CARDÁPIO

Frutas exóticas ganham a mesa do campineiro

Produtos viabilizados por novas tecnologias caem no gosto da população e mudam hábitos alimentares

Adriana Leite
23/09/2017 às 19:16.
Atualizado em 22/04/2022 às 18:11
Na Ceasa Campinas, produtos viabilizados por novas tecnologias, que atendem um público cada vez maior (César Rodrigues/ AAN)

Na Ceasa Campinas, produtos viabilizados por novas tecnologias, que atendem um público cada vez maior (César Rodrigues/ AAN)

As gôndolas dos supermercados e varejões estão ganhando cada dia mais alimentos que antes os brasileiros nem imaginavam colocar no cardápio. Novas tecnologias no campo e mudanças de hábitos dos consumidores colocam na mesa dos brasileiros novidades como uvas e tangerinas sem sementes; kiwi que se come com colher; morangos imensos que parecem sair de filmes de Hollywood. Os comerciantes do mercado de hortifrutigranjeiros da Centrais de Abastecimento de Campinas S/A (Ceasa) comemoram o crescimento de 20% a 30% na procura por frutas exóticas ou finas. Dados do governo federal apontam que neste ano a produção de frutas no País deve chegar a 44 milhões de toneladas. Com a chegada da Primavera, o consumo de hortifrutigranjeiros cresce. Como a escala de vendas ainda está em expansão, o custo é um pouco mais “salgado” do que de produtos mais tradicionais. Só que o prazer de comer um alimento diferente e a busca por comidas mais saudáveis estimulam as compras. Quem anda pela Ceasa Campinas encontra várias novidades. O engenheiro agrônomo do Departamento de Hortifrutigranjeiros da Ceasa, Ricardo de Oliveira Munhoz, conta que o mercado hoje oferece opções para diferentes gostos. Ele ressalta que a tecnologia no campo auxilia os produtores desenvolverem produtos que se alinham à demanda. “A tendência é que o mercado se adapte às novas tendências de consumo. As famílias estão menores e já existem linhas de alimentos pequenos que atendem essa necessidade”, observa. Ele destaca ainda que a tecnologia no campo dá suporte ao desenvolvimento de novos produtos. “Um ótimo exemplo é o abacaxi gomo de mel que foi desenvolvido pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), e que tem características que atendem demandas de mercado como ser mais doce e ser comido em gomos. A Embrapa criou a uva Vitória, que é mais escura, doce e sem semente.” Comodidade O agrônomo aponta que uma tendência nas frutas é a comercialização de produtos sem sementes. “Outra uva sem semente que ganha mercado é a Nubia. Ela também foi desenvolvida pela Embrapa. A uva é escura e grande.” O Vale do Rio São Francisco, na região Nordeste, se transformou em uma das áreas de plantio de uvas finas que chegam à mesa dos campineiros. Mais uma uva que saí de lá e é comercializada aqui é a Sable. “Também sem semente, a fruta tem origem na Califórnia (EUA), mas já é cultivada no Brasil.” Para quem gosta de kiwi, um produto que está crescendo as vendas é o Gold. “Tem uma polpa amarela e é muito doce. Ele tem origem na Nova Zelândia. Não é necessário descascar a fruta. O consumidor pode cortá-lo ao meio e comer com uma colher”, afirma Munhoz. O agrônomo comenta que no mercado de hortifrutigranjeiros chegou recentemente o melão Meluna. “O melão é pequeno e tem polpa laranja”, detalha. Ele observa que o consumidor que gosta de morango encontra agora um produto grande e crocante que normalmente é usado para fazer fondue. “Esses morangos são produzidos no Espírito Santo. São grandes e doces”, afirma. As frutas regionais também têm espaço. Na lista estão produtos como mangostin e atemoia. Atacadistas apostam nas novidades. O gerente da King Fruit, Michel Ramon de Camargo, afirma que existe um mercado em expansão pelas frutas finas e as exóticas. “O crescimento médio anual das vendas dessas frutas é de 20% a 30%. Nós vendemos para os varejistas, como feirantes, mercados, hortifrutis e grandes redes.” O vendedor da DeMarchi, Paulo Sérgio Palma, comenta que a busca por produtos sem semente, como uvas e melancias, aumentou nos últimos anos. Ele também cita o morango premium. “As pessoas gostam de comodidade.” A empresária Maria Célia Lima afirma que o mercado hoje oferece uma gama imensa de produtos que atendem necessidades como tamanho adequado para quem mora sozinho, até quem busca por alimentação orgânica. “Hoje encontramos frutas de outras regiões do País, de outros países ou que passaram por melhoramento genético.”

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