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Chácara Gargantilha padece até 15 dias sem água

Há cerca de dois meses, os problemas pioraram com a troca da empresa que fornece água

Inaê Miranda
26/09/2013 às 07:00.
Atualizado em 25/04/2022 às 01:35
Ivair Gasperin ficou em casa cuidando das filhas Manuela, de 2 anos, e Elisa, 7 meses, para a mulher, Rosiane, ir lavar a roupa na casa de uma amiga (Elcio Alves/AAN)

Ivair Gasperin ficou em casa cuidando das filhas Manuela, de 2 anos, e Elisa, 7 meses, para a mulher, Rosiane, ir lavar a roupa na casa de uma amiga (Elcio Alves/AAN)

A falta de infraestrutura na Chácara Gargantilha, bairro isolado da região Leste de Campinas, é uma denúncia antiga dos moradores. Não há asfalto, rede de esgoto, nem rede de água. As casas são abastecidas por caminhões-pipa ou por poços artesianos, mas há cerca de dois meses, os problemas pioraram com a troca da empresa que fornece água. O abastecimento, que antes era feito a cada dois dias, deixou de ter uma rotina. Alguns moradores reclamam que já chegaram a ficar até 15 dias sem receber água em casa. A Sanasa afirmou que houve alguns desencontros no cronograma de abastecimento, mas que a situação já estaria regularizada para as 260 famílias atendidas. Como se não bastasse a escassez de água, os moradores temem ficar sem atendimento médico, já que o Centro de Saúde Carlos Gomes, localizado no bairro vizinho, mas que também atende os moradores do Gargantilha, está em condições precárias e precisa mudar de local. A Associação de Moradores do Gargantilha chegou a oferecer uma área para a Prefeitura, por temer que a população fique sem atendimento. O casal Ivair e Rosiane Gasperin mora com os três filhos e, apesar das duas caixas de água que mantém no quintal, sofre com a falta de abastecimento. “Já tivemos situações de as meninas ficarem com febre e não termos água para dar um banho”, afirmou Gasperin, enquanto cuidava de Manuela, 2 anos, e Elisa, 7 meses, para a mulher lavar a roupa na casa de uma amiga. “Venho duas ou três vezes na semana lavar roupa na casa da minha amiga, então acabo deixando a máquina aqui”, disse Rosiane O casal, como outros moradores reclama da desorganização. “Se colocassem 2 mil litros de água duas vezes por semana, nós iríamos nos organizar e economizar água de acordo com esse período. O problema é o imprevisto. Eles passam e colocam 2 mil litros e depois passam no dia seguinte ou então demoram uma semana para passar”, reclamou. “Já fiz reclamação na Sanasa e disseram que iam resolver, mas até o momento não notamos mudança. A desordem continua.” Segundo os moradores, o abastecimento fica ainda mais prejudicado nos dias de chuva, já que o caminhão-pipa não consegue passar em algumas rua por causa da lama. Fátima Castelo Branco disse que está há uma semana sem água e acha um absurdo acontecer isso em pleno século 21. “Não tem asfalto, não tem esgoto. Isso é um problema, mas a gente consegue de alguma forma contornar, mas água é o básico para qualquer ser humano.” Ela disse que a mãe morava com ela, mas foi morar com a irmã devido à falta de água. “Como quase não fico em casa, as pessoas que fornecem não lembram que moro lá e não abastecem.” Para evitar o problema, quando veem o caminhão-pipa, alguns moradores ficam na porta de casa até receberem a sua cota. O segurança Rubens Ribeiro disse que veio da Bahia fugindo da seca, mas enfrenta maior problema com água em Campinas. “Já fiquei 15 dias sem receber o caminhão-pipa. Quem tem poço artesiano ainda consegue se virar, mas quem não tem, é obrigado a racionar água. O banho é de índio. A roupa lava quando dá. Nunca pensei que fosse enfrentar seca em Campinas, que é uma metrópole, mas estou enfrentando.” A dona de casa Maria dos Anjos Lopes contou que recebe água semanalmente e que também economiza para não passar dificuldade. “Lavo roupa a cada 15 dias e reaproveito a água para lavar a casa.” A Sanasa informou em nota que o contrato dos caminhões-pipa que atendem os bairros periféricos desprovidos de rede de abastecimento foi renovado há dois meses e que essa mudança teria gerado, no começo, “um pequeno atraso e alguns desencontros no cronograma de abastecimento”, mas que a situação já está regularizada e as 260 famílias estão sendo atendidas normalmente duas vezes por semana, apesar de os moradores terem feito as reclamações na terça (24). A empresa informou que os moradores são atendidos por três caminhões-pipa, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h, e quando necessário, é usado um quarto caminhão. Cada família recebe no máximo 3 mil litros e cada caminhão-pipa transporta no máximo 7 mil litros de água. De acordo com a Sanasa, caso necessite de mais água, o morador tem de ter fonte alternativa. A empresa confirmou que o abastecimento fica prejudicado em dias de chuva por causa das más condições das ruas e informou que estudo outra forma de levar água o bairro, mas que o projeto não tem um prazo para execução.

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