Gaeco, PF e PM prendem 15 acusados de integrar quadrilha que encomendava carne aos frigoríficos, roubava a mercadoria e revendia nas lojas da região
Policiais chegam à sede da Polícia Federal com alguns dos detidos (Gustavo Abdel)
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MP) e as policias Federal e Militar realizaram na manhã desta quinta-feira, 21, uma operação para prender uma quadrilha especializada em roubo de carga que atuava e diversas cidades da região. As investigações iniciaram em fevereiro deste ano e ao todo 24 suspeitos foram presos temporariamente, sendo 15 deles somente na madrugada de quinta. Estima-se que o prejuízo causado a empresas chega a R$ 6 milhões, contabilizado durante o início das investigações. A ação foi batizada de Operação Jammer (aparelho usado pelos bandidos para bloquear os sinais dos rastreadores dos caminhões).A quadrilha era responsável por roubos nas rodovias que cruzam as cidades de Campinas, Jundiaí, São Carlos, Rio Claro, Atibaia, Louveira, São Roque e Boituva. Desde o início das investigações foram 10 roubos praticados pela quadrilha, principalmente nas rodovias Bandeirantes e Anhanguera. Algumas cargas interceptadas pelos bandidos eram de transporte interestadual. Os alvos principais seriam carregamentos de alimentos, como carne, café e chocolates. Segundo as autoridades, produtos que são de fácil comercialização.Os 15 suspeitos foram detidos em Campinas, Porto Ferreira, Jundiaí e Jarinu. Os mandados de prisão e de busca e apreensão. Com os presos, os policiais encontraram quatro armas, R$ 100 mil em cheques com um dos presos, apreenderam quatro veículos e uma pequena fábrica de placas usadas para adulterar caminhões interceptados nas rodovias. Entre os presos está Leandro Marcel Candido de Oliveira, que segundo a polícia seria segundo na hierarquia do bando, detido em Jundiaí. Também foi preso Cristiano Eduardo da Silva, em sua casa em Jarinu, considerado o líder da quadrilha e quem articulava os roubos. Com ele os policiais apreenderam uma pistola automática, um revólver calibre 38 e munições. Além de 80 policiais federais, promotores do Gaeco e 200 policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Baep) participaram da ação, divididos em 42 viaturas.De acordo com Sebastião Augusto de Camargo Pujol, delegado-chefe da PF Campinas, os 24 presos fazem parte de uma mesma quadrilha, como se fosse uma empresa. "Além dos que roubavam e recebiam a carga, tem pessoas que cuidavam da carga, outros que comercializavam os produtos e mantinham empresas de fachada, empregados de transportadoras e motoristas de caminhão", disse o delegado.De acordo com o policial houve um acompanhamento dos suspeitos durante os últimos meses e foram identificados "vínculos negociais" com empresários, por exemplo, do ramo de carne na região e em Campinas. A polícia também identificou entrepostos para receber as cargas. "A quadrilha agia rápido, pois tinha toda uma logística de apoio. Produziam muito em pouco tempo, e produziam em série. Montaram uma máquina de roubar e de distribuir esse material, e consequentemente recolher o fruto" , explicou o delegado Jessé Coelho de Almeida, responsável pela comunicação social da PF.Os receptadores eram qualificados pelo próprio exercício da atividade comercial, que é a parte final do mecanismo que é engendrado pela organização criminosa, explicou a promotora do Gaeco Gabriela Gnatos Lima. "As investigações continuam em outras vertentes, voltadas para roubos de carga de outras espécies" , explicou.Desde fevereiro foram 10 ocorrências envolvendo roubos de cargas. Cinco delas foram flagrantes, que correspondem aos nove suspeitos presos anteriormente. Desde então, eles estavam com prisão preventiva decretada e ontem, como resultado da operação que identificou a ação criminosa, também estão sendo presos por formação de quadrilha.O ESQUEMASegundo as autoridades, a quadrilha vendia os produtos roubados como se fosse uma empresa distribuidora, mas de fachada, que apenas emitia e nota para empresários que sabiam se tratar de carga roubada, até pelo preço que compravam o material. Até o momento as autoridades somente analisaram situações em que a quadrilha roubou cargas de gêneros alimentícios.A ação rápida do bando ocorria em diversas frentes. Dentre os presos, estão aqueles que trabalhavam em transportadoras, como motoristas, guardadores de carga roubadas e empresários que revendiam os produtos. Um exemplo dessa organização foi a prisão na madrugada de ontem de Rafael Fernandes Saldanha, que estava cumprindo aviso prévio de uma fábrica de café em Jundiaí justamente por que levantou desconfiança da empresa em suas atitudes. Segundo a polícia, ele é suspeito de informar o restante do bando sobre o trajeto que a carga seguiria e outros detalhes, como se o veículo tinha rastreador e outras características.Já Alisson Donizette Bilato da Silva, vulgo "Eletro" , era o responsável por desativar com o aparelho denominado jammer - nome da operação deflagrada - os rastreadores dos veículos abordados. A quadrilha também contava com Alceu Oseti, que tinha em sua casa uma pequena fábrica de confecção de placas. Em sua casa foram apreendidas centenas de placas "frias" e prensas próprias para a produção do material."As ações sempre eram violentas, com o emprego de arma de fogo e mediante sequestro do motorista" , informou a promotora do Gaeco. Todos os presos ontem foram encaminhados para a cadeia anexa ao 2º Distrito Policial, no bairro São Bernardo. De acordo com o comandante do 1º Baep de Campinas, Nelson Vicente Coelho, não houve resistências em nenhuma das prisões.