Vereador bispo Fernando Mendes foi convocado a depor para apuração de suposta tentativa de intimidar testemunhas na investigação contra Zé Carlos (Câmara Municipal de Campinas)
Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público fecham o cerco contra o caso de corrupção em contratos terceirizados na Câmara Municipal, abrindo nova frente de apuração contra o vereador José Carlos Silva (PSB), o Zé Carlos, presidente afastado do Legislativo campineiro.
Os promotores do Gaeco já haviam constatado indícios de corrupção passiva na conduta do vereador diante de supostos pedidos de propina para a renovação de contratos terceirizados com a empresa responsável pela TV Câmara em áudios divulgados, que estão sendo investigados. Agora, decidiram enviar o caso à Promotoria do Patrimônio Público por entenderem que, nos áudios investigados, Zé Carlos e Rafael Creato, ex sub-secretário de Relações Institucionais da Câmara, incorreram também em suposto crime de improbidade administrativa.
O clima de investigação contra os casos de corrupção na Câmara Municipal mexem com os ânimos dos parlamentares desde a divulgação dos áudios no último dia 22. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) reuniu assinaturas suficientes para ser instaurada e deve começar os trabalhos de investigação já na próxima semana, quando serão sorteados os seus integrantes.
Nos bastidores do Legislativo, as informações são de que todo o grupo ligado ao vereador Zé Carlos estaria na mira das investigações. Isso porque, os áudios em posse do Ministério Público apontam para indícios de um esquema de obtenção de vantagens econômicas em contratos terceirizados do Legislativo campineiro também em legislaturas passadas, com uma rede de distribuição de recursos.
Anteontem, o Ministério Público convocou o vereador bispo Fernando Mendes (Republicanos) para prestar depoimento. O MP quer saber o motivo do parlamentar - tido como um dos vereadores do grupo de Zé Carlos - ter usado o microfone da Câmara, na sessão de quarta-feira, para dizer que estuda uma forma de investigar quem fez as gravações da conversa entre Zé Carlos, o advogado exonerado Rafael Creato e o empresário responsável pela TV Câmara, numa suposta negociação de pagamento de propina para renovação do contrato, sem licitação.
Para os promotores, a manifestação do vereador bispo Fernando Mendes pode configurar eventual tentativa de coação ou constrangimento de testemunhas e vítimas na ação que apura o suposto esquema de corrupção para obter vantagens econômicas em contratos terceirizados do Legislativo campineiro.
Na última sessão, ele disse “que estudaria uma forma de investigar quem gravou, o caminho do crime, os vereadores que foram chamados e aquele que se diz o mentor” de todo o desdobramento que culminou na investigação do Ministério Público.
Fernando Mendes se referia ao colega de Câmara, Marcelo Silva (PSD), que considerou a manifestação como um ataque. “O bispo ameaçou este vereador. Quis me intimidar e também intimidar as testemunhas desse caso de corrupção. É uma clara tentativa de coação. É preciso saber o motivo”, disse.
De acordo com o Ministério Público, o depoimento do vereador bispo Fernando Mendes está agendado para a próxima quarta-feira. Ele foi procurado pela reportagem para comentar a convocação e as declarações, mas não retornou o contato até o fechamento desta edição.