EPIDEMIA

Dengue causa a primeira vítima fatal de Pedreira no ano

Prefeitura confirmou que um homem de 57 anos faleceu no dia 15 de abril; doença matou 45 pessoas na RMC em 2024

Eliane Santos/[email protected]
11/05/2024 às 13:17.
Atualizado em 11/05/2024 às 13:17
Com mais de 80 mil infecções confirmadas, Campinas realiza hoje o 15° mutirão para prevenção e combate à dengue na região do São Bernardo

Com mais de 80 mil infecções confirmadas, Campinas realiza hoje o 15° mutirão para prevenção e combate à dengue na região do São Bernardo

Mais uma cidade da Região Metropolitana de Campinas (RMC) registrou a primeira morte por dengue no ano. Pedreira confirmou que um homem de 57 anos foi a primeira vítima fatal da doença em 2024. Além de Pedreira, Hortolândia confirmou o segundo óbito e Campinas ultrapassou a casa dos 80 mil casos da doença. Até ontem, as vítimas fatais na região somavam 45 e as notificações positivas 118.254. Os dados são dos painéis de monitoramento do Estado e da Secretaria Municipal de Saúde Campinas.

Campinas, que detém o maior número de óbitos este ano na RMC (20 mortes), atingiu ontem a 80.007 infecções confirmadas. A cidade passa pela sua pior epidemia desde 1998. Em março, o prefeito Dário Saadi revelou a previsão que o município chegaria a 100 mil casos da doença em maio. As semanas epidemiológicas com mais casos são as do dia 31 de março a 6 de abril, com 8.701 infectados, e a do dia 7 a 13 de abril, com 8.867. A cidade declarou situação de emergência em 7 de março, e o alerta sobre risco de transmissão da doença vale para todas as regiões da cidade.

ÓBITOS

Em Pedreira, a vítima fatal do sexo masculino começou a sentir os sintomas da dengue em 11 de abril e faleceu no dia 15. A Prefeitura da cidade foi procurada e informou que o homem tinha 57 anos e possuía uma doença de base. Ele foi atendido na rede particular. Pedreira tem 429 casos, sendo dois graves, e um óbito em investigação.

No caso de Hortolândia, a confirmação do óbito é de um jovem na faixa etária de 15 a 19 anos. Os primeiros sintomas foram diagnosticados no dia 14 de abril e ele foi a óbito quatro dias depois. O município investigava a morte de um garoto, de 17 anos, que estava internado no Hospital Mário Covas. A família chegou a publicar a nota de falecimento do jovem pelas redes sociais atribuindo a causa do óbito a dengue. Embora seja a mesma faixa etária, ainda não há a confirmação por parte da Prefeitura se a morte confirmada é a que estava em investigação. Com isso a cidade tem duas mortes, três em investigação, além de 1.048 casos. Oito deles são graves.

Com a inclusão de Pedreira na relação das cidades com óbitos na RMC, 12 dos 20 municípios da região registraram vítimas fatais em decorrência da dengue. As demais cidades com registro de mortes na RMC são Americana (3), Artur Nogueira (2), Itatiba (5), Jaguariúna (2), Nova Odessa (1), Santa Bárbara d´Oeste (1), Santo Antônio de Posse (5), Sumaré (2) e Vinhedo (1).

NOVO MUTIRÃO

A Secretaria de Saúde de Campinas realiza hoje o 15º mutirão para prevenção e combate à dengue. A ação tem início às 8h. A Pasta definiu seis áreas que terão imóveis visitados pelos agentes de saúde e voluntários: São Bernardo, Parque Industrial, Jardim Dom Nery, Vila Anhanguera, Vila Santana e a Fundação Casa Popular.

Mais uma vez, o mutirão reúne voluntários e agentes da Saúde, incluindo os trabalhadores da empresa terceirizada Impacto Controle de Pragas. Eles também atuam nas visitas aos imóveis para orientação e eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, vetor da doença, e usam uniforme formado por camiseta branca, com logo da empresa, e calça na cor cinza. Em caso de dúvidas sobre a identificação, a população pode pedir informações pelo telefone 199, da Defesa Civil.

A Administração repete a estratégia de usar drones para localizar grandes criadouros como piscinas e caixas d’água em imóveis identificados como desocupados ou em situação de abandono.

A melhor forma de prevenção contra a dengue é eliminar qualquer acúmulo de água que possa servir de criadouro, principalmente em latas, pneus, pratos de plantas, lajes e calhas. É importante, ainda, vedar a caixa d’água e manter fechados vasos sanitários inutilizados. Estatísticas das secretarias municipal e estadual de Saúde mostram que 80% dos criadouros do mosquito Aedes aegypti estão nas residências. Portanto, o enfrentamento à epidemia exige esforço compartilhado entre Poder Público e população para eliminar qualquer espaço com água que possa ser usado pelo inseto para proliferação.

O mutirão é multisetorial e conta com apoio de profissionais das secretarias de Serviços Públicos, Habitação, Educação, Assistência Social e Trabalho e Renda, além da Guarda, Defesa Civil, Sanasa e Emdec. Até o momento, Campinas já visitou 62,6 mil imóveis durante mutirões contra a dengue.

CRIADOURO EM ESCOLA

Ontem, uma ação na Escola Estadual Monsenhor Emilio José Salim, na Vila Marieta, identificou larvas do mosquito da dengue em grande quantidade. A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo afirmou que incentiva todas as mais de 5 mil escolas estaduais a trabalharem regularmente com toda a comunidade escolar temáticas que envolvem a dengue. Sobre o caso, a Pasta afirmou ser um problema pontual e já resolvido.

Em 2023, um estudo da Secretaria de Saúde mostrou que a cidade viveria uma nova epidemia de dengue. Por isso, foram desencadeadas diversas medidas para o enfrentamento da doença. Muitas delas consideradas adicionais ao planejamento regular de prevenção e combate à dengue. O plano inclui Sala de Situação para análise sistemática, reorganização da rede municipal de saúde e novo site para divulgar informações.

Em dezembro do ano passado foram reforçados os estoques dos principais insumos usados no tratamento da dengue para garantir o atendimento dos pacientes da rede municipal de saúde. A administração divulgou uma projeção de pelo menos 100 mil casos da doença em 2024.

A Prefeitura realizou neste ano 14 mutirões, incluindo um regional, onde visitou pelo menos 62,6 mil imóveis para orientar a população e retirar criadouros do mosquito. Contudo, em cada ação, quase metade dos espaços não é acessada pelos agentes por estarem fechados, desocupados ou em razão de impedimento dos moradores.

A Administração passou a usar a estratégia de utilização de drones para localizar grandes criadouros do Aedes aegypti como piscinas e caixas d'água em imóveis identificados como desocupados ou em situação de abandono. Com isso, chaveiros podem ser acionados e esta medida está respaldada em decisão judicial de 2020, proferida nos autos do processo judicial n.º 1005810-97.2014.8.26.0114, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Campinas. Outra novidade é o uso de inteligência artificial para ampliar o monitoramento e assistência aos pacientes com dengue. Toda pessoa diagnosticada ou com suspeita da doença, após atendimento no SUS Municipal, recebe, via WhatsApp, mensagem disparada pelo chatbot que auxilia a Pasta a acompanhar as condições do paciente. Caso necessário, é feita nova orientação sobre busca por atendimento.

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