9 DE JULHO

Heróis são lembrados em Campinas

Solenidade ocorreu em frente ao mausoléu do soldado constitucionalista, no Cemitério da Saudade

Alenita Ramirez
10/07/2018 às 07:23.
Atualizado em 28/04/2022 às 14:03
Representantes das firças armadas e os escoteiros do grupo Aldo Chioratto, durante a solenidade em frente ao mausoléu do soldado constitucionalista (Leandro Torres/AAN)

Representantes das firças armadas e os escoteiros do grupo Aldo Chioratto, durante a solenidade em frente ao mausoléu do soldado constitucionalista (Leandro Torres/AAN)

Os heróis da Revolução Constitucionalista de 1932 foram lembrados em Campinas na manhã de ontem, data que marcou o início da Revolução naquele ano, quando civis e militares lutaram contra a ditadura do Governo Provisório de Getúlio Vargas. A solenidade aconteceu em frente ao mausoléu do soldado constitucionalista, no Cemitério da Saudade, onde estão enterrados 16 ex-combatentes campineiros, e contou com a presença de autoridades e dezenas de pessoas que tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais da história. “A ideia era buscar a reconstitucionalização do País. Vivíamos um momento de ditadura e os paulistas estavam insatisfeitos e queriam a democracia, queriam a assembleia legislativa, queriam o congresso funcionando. Aí, uma vez não resolvendo pelo diálogo, decidiu-se pegar em armas para fazer diferença e trazer a democracia para o País”, lembrou o capitão da Polícia Militar (PM) Rafael Cambuí, presidente do Núcleo M.M.D.C (as iniciais representam os nomes dos manifestantes paulistas Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, mortos por tropas federais ligadas ao Partido Popular Paulista (PPP), um grupo político-militar sustentáculo do regime de Getúlio Vargas). Além da Polícia Militar, também participou da celebração o grupo de escoteiros Aldo Chioratto. O nome da entidade é uma homenagem ao garoto campineiro de 9 anos que morreu durante bombardeiro aéreo sobre Campinas, durante a revolução. Aldo era escoteiro. Durante a celebração houve a execução de hinos e marchas. “Esse evento é importante para resgatar a história, manter ela viva e talvez de contextualizar com nossos dias atuais. Se nosso povo também precisa estar mais atento aos valores de democracia, justiça de combate à corrupção, de exigir das autoridades comprimento das leis. A ideia de 32 tem tudo a ver com o momento atual que nós estamos passando no Brasil”, disse o capitão Cambuí. “Eu vejo este momento como uma oportunidade de. sem pegar em armas, as pessoas, por meio da democracia, fazerem valer seus direitos. Nós temos a eleição este ano. As pessoas devem se conscientizar para quem vão votar e cobrar depois, fiscalizar, fazer o seu papel mde cidadão. Esse é o caminho que a gente pode aproveitar e aplicar nos dias de hoje”, frisou. Ontem a Revolução de 1932 completou 86 anos.Foi uma guerra civil, na qual o Estado de São Paulo se revoltou contra a ditadura do então presidente Getúlio Vargas. Por mais que tenha sido derrotada no campo de batalha, a Revolução foi importante para a formação da identidade paulista e também para pressionar por nova Constituição. Não há números de quantos campineiros participaram do combate. No entanto, os registros mostram que ao menos 16 campineiros morreram durante o conflito. Em todo o Estado houve mil baixas. O último combatente campineiro morreu no dia 15 de outubro de 2012. Paulo Barros Camargo nasceu em Pederneira no dia 29 de março de 1916, foi criado em Limeira e na década de 1970 veio para Campinas, e viveu até seus últimos dias no bairro Jardim Nova Europa. Ele tinha 16 anos quando participou da Revolução de 32. Por conta da pouca idade, ele foi designado ao posto de guarda da cidade e fazia a comunicação entre a cidade a trincheira, que ficava em Campinas. “Ele era guarda dos prédios públicos mais importantes e trazia as correspondências para cá. Meu pai tinha orgulho de ter participado da Revolução. Ele dizia que todo mundo participou, homens, mulheres e crianças. Houve uma integração entre os paulistas”, contou a aposentada Maria Cecília de Barros Camargo, de 67 anos, uma das três filhas de Camargo. Ele ainda teve um filho e todos são vivos.

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