CORREIO POPULAR 95 ANOS

Há 40 anos, Correio migrava da velha linotipo para off-set

Na manchete de capa, o jornal anunciava aos leitores o lançamento dessa novidade tecnológica

Da Redação | Pesquisa e arquivo: William Ferreira
04/06/2022 às 10:18.
Atualizado em 04/06/2022 às 10:18
Após a implantação do sistema de impressão em off-set no início dos anos 80, a redação do Correio Popular passou por profundas mudanças com a adoção dos computadores (Pesquisa Wiliam Ferreira)

Após a implantação do sistema de impressão em off-set no início dos anos 80, a redação do Correio Popular passou por profundas mudanças com a adoção dos computadores (Pesquisa Wiliam Ferreira)

Somente um jornal com quase um século de existência consegue cobrir fatos históricos, efemérides e revoluções tecnológicas tão remotas e espaçadas no tempo. Dentre as edições históricas do Correio Popular, que este ano completará 95 anos, destaca-se a de número 16.701, de 6 de abril de 1982, que traz a manchete: "Do chumbo ao computador: agora, o jornal eletrônico". Naquela data, o Correio apresentava aos leitores, anunciantes e parceiros uma inovação, substituindo a secular linotipo pela moderna computação gráfica, sendo um dos primeiros periódicos do país a adotar o off-set, um novo padrão de produção editorial.

Inventada pelo relojoeiro alemão Ottmar Mergentaler, em 1884, e utilizada pelo Correio para a impressão do jornal desde o seu lançamento em 4 de setembro de 1927, a linotipo fundia em bloco cada linha de caracteres tipográficos composta de um teclado, como o da máquina de escrever. Sua principal característica era a de unir a composição, fundição e teclado em uma única unidade, o que lhe conferia a capacidade de produzir de seis mil a oito mil caracteres por hora. Com isso, a produção gráfica dava um grande salto tecnológico desde a invenção dos tipos móveis de Johann Gutenberg, no início do século XV. Mas isso é uma outra história.

A primeira página do Correio Popular anunciando essa inovação informava: "O Correio Popular está mudando de sistema: o padrão gráfico cede vez ao padrão eletrônico. O seu jornal começa agora a ser feito por computador. Isto o equipara tecnicamente a melhor imprensa hoje produzida no país. Entretanto, a linha editorial permanece a mesma, com a sobriedade de sempre e o mesmo respeito pela informação. Ao mesmo tempo, houve outra mudança: a Redação deixou o velho prédio da rua Conceição e veio instalar-se em seu parque gráfico recém-construído às margens da avenida Norte-Sul. Este Suplemento, comemorativo de sua primeira edição em off-set, conta um pouco da história do jornal nestes últimos 54 anos. Uma história que tem muito a ver com a vida da cidade e de sua imprensa."

Na mesma capa desta edição história, a direção do Correio publicou logo abaixo das fotos uma mensagem que dizia: "A direção do Correio Popular está consciente de que a presente edição representa um marco importante na evolução da imprensa de Campinas desde o seu surgimento em meados do século passado. Quando se decidiu que necessitávamos de um novo sistema gráfico e de um melhor padrão de impressão, não hesitamos em pretender para o Correio Popular o melhor equipamento disponível no mercado internacional. E para isso não se mediu esforços, aceitando-se um desafio que, diga-se de passagem, foi arduamente vencido. Ao contar com o apoio integral dos acionistas, a diretoria sentiu-se fortalecida em suas decisões, especialmente naquelas que, embora necessárias, exigiam uma dose de esforço maior que o mercado de informação fazia prever até agora. Chegamos, entretanto, ao final da primeira etapa do nosso planejamento de reformulação, ou seja, entregamos à cidade um jornal inteiramente impresso em off-set, composto no mais moderno sistema a frio e com equipamento agasalhado em instalações especialmente preparadas. Tudo isto nos deixa orgulhosos e nos autoriza a estender a mão e parabenizar nossos acionistas, funcionários, assinantes e anunciantes. E, finalmente, nosso cumprimento à cidade: parabéns, Campinas."

Nesta mesma edição, o Correio publicou uma reportagem na página 2 sobre a substituição da linotipo pelo off-set estampando o título "Da typographia ao off-set". Logo na abertura da reportagem, o jornal apontou que produzir uma edição na linotipo era uma dura empreitada. Chamou carinhosamente os profissionais que trabalhavam com essas máquinas de "aventureiros", lembrando que os funcionários muitas vezes saíam do processo de produção de jornal sujos de graxa e alguns até com problemas de vista. Diz a abertura do texto: "As letras (tipos) eram catadas uma a uma, à unha, e montadas até se montar uma linha. Esses tipos móveis eram de madeira e de tempos em tempos tinham que ser trocados, pois se gastavam. Para fazer um jornalzinho, era preciso um exército de tipógrafos, segundo a descrição do jornalista Júlio Mariano. Hoje, há um computador que lê um texto do dobro do tamanho deste aqui e o imprime num papel fotográfico, em apenas três segundos. Ninguém fica ruim da vista e a graxa - bem, a graxa ainda não a eliminamos. Ela é um patrimônio da imprensa escrita. Só que hoje a graxa é usada para amaciar os mecanismos de uma impressora fantástica, capaz de rodar 42 mil exemplares do jornal de 32 páginas, em todas as cores. E sai tudo dobradinho, empilhado e contado."

No final do texto, o Correio homenageou os heróis da imprensa de Campinas e nominou Hércules Florence, João Teodoro, Henrique de Barcellos, Álvaro Ribeiro, o Cardosinho. Na política, o diário campineiro homenageou Francisco Glicério, Campos Salles e Bento Quirino e encerrou o texto com a seguinte frase: "Muita gente que fez essa história virou nome de rua. E o Correio Popular faz parte dela". Várias empresas publicaram anúncios naquela edição histórica do jornal saudando a nova era de tecnologia de impressão gráfica, como a Concrelix, Companhia Souza Cruz Indústria e Comércio, Cosesp (Companhia de Seguros do Estado de São Paulo), Itaú, Internacional Seguros, Bradesco, Rockwell Goss e Cia. T Janer, dentre outras dezenas de anunciantes.

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