Décima edição do evento mostra que paixão por este modal atravessa gerações

Wellington Santana Ferreira das Neves, usando um boné de maquinista, visitou ontem com seu filho o 10º Encontro de Ferromodelismo da Região Metropolitana de Campinas (RMC), realizado na Estação Cultura (Kamá Ribeiro)
A paixão por trens, miniaturas e maquetes atraiu ontem o público para o 10º Encontro de Ferromodelismo da Região Metropolitana de Campinas (RMC), realizado na Estação Cultura (antiga Fepasa), no Centro. Este histórico prédio, prestes a completar 152 anos, simboliza uma era em que a chegada da linha do trem representava o desenvolvimento de uma cidade. A histórica plataforma de embarque e desembarque de passageiros ficou repleta de visitantes e expositores de diversas cidades paulistas, como Santo André, Salto de Pirapora, Torrinhas e São Carlos, algumas situadas a até 170 quilômetros de distância.
Organizadores do encontro esperavam reunir 15 mil pessoas
Entre os visitantes estava Wellington Santana Ferreira das Neves, que teve as primeiras centelhas do amor pelo transporte ferroviário surgidas na infância, quando sonhava em ganhar uma miniatura de trem. Este sonho se tornou realidade há apenas dois anos, quando ele passou a atuar como maquinista, responsável pela condução de trens de verdade. Sua jornada começou ao visitar uma feira de ferromodelismo, onde viu um anúncio de emprego em uma empresa ferroviária. Candidatou-se, foi aprovado e trocou a sala de aula, onde era professor de inglês, pela cabine de uma locomotiva.
"Era uma paixão adormecida desde a infância", relembra Wellington, hoje com 43 anos, enquanto seus olhos brilhavam ao observar as maquetes expostas. Usando um boné de maquinista, estava acompanhado pela esposa, Gilmara, e os filhos Katlyn, de 10 anos, e Maxwell, de 6. "É legal acompanhar", disse Gilmara, que o acompanha em encontros de ferromodelismo desde que eram apenas um casal. A família, residente em Paulínia, já tem planos para as férias de outubro: visitar um encontro do gênero em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba. "Eu amo ser maquinista, tirar fotos de ferrovias, ferromodelismo e maquetes", disse Wellington Neves, que também participa de eventos como expositor.
UNIÃO DE PAIXÕES
Jonatas Braga Gaudêncio, de Salto de Pirapora, trouxe para Campinas uma maquete que une duas de suas grandes paixões: cinema e trens. Ele montou uma réplica do trem do filme "De Volta para o Futuro 3", um projeto que levou oito meses para chegar ao estágio atual. "Eu amo cinema, amo trens", afirmou o analista de informática, que já prepara três novidades para a próxima exposição: incluir o carro DeLorean à réplica, fazer a locomotiva soltar fumaça e adicionar a trilha sonora do filme. "Não deu tempo de ficar pronto para Campinas", explicou. A busca por melhorias e inovações é uma característica comum entre muitos ferromodelistas. "A maquete é modular, vai crescer enquanto tiver espaço", resumiu o aposentado Fernando Aparecido Ruzene. O projeto que ele apresentou já conta com 25 metros de trilhos e um cenário que inclui cidade, tanques de combustíveis, silos de grãos, desvios, pontes e área rural. "Procuro ter tudo o que tem em volta de uma ferrovia", disse o ferromodelista.
Fernando começou a se interessar por ferrovias ainda na infância, quando acompanhava o pai em viagens. Seu pai trabalhava na antiga Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, que mais tarde se integrou à Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa). A dedicação para sempre ampliar a coleção de maquetes é um interesse que atravessa gerações. César Eduardo Marquesine, de 60 anos, que trabalha com comércio exterior, estava acompanhado do filho Eduardo, um estudante de 17 anos.
Além de apreciar as maquetes expostas, pai e filho tinham um objetivo específico: buscar peças encomendadas de uma marca de miniaturas de trem, que ambos colecionam. "Só existem 50 dessas peças no Brasil", disse o adolescente com orgulho, mostrando uma réplica de um vagão de passageiros de 1990. "Também procuramos itens fora de catálogo", explicou.
Essa marca é a única fabricante de trens elétricos em miniatura e réplicas de composições reais na América Latina. "Este é um evento muito aguardado pelos amantes desse hobby e das ferrovias. Para uns, é um passatempo; para outros, um assunto sério. Em 2023, recebemos quase 15 mil pessoas na Estação Cultura e, agora, esperamos repetir esse sucesso", disse Rodrigo Pado, um dos organizadores do evento.
A proposta do governo do Estado de retomar o transporte ferroviário de passageiros também empolga esses entusiastas. "Viajar de trem é muito bom", disse Jonatas Gaudêncio. O primeiro projeto é a implantação do Trem Intercidades (TIC) São Paulo Campinas (Eixo Norte), com a assinatura do contrato prevista para o próximo dia 29, embora a data ainda não tenha sido oficialmente confirmada.
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