SANGRIA NOS COFRES PÚBLICOS

Chuvas causam prejuízos de R$ 83,5 milhões a Campinas

Reparo dos estragos consumirá quase metade da reserva financeira da cidade

Rodrigo Piomonte
01/02/2023 às 09:16.
Atualizado em 01/02/2023 às 09:16
Verba será utilizada para reconstruir seis pontes e diversas estruturas de contenção e proteção de encostas de córregos, que foram danificados pelas tempestades de janeiro (Kamá Ribeiro)

Verba será utilizada para reconstruir seis pontes e diversas estruturas de contenção e proteção de encostas de córregos, que foram danificados pelas tempestades de janeiro (Kamá Ribeiro)

A Prefeitura de Campinas anunciou na terça-feira (31), durante entrevista coletiva no Paço Municipal, a estimativa de custo para os reparos causados pelas chuvas que assolaram a cidade em alguns dias do mês de janeiro. O aguaceiro, que chegou a 354 milímetros no mês, sendo 61,3 milímetros em algumas horas do dia 19, vai impactar os cofres públicos municipais em R$ 83,5 milhões, equivalente a praticamente a metade dos R$ 200 milhões de superávit fiscal alcançado pela Administração Municipal no ano passado. De acordo com o prefeito Dário Saadi (Republicanos), a contratação das empresas que realizarão os reparos acontecerá nas próximas semanas. Com o início das obras, a estimativa é a de que os serviços levem de oito a 12 meses para serem finalizadas.

A meteorologista e pesquisadora do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), Ana Maria Ávila, que também participou da coletiva, informou que para os próximos dias Campinas está na rota de eventos de chuva de grandes proporções.

A agilidade para reparar a cidade, explicou Dário, é garantida por conta do decreto de Estado de Emergências que vigora desde o início da segunda quinzena de janeiro no município. Segundo a Prefeitura, o custo da chuva em Campinas será financiado com recursos próprios do superávit fiscal conseguido pela Administração em 2022. No total, a Prefeitura informou que conseguiu economizar R$ 200 milhões no ano passado. Quase a metade desse valor será consumida para a reconstrução de seis pontes e diversas intervenções e obras de contenção e proteção de encostas de córrego que foram danificadas pelo volume de água que caiu no mês passado.

A execução dos reparos ficará dividida entre a Secretaria Municipal de Serviços Públicos e a Secretaria de Infraestrutura, no caso das pontes. O custo da chuva na cidade é 200% maior que o gasto municipal em 2003, quando a cidade também sofreu com o volume alto de chuva no mês de janeiro. Na ocasião, a gestão municipal era da ex-prefeita Izalene Tiene e a cidade gastou 27,1 milhões para reconstruir a cidade. Para se ter uma ideia do gasto, o recurso que será consumido daria para construir pelo menos oito creches do porte das anunciadas pela Administração no programa Espaço do Amanhã, que terá investimentos de R$ 144 milhões.

Segundo o prefeito Dário, o custo das obras será de R$ 83,5 milhões, sendo R$ 60 milhões da Secretaria de Infraestrutura para a construção e reparo nas pontes e R$ 23,5 milhões da Secretaria de Serviços Públicos para os serviços de contenção e proteção de encostas de córrego e construção de passarelas levadas pela água. Além disso, terá mais R$ 4 milhões de gasto estimado na reconstrução de um aterro às margens do Rio Capivari, na região do bairro Itajaí, onde famílias se encontram ilhadas desde as fortes chuvas por conta da queda do aterro que dá acesso à ponte.

Segundo o prefeito, neste caso da ponte do bairro Itajaí, a atuação do decreto ocorrerá por conta do problema humanitário, pois foi identificado que a área é particular e que a erosão no aterro da ponte supostamente ocorreu por conta da remoção irregular de areia das margens, o que mudou o leito do rio e provocou o dano no local. "A Prefeitura está agilizando ao máximo as ações para reparar os danos causados pela chuva. Foi um período atípico. E a Prefeitura vai atuar com a maior rapidez e os critérios necessários", disse Dário.

O prefeito fez questão de enfatizar que a questão da ponte do Itajaí 4, onde as famílias estão ilhadas, a Prefeitura não conseguiu atuar antes por conta das questões ambientais e uma investigação da Polícia Federal que apura a extração irregular de areia que desviou o leito do Rio Capivari. "Vamos oficiar a Polícia Federal, e se a Polícia Federal responder o ofício que tem sim relação a erosão ocorrida no local com a extração irregular de areia investigada, nós vamos processar os responsáveis para ressarcimento ao município dos gastos. Que fique claro que não são as famílias que moram lá, mas sim os investigados pela Polícia Federal. Mas a Prefeitura de antemão vai atuar lá", disse.

Ainda conforme Dario, a Prefeitura vai tentar buscar recursos por meio de convênios com o governo do Estado e Federal para ajudar a pagar a conta dos reparos que a cidade precisa. "Esse recurso para as obras vem do nosso superávit e, além disso, nós vamos oficiar o governo do Estado através da Casa Civil, através das listas de necessidades das seis pontes, na questão dos muros de contenção o município pode arcar. Mas nas pontes vamos oficializar o governo do Estado para ver como o governador pode ajudar, seja através de convênio ou de alguma obra que o Estado possa vir a realizar. E vamos também oficializar o governo federal através do Ministério das Cidades. Mas se por algum problema tiver alguma demora na resposta do governo do Estado, nós não vamos parar as obras, vamos tocar com o superávit da Prefeitura", disse o prefeito.

Pelo cronograma da Administração municipal, na próxima semana a Prefeitura começa a receber o retorno dos orçamentos enviados para as empresas especializadas nas obras necessárias. Com o recebimento dos orçamentos será realizada a análise dos preços e das empresas interessadas na realização dos serviços. A previsão é que dentro de três semanas a Prefeitura consiga assinar os contratos com as empresas para início da realização das obras.

Pontes

De acordo com a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Infraestrutura vai ficar responsável por fiscalizar os contratos que serão firmados com as empresas que realizarão as obras nas pontes.

O secretário de Infraestrutura, Carlos José Barreiro, informou que pelo menos duas pontes terão que ser completamente reconstruídas. Entre as obras realizadas estão proteção lateral das cabeceiras, limpeza e estabilização das margens, execução de obras de contenção, recuperação estrutural, troca de guarda corpo e reforço de fundação.

A lista das pontes inclui obras na Ponte da Rua Bortolo Martins, Barão Geraldo, sob o Ribeirão Anhumas, a Ponte da CAM 268, divisa entre Campinas e Monte Mor, sob o Rio Capivari, localizada na divisa entre Campinas e a cidade de Monte Mor, a ponte da Rua Ferdinando Turqueti, sob o córrego Taubaté, a ponte da Rua Herbert De Souza, também sob o córrego Taubaté, a ponte da Rua Marco Grigol, que liga a Estrada da Rodhia ao Condomínio Belvedere em Barão Geraldo, e a ponte sobre Ribeirão Anhumas, no local conhecido como Chácara Belvedere.

Córregos

A Secretaria Municipal de Serviços Públicos informou que serão executadas 25 obras em córregos, com serviços como reparos e construção de muros de contenção, construção e reparos de passarelas, além da recomposição de cabeceiras de pontes.

As obras de muros de contenção, que são a colocação dos chamados 'gabião' ocorrerá em córregos na região central, bairro do Cambuí, Jardim Campos Elíseos, Jardim Novo Campos Elíseos, Jardim Boa Esperança, Parque Brasília, Jardim Santa Marcelina, Jardim Nova Campinas, Núcleo Itatiaia, Jardim Itatiaia, Jardim Santa Lúcia, Jardim Bela Vista, Mansões Santo Antônio, DIC 1, Jardim Leonor, Vila Marieta, Parque Itajaí, Guanabara e Chácara da Barra. Além de passarelas, que foram levadas pelas águas nos bairros Jardim Boa Esperança, Chácara Santa Margarida e Parque São Quirino.

A secretaria informa ainda que entre os serviços já iniciados e em andamento estão ainda a recuperação de mais de 100 galerias pluviais para escoamento da água da chuva. A Prefeitura disse que cerca de 17 mil buracos já foram tapados e 300 árvores removidas.

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