Estudo de requalificação paisagística apontou que este tipo de árvore não danifica a calçada

Árvores de grande porte foram cortadas na Glicério , pois além de danificar a calçada tinham risco de queda que poderia resultar em perdas ao patrimônio e mortes de pessoas (Kamá Ribeiro)
A Avenida Francisco Glicério na região central de Campinas receberá o plantio de 100 mudas de Manacá da Serra em substituição às árvores que foram removidas há um mês pela Prefeitura. A escolha da espécie foi feita com base em um estudo de requalificação paisagística, elaborado pela Secretaria de Serviços Públicos, na qual este modelo de árvore pelo seu porte médio não danifica a calçada. O replantio ocorrerá após obras de recapeamento asfáltico que ocorrem a partir da próxima segunda-feira, dia 20.
“Logo após as obras civis, que devem durar cerca de 10 dias, já começa o replantio das árvores”, prometeu Ernesto Paulella, secretário de Serviços Públicos. Essas ações de extração de árvores, não só na Avenida Francisco Glicério, bem como nos parques da cidade, têm respaldo em laudos técnicos elaborados por técnicos da própria Secretaria de Serviços Públicos. A Pasta destaca que o projeto compreende não só a extração, mas também o replantio das espécies.
O corpo técnico da Secretaria de Serviços Públicos é responsável pela elaboração do laudo técnico com o diagnóstico de saúde das árvores, após amplo processo de avaliação. O grupo é composto por três engenheiros agrônomos, dois biólogos e um engenheiro florestal. Esses profissionais fazem análises e determinam quantas árvores apresentam riscos para a população e terão que ser retiradas.
O corpo técnico, ao fazer esse laudo, recolhe uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) que é o instrumento que define, para os efeitos legais, os responsáveis técnicos pela execução de obras ou prestação de serviços relativos às profissões abrangidas pelo Sistema Confea/Crea.
“Nós respondemos civil e criminalmente pelas nossas ações. Então todos os técnicos que assinaram esse laudo sabem disso. Ninguém vai fazer algo que não esteja dentro da norma, dentro da legalizade”, assegurou Paulella. Ele defendeu que as equipes da Prefeitura estão extraindo a quantidade necessária de árvores, nem mais, nem menos.
A metodologia das análises feitas pelos técnicos segue Norma Técnica regulamentada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A norma divide as análises em três níveis de risco. O nível 1 compreende somente a análise visual para dar o veredito. Portanto, não há necessidade de exames, basta o técnico olhar para a árvore e, a partir da avaliação de buracos e fissuras no corpo da árvore, consegue determinar se está saudável ou não. Nesses casos, é muito claro para o técnico que a árvore está condenada, segundo explicou o secretário de Serviços Públicos.
O nível 2, por sua vez, envolve outros estudos de laboratório. O técnico acaba optando por esses exames, pois não está claro visualmente se a árvore está com a estrutura danificada. Esses exames servem para detectar se há a presença de cupim ou fungos na madeira. Eles são realizados através da coleta de material do cerne da árvore, que é levado para análise laboratorial para determinar se a estrutura está comprometida ou não.
Por fim, o nível 3 envolve exames de imagem, como tomografia, penetrografia e georradar. Essa técnica é utilizada quando é necessária uma análise mais profunda e detalhada para a elaboração de um diagnóstico. Esse nível de cautela foi adotado no Jequitibá-rosa do Paço de Campinas que foi atingido por um raio no dia 15 de fevereiro. Inclusive, o secretário informou que os resultados dos exames devem sair na semana que vem.
“No caso do Jequitibá do Paço, nós queremos saber se o cerne está comprometido, porque ele foi atingido por um raio”, explicou Paulella. Até agora, os exames apontaram que os danos foram apenas superficiais.
Já no caso do Bosque dos Jequitibás, foram feitas apenas análises do nível 1. “Não houve necessidade de buscar tomografia ou outros exames, porque está muito evidente pela visualização o risco das árvores”, justificou o secretário. Ele destacou que, das 108 árvores que o laudo apontou que devem ser removidas, 30 já estão mortas. As 78 restantes apresentam risco de queda, por isso serão removidas.
A Secretaria de Serviços Públicos está trabalhando não só na extração das árvores, mas também no replantio. Quando a equipe da Prefeitura finalizar a retirada das árvores será iniciada a etapa de replantio e os parques reabertos.
Campinas está em uma área que faz parte do ecossistema Mata Atlântica. Eucalipto, Guapuruvu e árvores da família Myrtaceae não fazem parte desse ecossistema, portanto estão sendo avaliadas com cautela para que sejam retiradas, caso apresentem riscos.
“Nós vamos plantar espécies nativas, vamos observar as opções”, garantiu o secretário. O Jequitibá e Ipês (roxo e amarelo) são exemplos de árvores nativas que serão plantadas no lugar dessas árvores que estão sendo removidas pelas equipes da Secretaria de Serviços Públicos, segundo Paulella.
Na Lagoa do Taquaral, local onde o laudo técnico indicou a necessidade de remoção de 181 árvores, será instalado um banco de germoplasma. “É uma coleção de árvores nativas, que tem como objetivo colher sementes para reprodução no Viveiro Municipal”, explicou o secretário.
Com relação aos 16 parques que seguem fechados em Campinas, Paulella informou que a expectativa é abrir mais três no prazo de uma semana. São eles: a parte interna da Lagoa do Taquaral, Parque Ecológico e Bosque dos Italianos. “Nossa expectativa é que até o fim da próxima semana, esses três parques estejam abertos para visitação”, prometeu. Vale destacar que a liberação desses locais depende da conclusão dos trabalhos de extração das árvores que foram apontadas como perigosas pelos laudos elaborados pela Secretaria de Serviços Públicos.
Esses laudos, inclusive, foram contestados pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente de Campinas (Comdema). A presidente do conselho, Maria Helena Novaes Rodriguez, colocou o órgão à disposição da Prefeitura. O corpo técnico desse conselho é formado por professores universitários e engenheiros especialistas na área ambiental. Maria Helena classifica a quantidade de árvores que estão sendo removidas na cidade como um absurdo. “É um número alarmante, muito alto. Existe ciência sendo feita em Campinas que não está sendo aproveitada efetivamente”, disse.
Por sua vez, o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, disse que o Comdema não solicitou nenhum estudo para ele, mas se colocou à disposição do órgão. “Não me pediram nenhum estudo. Se pedirem, eu entrego”, assegurou Paulella.