Dário Saadi assinou contrato com o Penido Burnier e a Clínica Oftalmocenter
Projeto vai oferecer exames oftalmológicos gratuitos para um grupo de 4,6 mil estudantes da rede municipal de ensino (Rodrigo Zanotto)
No próximo ano, mais de quatro mil alunos da Rede Municipal de Ensino terão acesso a consultas oftalmológicas gratuitas, graças à assinatura de contrato realizada na quinta-feira (21) pelo prefeito Dário Saadi (Republicanos) com o Instituto Penido Burnier e a Clínica Oftalmocenter. Esta parceria, marcada como a quarta etapa de um projeto iniciado em março, visa garantir consultas e distribuição de óculos aos alunos que necessitam, estendendo-se até 2024.
Ao todo, 4.646 estudantes do Ensino Infantil, Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) serão beneficiados. Os credenciamentos são parte integrante do projeto "Visão do Amanhã", que realizará anualmente, sempre no primeiro bimestre, exames de acuidade visual em todos os alunos matriculados nas escolas municipais. O investimento da Secretaria Municipal de Educação alcança R$ 1,1 milhão, visando atender até 14 mil alunos em um período de um ano.
"Esse é um projeto que se tornará perene na rede, pois os alunos que passarem pela consulta terão o acompanhamento de um médico oftalmologista", explicou o secretário municipal de Educação, José Tadeu Jorge. O projeto, agora caminhando para se tornar um programa regular da pasta, teve início em março deste ano, quando 70% de todos os alunos da Rede Municipal passaram por um préexame, realizado nas próprias escolas, para identificar possíveis problemas de visão.
O exame consistia na aplicação da Tabela de Snellen, método desenvolvido pelo oftalmologista holandês Herman Snellen no século XIX.
A Tabela de Snellen é um gráfico composto por letras ou símbolos de diferentes tamanhos, organizados em fileiras e colunas. Ela é utilizada para medir a acuidade visual de uma pessoa, ou seja, a capacidade de enxergar detalhes finos a uma determinada distância.
O exame foi aplicado em todos os alunos a partir dos três anos. Os profissionais da educação receberam uma formação com o médico oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, presidente do Instituto Penido Burnier, para aplicar a metodologia.
Na prática, os pesquisadores posicionaram cuidadosamente os estudantes a uma distância específica da tabela, geralmente seis metros, delineando linhas que guiavam a leitura das informações. Cada linha da tabela correspondia a uma fração representando a visão normal, enquanto para crianças não alfabetizadas, utilizavam-se desenhos ilustrativos.
Dos participantes, um total de 20.039 estudantes foi selecionado para a segunda etapa do estudo. Neto enfatiza a importância da participação ativa e integração dos profissionais da educação no início dessas atividades, uma vez que eles estão em proximidade constante com as crianças, sendo capazes de identificar potenciais problemas de visão.
O médico oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, presidente do Instituto Penido Burnier, explicou que o exame para medir acuidade visual será aplicado em todos os alunos a partir dos três anos de idade (Rodrigo Zanotto)
Neto esclarece ainda que, na percepção infantil, é particularmente desafiador para uma criança reconhecer problemas de visão, dado que a patologia não faz parte do entendimento infantil. Consequentemente, a criança pode desconhecer que sua visão está comprometida, como no caso de visão embaçada, até que receba óculos.
Ele acrescenta: "A criança muitas vezes não tem noção de que sua dificuldade visual pode ser corrigida. Portanto, ela pode se mostrar impaciente, sem compreender plenamente o que está acontecendo. Quando ela passa a compreender, experimenta uma tranquilização e consegue acompanhar seus colegas no mesmo nível, gerando não apenas um impacto positivo no aprendizado, mas também emocionalmente."
Com o auxílio de um dispositivo, mais de 20 mil alunos passaram por uma avaliação ocular inovadora. Esse equipamento de alta tecnologia, por meio da refração da luz, consegue analisar a possível existência de problemas oftalmológicos, capturando uma imagem dos olhos e indicando, inclusive, o provável grau necessário para o paciente.
No caso dos alunos da Rede Municipal, o dispositivo apontou que 4.646 estudantes deveriam ser encaminhados para uma consulta oftalmológica. Destaca-se que o maior índice de recomendações foi observado nas faixas etárias de 4, 5 e 6 anos, respectivamente.
Quanto às patologias, o ranking revelou a prevalência de astigmatismo (69%), miopia (32%), anisometropia (15%), estrabismo (7%) e outras condições (2%). Dos alunos avaliados, 1.504 pertencem ao ensino infantil, 2.966 ao ensino fundamental e 176 ao EJA.
Com a formalização do contrato na quinta-feira, a consulta desses alunos com especialistas está garantida de forma gratuita. O secretário de Educação ressaltou: "No retorno às aulas em fevereiro, esses estudantes poderão agendar essa consulta e realizar um exame definitivo com um médico oftalmologista, que determinará a necessidade de lentes. Se houver a necessidade de uso de óculos, nós forneceremos."
Conforme destaca Neto, esse serviço desempenha um papel fundamental no impacto direto na vida acadêmica dessas crianças. Segundo uma pesquisa conduzida por ele, envolvendo 36 mil alunos de Campinas, constatouse que 50% deles apresentaram melhorias no rendimento escolar após a utilização de óculos; 88% demonstraram maior interesse nos estudos; 91% passaram a se envolver em atividades que antes evitavam, e 100% relataram não mais sofrer com dores de cabeça.
O objetivo é transformar o projeto em um programa contínuo, assegurando avaliações anuais para todos os estudantes da rede. Tadeu reforça que o projeto abrange todo o ciclo, proporcionando desde avaliações médicas até a disponibilização gratuita de óculos.
"Este é um projeto que se tornará um programa, será perene, contínuo e inovador. Já percorremos todo o trajeto e realizamos testes. Implementamos uma vez e conseguiremos repetir a cada ano, tanto para novos alunos quanto para aqueles que já passaram por ele. Manter um acompanhamento periódico daqueles que receberam prescrição de óculos também é crucial para garantir o cuidado contínuo com a visão a cada ano. As crianças crescem, e a necessidade de novos óculos surge. Dessa forma, asseguraremos um cuidado abrangente para nossos alunos", ressaltou o secretário.
O médico Neto enfatizou sua aspiração de que o projeto sirva como um modelo para outras cidades. Como defensor de uma política social de acesso a óculos, similar a modelos adotados em outros países, ele sustenta a crença de que assegurar a saúde visual desde os primeiros anos de vida pode desencadear transformações significativas.
"O cerne do nosso programa é proporcionar às crianças a oportunidade de se integrarem plenamente e compreenderem o mundo ao seu redor. Nossos jovens campineiros merecem atenção especial em seu desenvolvimento, e isso só é viável por meio de políticas públicas eficazes e parcerias como esta", ressaltou.
Siga o perfil do Correio Popular no Instagram.