
Os temporais dos últimos dias provocaram alagamento do Kartódromo do Taquaral (Rodrigo Zanotto)
As chuvas que atingiram Campinas nos primeiros sete dias de dezembro, pegando a população de surpresa e provocando alagamentos em ruas, avenidas, margens de córregos e inundando casas, representam pouco mais da metade do volume de precipitação pluviométrica previsto para o período. De acordo com o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foram 120 milímetros de chuva, o que corresponde a 57% da média mensal de 209 milímetros. Entretanto, seguindo o ditado popular de que "depois da tempestade vem a bonança", a previsão para os próximos três dias é de tempo firme e com alta gradativa da temperatura, o que deve favorecer o lazer neste final de semana e dar uma trégua ao castigo imposto pelos temporais, principalmente a quem reside em áreas consideradas de risco.
O meteorologista do Cepagri, Bruno Bainy, explicou que as medições climáticas feitas pelo instituto indicam que o mês de dezembro seguirá o seu curso normal, ou seja, com chuvas regulares, típicas da transição da primavera para o verão. No entanto, elas não devem ser tão fortes como as ocorridas logo na primeira semana do mês. "Entre sexta-feira e domingo, a previsão é de tempo firme, com pouca ou nenhuma nebulosidade, temperaturas amenas ao amanhecer, com mínima em torno de 17 graus e máxima de até 33 graus", informou o meteorologista, sendo que para hoje e amanhã o calor pode aumentar. "Nesta quinta, os termômetros devem chegar aos 29 graus e na sexta-feira deve passar dos 30 graus", concluiu.
A estação meteorológica do Córrego Serafim, na Avenida Orosimbo Maia, registrou precipitação de 135 milímetros nas últimas 72 horas, região marcada pela ocorrência de pancadas d'água, porém, rápidas e em vários horários do dia. Na última quarta-feira, uma chuvarada intensa atingiu o Kartódromo do Parque Taquaral, alagando toda a pista e o portão de entrada do parque, frustrando as atividades dos frequentadores. A voluntária Silvia Soares, que participa de um projeto de arrecadação de alimentos, gravou em seu celular as imagens do aguaceiro. De acordo com ela, a enxurrada foi tão forte que a Avenida Heitor Penteado virou um rio, desafiando os motoristas que se arriscavam a passar pelo trecho em frente ao kartódromo. Com tanta água, Silvia disse que ela e seus colegas tiveram que subir em cima de uma caminhonete para se proteger da correnteza.
Na terça-feira, outra área fortemente atingida pela tempestade foi justamente uma estrutura montada para evitar enchentes: o Piscinão da Avenida José de Souza Campos (Norte-Sul). O volume de água foi tão intenso que provocou o desmoronamento de um barranco, após a queda de uma árvore e de parte do concreto que cedeu com a força da correnteza no ribeirão. Uma das faixas da via, no sentido bairro-centro, foi bloqueada por cavaletes da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) devido à inundação.
Segundo a Defesa Civil, até o meio-dia de quarta-feira (7) foram registradas nove ocorrências devido aos temporais, entre os quais, dois deslizamentos, um imóvel alagado, dois registros de erosão e uma queda de muro. O órgão informou, ainda, que a Região Leste foi a mais atingida na última quarta-feira. Quarta-feira, Paulínia e Monte Mor entraram em "estado de atenção", decretado pela Defesa Civil do Estado de São Paulo. Segundo o órgão, o volume de chuvas nestes municípios nos últimos dias ultrapassou a média de 80 milímetros. Campinas continua em "estado de atenção", após o nível manter-se acima dos 100 milímetros nas últimas 72 horas.