangélica. O padre Antônio Alves, assessor de comunicação da Arquidiocese de Campinas, representou o arcebispo d. João Inácio Müller e celebrou a missa. “O arcebispo enviou condolências aos familiares e disse que está preocupado com os direitos, a intolerância e a impaciência das pessoas. Ele não pode estar presente aqui hoje, mas em breve fará uma visita ao acampamento”, informou o pároco. A família preferiu não dar entrevistas. Costa era casado, tinha nove filhos e 16 netos. A família mora na região do Campo Grande e ele morava sozinho no acampamento, desde o primeiro dia. Natural de Pernambuco, o pedreiro sonhava em ter um pedaço de terra. Analfabeto, decidiu estudar no acampamento e se formaria neste mês, no Educação de Jovens e Adultos (EJA), curso fornecido na comunidade local. Protesto O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza nesta sábado (20), em Valinhos, o Ato pela Vida e Reforma Agrária em memória a Luís Ferreira da Costa. A concentração ocorre a partir das 9h na Praça Washington Luiz, próximo à prefeitura, e depois segue em caminhada até o Largo São Sebastião, na Igreja Matriz, da cidade, onde será realizada uma celebração religioso ecumênico e político. “Estamos de luto e todo os amigos do Brasil estão de luto. É um momento doloroso para nós, pois seo Luís era muito querido e agora é um momento de indignação. Uma ação de puro ódio perdeu-se uma vida”, disse Tássia Barreto, da coordenação estadual do MST.

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