Cansados da violência, trabalhadores fizeram na manhã desta terça-feira um protesto pedindo paz
Os 56 funcionários do Centro de Saúde São Cristóvão, no Jardim Adhemar de Barros, trabalham sob uma tensão constante ( Dominique Torquato/AAN)
Os 56 funcionários do Centro de Saúde São Cristóvão, no Jardim Adhemar de Barros, trabalham sob uma tensão constante. Os casos de violência contra servidores do local vêm ocorrendo desde 2011 e chegou a uma situação insustentável quando, há cerca de duas semanas, um médico teve que se esconder de um paciente armado que o ameaçou de morte. Cansados de serem vítimas da deficiência estrutural do Sistema Único de Saúde (SUS) de Campinas, eles resolveram dar um basta. Fizeram na manhã desta terça-feira (10) um protesto pedindo paz. Vestiram camisetas brancas e distribuíram flores brancas à população. "Nossa intenção é conscientizar a população sobre a necessidade de colocar um fim às agressões verbais. Entendemos que a situação está ruim, mas não somos os responsáveis pelos problemas", afirmou Paulo Silva, funcionário do local.A manifestação durou toda manhã e contou com o apoio da população local e do Conselho de Saúde. Somente os casos de urgência foram atendidos. Logo após o fim do ato, por volta das 10h30, o atendimento foi normalizado. O CS atende a uma população de cerca de 24 mil. Faltam condições de trabalho para que todos possam exercer a profissão com dignidade. "A gente sabe que eles querem fazer o melhor, mas falta material de trabalho para eles", reclama a dona de casa Berenice Muller. O conselheiro de Saúde João Batista de Jesus conhece todos os problemas do local. "Tem muita coisa que precisa ser feita. Estamos cansados de promessas", afirmou. Os bancos da recepção estão rasgados e colados com fita durex. O teto dos consultórios e salas de espera estão cobertos com manchas e mofo. As paredes de muitos cômodos estão marcadas pela infiltração. "Isso não é um ambiente ideal para uma unidade de saúde" , reclama. Aos problemas estruturais se somam a falta de medicamentos, materiais de trabalho e médicos. "Demora muito para conseguir consulta, fazer um exame pode demorar meses. Eu mesma demorei um ano para conseguir uma consulta com o oftalmologista. Os pacientes perdem a paciência e ficam estressados", contou a dona de casa Laídes Pereira. Funcionários do CS contam que as agressões verbais são rotineiras. "Nós entendemos que a população precisa do atendimento. Se não conseguimos atender, é por falta de recursos ou médicos", afirmou uma servidora. Outro problema que costuma assolar a unidade são os roubos. "Já tivemos casos de assalto a funcionários e na própria unidade. Foi depois de um desses assaltos que conseguimos um guarda da Gocil para fazer a segurança, mas é preciso melhorar", contou Paulo. DenúnciasO Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC) sustenta que as denúncias de agressão a funcionários da Saúde são diárias. O problema não está restrito a uma única unidade. "Os casos mais graves foram registrados no CS do Jardim Aeroporto, onde um médico foi ameaçado de morte e pediu exoneração, no mês passado, e no CS São Cristovão, onde outro médico foi vítima de ameaça", afirma o sindicato em nota enviada à imprensa. A entidade salienta que, em sua maioria, as agressões são motivadas pela falta de profissionais da unidades e pela falta de remédio.PrefeituraA Secretaria de Saúde afirmou, por meio de nota enviada à imprensa, que o Departamento Administrativo da Secretaria de Saúde agendou, para esta semana, uma visita técnica para analisar as condições do prédio. Segundo a diretoria, a verba para reforma e melhorias do CS já está disponibilizada e o projeto está sendo desenvolvido pela Secretaria de Infraestrutura. A Secretaria nega que haja falta de luvas e gaze e ressalta que o ácido acetilsalicílico (AAS), em falta na unidade, está disponível nas farmácias populares por 0,032 centavos cada comprimido e deve ser regularizado na farmácia do Centro de Saúde em 15 dias. "A respeito da segurança, há profissionais de uma empresa de segurança patrimonial que fazem vigilância das 7h às 19h, horário de funcionamento da unidade" , diz a nota. Veja também Usuários esperam reforma de Centro de Saúde há dois anos Unidade do Jd. Santa Mônica teve obras iniciadas em dezembro de 2011; abaixo-assinado cobra conclusão Centro de Saúde do Jd. Fernanda permanece fechado Centro de saúde foi alvo de bandidos duas vezes nesta semana; patrulhamento será reforçado Centro de Saúde é assaltado duas vezes na mesma semana Ladrões levaram equipamentos de saúde e computadores; população sem atendimento