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Encontro de Ferromodelismo movimenta Estação Cultura

Décima edição do evento foi a primeira realizada no período de Natal e atraiu tanto o público entusiasta como curiosos em busca de conhecer o hobby

Bruno Luporini/bruno.luporini@rac.com.br
22/12/2024 às 07:45.
Atualizado em 22/12/2024 às 07:45

Guilherme e Bruna Chinini são frequentadores assíduos de eventos que acontecem na Estação Cultura; eles souberam do Encontro de Ferromodelismo, ficaram curiosos e não se arrependeram de aproveitar o sábado para passear com a filha e conhecer algo novo (Rodrigo Zanotto)

A Estação Cultura recebeu ontem o 10ª Encontro de Ferromodelismo da Região Metropolitana de Campinas. O evento ocorreu das 9h às 20h e os organizadores esperavam um público de 7 a 10 mil pessoas. No local, os visitantes puderam admirar o trabalho de expositores. Diversos modelos de trens replicados em maquetes com paisagens bucólicas compunham o cenário da Estação Cultura. Para o público mais aficionado na prática do hobby, foi possível adquirir inúmeros tipos de modelos, peças para manutenção dos pequenos trens e artigos destinados à montagem de maquetes nas lojas instaladas no espaço.

Essa é a primeira vez que o evento foi realizado na semana de Natal. Tradicionalmente o encontro ocorre no mês de maio. Em sua última edição, o público foi de cerca de 15 mil pessoas. “Este é considerado o maior encontro de ferromodelismo da América Latina”, destacou um dos organizadores do evento, Rodrigo Prado. Para ele, o evento é uma ótima oportunidade para reunir os amantes do hobby, com a possibilidade de troca de experiências sobre a montagem das maquetes e de angariar novos adeptos do ferromodelismo. “Esse é o nosso objetivo, retratar paisagens e resgatar a memória das ferrovias.” 

Rodrigo salientou o hobby cabe em todos os bolsos, um estímulo a quem pretende começar a investir tempo e dinheiro no modelismo ferroviário. Os preços variam bastante, com réplicas de locomotivas e vagões de cargas e passageiros. Era possível encontrar no evento produtos em um preço mais acessível, de fabricação nacional, por R$ 60, mas também os importados, que podem custar R$ 4 mil. De acordo com Rodrigo, a impressão 3D também é uma boa opção para a customização de maquetes e locomotivas. “Hoje há muitos projetos para impressoras 3D, com materiais realistas e preços mais acessíveis”, reforçou. Ele acrescentou que muitas empresas em vez de manter produtos no estoque, optam por atender a pedidos de produtos customizáveis. 

O lojista Gilson Silva tem 60 anos e há 44 trabalha vendendo produtos ligados ao ferromodelismo. A maior parte dos produtos são de fabricação brasileira, com vagões custando R$ 60 até locomotivas na faixa do R$400. Já os artigos para decoração de maquetes são mais baratos, com o custo de R$ 15 em um saco de grama artificial e R$35 um pacote que contém musgo, itens necessários para embelezar a paisagem da obra. Gilson conta que o hobby requer prática e tempo. 

“Não é somente comprar os itens que já fica tudo pronto”, destacou. O ideal é a pessoa se adaptar aos poucos com os processos de modelagem e composição dos trens. “A internet ajuda muito, com vídeos e tutoriais que ensinam vários processos que a pessoa vai adaptando com a prática.” Gilson Silva destacou que a feira é a principal forma de manter o contato com os clientes e conhecer novos compradores, “que depois continuam comprando virtualmente”. 

Eleito prefeito da cidade de Torrinha-SP, Rodolfo Buzato, 53, pratica o ferromodelismo há 12 anos. Ele estava expondo uma maquete que levou um ano e meio para ser finalizada. “Essa já é a minha quarta maquete com a temática natalina”, contou. Rodolfo colocou duas locomotivas circulando por uma estação, um pequeno parque de diversões, árvore de natal, casa do Papai Noel, presépio e campos arborizados. “É um trabalho que envolve eletrônica, paisagismo, pintura, customização de itens... é ótimo para desenvolver várias habilidades manuais”, analisou. Os materiais mais utilizados para a construção das maquetes são bases de madeira, brita, areia, grama sintética e pó de serra. Ele afirmou que desde criança gosta de maquetes. Por morar próximo a uma linha ferroviária, sempre gostou de observar a passagem dos trens de carga. “Então eu uni as duas coisas e agora é muito legal poder expor o meu trabalho.” 

O 10˚ Encontro de Ferromodelismo reuniu pessoas de diversas cidades do Estado de São Paulo, como é o caso do mecânico industrial João Henrique, 38, que veio com a esposa e o filho de 9 anos da cidade de Araras. Ele contou que se interessou pelo hobby após visitar a 9ª edição do encontro, que ocorreu em maio. Desde então começou a montar sua primeira maquete, que ainda está em construção. “É uma prática excelente para passar o tempo, especialmente após um dia estressante de trabalho”, recomendou. Além de conseguir comprar novos produtos, a visita à feira é uma oportunidade de lazer com a família. “Meu filho começou a se interessar também e hoje vamos comprar os materiais para ele começar sua própria maquete”, comentou. 

De Santo André, o bancário Carlos Eduardo, 59, trouxe os dois netos adolescentes para aproveitar o encontro. Eles fazem parte da associação Ferreoclube do ABC que possui uma maquete na Vila de Paranapiacaba, aberta para visitação aos domingos. Frequentadores recorrentes dos encontros em Campinas, Carlos explicou que gosta muito de vir, pois “tem muitas pessoas do interior e é uma ótima oportunidade de encontrar essas pessoas que, às vezes, só vemos virtualmente”. Ele começou a praticar o hobby em 2000, quando já gostava de trabalhar com plástico modelismo. “Quando eu vi o trem em forma de maquete entendi que era esse o caminho, pois são inúmeras coisas que conseguimos fazer com o trem em miniatura.” 

Nem todos os visitantes eram adeptos do ferromodelismo. O casal Guilherme e Bruna Chinini estavam aproveitando o sábado com a filha de um ano e cinco meses. Eles são naturais de Espírito Santo do Pinhal e moram em Campinas há cinco anos. “Frequentamos bastante os eventos que acontecem aqui na Estação Cultura”, disse Guilherme. Ele explicou que soube do encontro pelos colegas de trabalho e ficou curioso em ver como seriam as maquetes. “É muito impressionante”, comentou Bruna ao responder sobre o que achou do encontro. “As maquetes são muito detalhadas e eu me perco dentro desses 'micromundos', é muito legal.”

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