CORPUS CHRISTI

Greve esvazia estradas e afeta turismo

Concessionárias, responsáveis pelas rodovias, registram queda de 25,7% no fluxo de veículos

Renato Piovesan
renato.piovesan@rac.com.br
06/06/2018 às 07:27.
Atualizado em 28/04/2022 às 11:48

Cidades que compõem o Circuito das Águas registram ocupação de 25% no feriado, um dos principais do ano (Cedoc/RAC)

Com o término definitivo da paralisação dos caminhoneiros somente na última quarta-feira, e a normalização do abastecimento de combustíveis só no decorrer dos dias seguintes, o movimento nas estradas despencou no feriado prolongado de Corpus Christi. De acordo com levantamento das principais concessionárias das rodovias que cortam Campinas, o fluxo de veículos caiu 25,7% entre 30 de maio e 3 de junho. Ao todo, 1,2 milhão de motoristas da região viajaram no feriadão. Em 2017, 1,7 milhão de veículos passaram pelas estradas administradas pela Rota das Bandeiras, AB Colinas, Renovias e CCR Autoban, que abrangem rodovias como D. Pedro I, Santos Dumont, Campinas Mogi e Sistema Anhanguera-Bandeirantes, respectivamente. Com menos carros circulando, o turismo foi o setor que mais sofreu no feriadão. No Circuito das Águas, principal destino turístico da região, o fluxo de turistas também durante o feriado de Corpus Christi. Em Socorro, o Hotel Fazenda Village Montana teve metade de suas reservas canceladas por causa de turistas que não tinham como viajar mais diante da falta de combustível. “Temos 40 apartamentos, que sempre lotam nos feriados. Na semana anterior ao feriado, já havia 20 reservas, mas com a greve o pessoal foi cancelando ou adiando. Passamos o feriado com só 10 quartos ocupados. Nem em fim de semana comum é assim”, lamenta o gerente do hotel, Claudio Cantuaria, que abriu uma exceção e não cobrou nenhuma taxa pelas desistências, que em ocasiões normais só devem ocorrer com 15 dias de antecedência. Em Serra Negra, o Hotel Fazenda Vale do Sol tinha seus 310 chalés e 31 apartamentos reservados para o feriado, mas 30% das reservas foram canceladas de última hora, segundo a call center Letícia Almeida. “Teve muita gente que ligou dizendo que não ia conseguir vir por estar sem gasolina. Ao menos na quinta-feira, quando os postos voltaram a ser abastecidos, algumas das pessoas que haviam cancelado as reservas nos ligaram para remarcar, mas não tivemos lotação máxima, como esperado”, conta. Acidentes Se o turismo passou por dificuldades, ao menos o baixo número de veículos nas rodovias fez diminuir consideravelmente a quantidade de acidentes e mortes durante o feriadão. A Rota das Bandeiras divulgou que o Corredor Dom Pedro teve 17 acidentes, com sete pessoas feridas e nenhuma morte. No mesmo período do ano passado, houve 24 acidentes, 15 feridos e dois mortos. No Sistema Anhanguera-Bandeirantes, foram registrados 56 acidentes, com 32 feridos e duas mortes. Em 2017, no mesmo período, a CCR Autoban computou 76 acidentes, 56 feridos e três mortes. Já a Renovias computou nove acidentes, contra 17 do ano passado. Neste ano, foram seis vítimas leves, uma grave e uma morte, enquanto que em 2017 houve 11 vítimas leves e duas graves. Na Santos Dumont, o balanço foi semelhante ao Corpus Christi de 2017. A AB Colinas contabilizou sete acidentes entre Campinas e Itu durante o feriado, mesmo número do ano passado, mas com cinco feridos e uma vítima fatal – em 2017, foram seis feridos e nenhum morto.

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