As vendas de maio no comércio de Campinas tiveram uma queda de 4,76% na comparação com maio de 2017

Movimento na rua Treze de Maio: greve dos caminhoneiros derrubou de vez a já fraca recuperação do comércio (Leandro Torres)
As vendas de maio no comércio de Campinas tiveram uma queda de 4,76% na comparação com maio de 2017, levando o varejo a acumular um crescimento de apenas 0,64% nos primeiros cinco meses do ano. O resultado do mês passado foi a maior queda para o mês desde 2016. Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), houve uma pequena alta de 0,99%. Segundo a Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), o resultado reflete o impacto da greve dos caminhoneiros na economia da região, que provocou um prejuízo de R$ 210 milhões apenas ao comércio campineiro. E a Acic avisa: o varejo deve se preparar para enfrentar mais tempos difíceis, pelo menos até que cheguem as eleições. O levantamento da entidade, divulgado ontem, aponta que maio fechou com um crescimento de 10,36% sobre abril - que já havia sido ruim para o comércio - mas teve queda de 4,76% sobre maio do ano passado. Maio só não foi pior por causa das vendas do Dia das Mães, que tiveram uma alta de 2,8% em relação ao ano passado. A paralisação dos caminhoneiros, além de provocar redução nas vendas, levou à crise de abastecimento de combustíveis, que influenciou toda a logística e afetou os índices de preços - o que terá reflexos na inflação. Para o economista Cláudio Alencastro, consultor comercial, este continuará sendo um ano de incertezas, com a eleição na metade do segundo semestre que pode ter resultados negativos na economia. “Ainda estamos com o desemprego alto, e nenhum dos pré-candidatos à Presidência disse o que fará para reverter esse quadro. E as perspectativas de retomada do crescimento continuam se afastando”, afirmou. Segundo ele, a greve dos caminhoneiros foi a “pá de cal” para o setor varejista, especialmente para o segmento que não trabalha com alimentação. “O segmento de vestuário, por exemplo, sofre muito, porque compra adiada é compra que não é finalizada. Os lojistas terão que ser muito criativos para atrair clientes este ano”, disse. Pagamentos A maior retração nas vendas foi registrada nos pagamentos a vista, que cairam 6,71% na comparação com maio de 2017. No crediário, a redução foi de 2,86. As vendas pela internet, o chamado e-commerce, tiveram melhor desempenho e ficaram 3,5% acima das vendas físicas. Os setores que tiveram crescimento em maio foram o de eletrodomésticos (3%), vestuário e calçados (2,7%), floricultura e perfumaria (2,6%) e restaurantes e alimentação (2,10%). Outra notícia ruim veio dos dados sobre a inadimplência, que cresceu 33,61% em relação a abril e 11,27% em relação a maio de 2017. No período janeiro a maio, a alta acumulada é de 1,20%, com 83.3255 carnês ou boletos vencidos e não pagos há mais de 30 dias, representando um montante de cerca de R$ 60 milhões. As vendas de maio movimentaram em Campinas cerca de R$ 1,16 bilhão, uma qeda de 1,5% em relação ao R$ 1,18 bilhão de maio de 2017. Na RMC, as vendas atingiram R$ 2,8 bilhões em maio, uma redução de 0,31% sobre maio de 2017. Na RMC a inadimplência também apresentou uma elevação menor que a de Campinas de 1,02% em maio de 2018, com pouco mais de 198 mil carnês ou boletos vencidos e não pagos, representando cerca de R$ 142 milhões.