A principal suspeita é de latrocínio, roubo seguido de morte, já que a carteira dela estava revirada e o irmão deu por falta de R$ 200 que estavam no caixa do bar da família

Caso aconteceu no Jardim Metanópolis, no distrito do Campo Grande, em Campinasr (César Rodrigues/AAN)
Uma estagiária de 21 anos foi assassinada a facadas na manhã da quarta-feira (19) no Jardim Metanópolis, no distrito do Campo Grande, em Campinas. É o terceiro crime contra mulher, na cidade, em menos de uma semana. Wennya Miranda Gonçalves foi achada pelo irmão, caída entre na sala, com um corte profundo no pescoço e nas mãos. Os pais da vítima estavam no Maranhão. A principal suspeita da Polícia Civil é de latrocínio, roubo seguido de morte, já que a carteira dela estava revirada e o irmão deu por falta de R$ 200 que estavam no caixa do bar da família, que funciona na frente da casa. Se for confirmado latrocínio, será o segundo caso em menos de uma semana. Na sexta-feira passada, uma aposentada de 77 anos foi achada morta amarrada e com pano na boca na Vila Miguel. Foram levados do imóvel R$ 5,5 mil do casal, dois celulares e um aparelho de medir pressão. Os dois casos estão na Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Já na última segunda-feira, a atendente e garçonete Jamily Nayara Paulino, de 28 anos, foi assassinada pelo marido, Carlos Roberto Pachione, de 59 anos, preso anteontem à tarde, em São Paulo, com carteira de identidade falsa, na casa de uma amiga da vítima. O crime foi motivado por ciúmes e porque ela negou deixar o emprego, que havia começado há dois meses. Wennya cursava Logística e trabalhava de estagiária em uma empresa. Os pais só tinham ela e um rapaz mais velho. Segundo parentes e amigos, no final de semana passada, os pais viajaram para o Maranhão e a jovem ficou com o irmão, como era de costume. Também era de costume o namorado dela ficar na casa no período que os pais dela viajavam. Na noite de terça-feira, o irmão de Wennya foi para a casa da namorada, onde passou a noite. A estagiária teria passado a noite com o namorado. "A última vez que falei com ela foi por volta das 6h da manhã. Ela disse que estava tudo bem" , contou o irmão, identificado apenas por Wanderlei, e não quis falar mais nada por estar abalado. O corpo da jovem foi achado por volta das 14h de quarta (19) depois que o irmão foi alertado por um vizinho que um entregador não conseguia falar com ninguém na casa. O rapaz, que estava trabalhando, foi até o imóvel e achou o portão e a casa trancados. "Ele (irmão) estava sem as chaves então pulou o muro e arrombou a porta. Quando ele entrou na sala viu o corpo dela e uma poça de sangue" , relatou a prima. De acordo o delegado Roney de Carvalho Barbosa Lima, a jovem lutou com o assassino. Nas mãos dela haviam cortes, sinais de que ela tentou se defender. "Além de um corte profundo no pescoço, ela levou uma pancada nas costas, provavelmente com um banquinho" , disse Lima. Wennya estava maquiada e pronta para o trabalho. A polícia acredita que a estagiária tenha sido abordada no portão, por volta das 6h30, quando saia para o trabalho. "Os investigadores ligaram para o namorado dela e ele disse que viajou na manhã do mesmo dia para Brasília, já que tinha essa viagem programada" , contou o delegado. Os pais foram avisados da tragédia e chegaram na manhã desta quinta-feira (20) em Campinas. Uma camiseta e uma faca foram achadas na casa e apreendidas pela polícia, que pediu exame nas unhas da vítima para detectar resquícios de pele do agressor. A casa foi encontrada pelo irmão apenas com uma janela da cozinha aberta. Vizinhos teriam relatado para a polícia que por volta das 6h da manhã teriam ouvido a garota xingar alguém, mas depois silenciou. Segundo Lima, o assassino estava descalço, já que haviam pegadas de sangue no imóvel - em um corredor e na laje que dá acesso a uma viela. "Provavelmente foi craqueiro, mas ainda estamos investigando" , disse o delegado. A bolsa da jovem foi achada revirada, somente com um cartão de crédito. O irmão afirmou para a polícia que ela estava com dinheiro, já que havia a determinação para ela fazer um depósito bancário. O crime foi registrado como roubo na 2ª Delegacia Seccional de Campinas. Amigos e vizinhos estavam inconformados. "Ela era meiga, carinhosa com o pai. Via ser difícil para eles" , disse o pintor Marcos José Aquino, de 47 anos. O corpo de Wennya foi sepultado na tarde de ontem no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, o Amarais. Outros casos Na sexta-feira da Paixão, uma idosa de 77 anos também foi encontrada morta dentro de casa em Campinas. O marido da vítima disse aos policiais que, ao voltar da igreja, por volta das 16h, encontrou a mulher morta. Rosa Vendrame Reginaldo estava, segundo ele, com as mãos amarradas e com um pano na boca. O homem relatou ainda que os autores do crime levaram dinheiro, dois celulares e um aparelho de medir pressão. O crime foi na Rua Dr. Quitino de Paula Maudonnet, no bairro Vila Miguel. Neste caso, segundo o delegado da DIG, também foram achadas pegadas de terra no imóvel, levando a crer ser usuários de drogas. "Tivemos a informação de que perto da casa da idosa há muitos craqueiros. Mas o caso é investigado e por enquanto não há suspeitos", disse o delegado. Já na última segunda-feira, a atendente e garçonete Jamily Nayara Paulino foi morta com seis facadas, sendo duas no peito, pelo marido, na casa do sogros dela, na Vila Maria Eugência. A vítima foi dopada pelo suspeito que foi preso por policiais do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep), em Pirituba, na Grande São Paulo. Ele alegou traição, mas parentes e amigos da moça afirmam excesso de ciúmes e a recusa dela em abandonar o emprego. Pachione estava desempregado e o casal morava de favor na casa dos pais dele. Antes do crime, o casal tinha lanchado fora e também discutido na frente dos pais dele e do filho do casal de 5 anos. A polícia suspeita que a criança também foi dopada, pois dormia no quarto do casal na hora do crime.