falta de vagas

Cemitérios da região de Campinas estão próximos da superlotação

Assunto acaba sendo relegado pelas administrações públicas e se torna um desafio

Thiago Rovêdo/ thiago.rovedo@rac.com.br
29/06/2022 às 08:20.
Atualizado em 29/06/2022 às 08:20

Casal por entre os túmulos históricos do cemitério mais tradicional de Campinas, o da Saudade, patrimônio cultural do município desde novembro de 2003: lotação máxima (Ricardo Lima)

A falta de vagas em cemitérios das cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) acendeu um alerta nas prefeituras, que começaram a desenvolver planos para a resolução do problema. O assunto foi relegado pelas administrações públicas e, por isso, hoje as dificuldades ficam mais escancaradas, principalmente para quem precisa enterrar um ente querido.

Campinas conta com três cemitérios municipais: o da Saudade - o mais tradicional, cujo tombamento como patrimônio cultural da cidade de Campinas ocorreu em novembro de 2003; o de Sousas, considerado um dos mais bonitos da cidade, fundado em 1898 para atender basicamente a população do distrito de Sousas, e o terceiro, de Nossa Senhora da Conceição, conhecido como Cemitério dos Amarais. Este último é o único a oferecer o benefício de sepultamento gratuito à população carente da cidade. Nele também há covas verticais e o único crematório da cidade, que também é administrado pelo serviço público. Já nos dois primeiros, segundo a Serviços Técnicos Gerais de Campinas (Setec), não há mais vagas. 

Procurada, a Setec reconheceu o problema e informou que o trabalho de construção de sepulturas é constante. "É praticamente todos os dias no Cemitério dos Amarais", informou.

Vinhedo também reconhece que a falta de vagas é uma preocupação da cidade e um novo projeto está em andamento. "As vagas no Cemitério de Vinhedo estão quase se esgotando. Temos em média de 2 a 3 sepultamentos por dia", informou por meio de nota. O projeto do novo cemitério está pronto e deve entrar em licitação no segundo semestre, com previsão de início das obras em 2023. O projeto é de um cemitério vertical com 1.100 lóculos. 

Valinhos confirmou que, apesar de novas obras, a demanda por novos espaços no cemitério ainda é muito grande. Atualmente, estão sendo construídos 58 novos jazigos no Cemitério Municipal e a Câmara aprovou um projeto do Executivo pedindo autorização para incluir outros 73 na área adjacente ao local. "A secretaria segue em estudo de mais duas áreas para a ampliação da capacidade no Cemitério", disse a nota. 

A Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste informou que os dois cemitérios municipais - Campo da Ressurreição (Central) e da Paz (em Cabreúva) - dão conta da atual demanda, porém, a Secretaria de Meio Ambiente está promovendo estudos e análises técnicas a respeito da necessidade de ampliações.

O Cemitério Municipal de Nova Odessa tem em média dois sepultamentos por dia. Há cerca de 7,5 mil sepulturas no local e cerca de três vezes este total de sepultados. O Cemitério não tem exatamente uma lotação ou capacidade máximas pré-definidas, visto que as sepulturas são geralmente reutilizadas pelas famílias. 

"Porém, em função das condições da área e dos problemas causados pelo longo período de utilização, a Prefeitura busca viabilizar um novo espaço para sepultamentos na cidade, em outro endereço, provavelmente mediante parceria público-privada", informou a nota.

Artur Nogueira inovou ao contemplar antiga demanda da população e construiu o primeiro Cemitério Vertical Público biosseguro da RMC. 

Ao todo, a estrutura possui quatro andares, onde estão distribuídas 104 gavetas e 400 ossuários. "Na parte de trás da construção se encontra o reator químico. Já na frente, a central de tratamento dos gases provenientes das gavetas", informou a Administração. 

Preocupada com a possível alta demanda de vagas, Indaiatuba iniciou a construção de um novo cemitério municipal na Avenida Luis Bruno Petrilli, no bairro Buru. O Cemitério Jardim da Paz será linear, no modelo jardim, e o projeto terá capacidade para atender o crescimento da cidade pelo prazo de 25 a 30 anos. A previsão é a de que a obra esteja concluída no início de 2023.

Envelhecimento

Um estudo realizado pelo Observatório PUC-Campinas sobre a transição demográfica na RMC mostra um processo acelerado de envelhecimento da população até 2040. O número de pessoas com mais de 60 anos dobrou em duas décadas e pode chegar a quase a metade da população adulta em 2040. 

A professora de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Gisela Cunha Viana Leonelli considera que o tema cemitérios deve ser prioridade para uma administração pública. Segundo ela, o assunto costuma ser relegado a segundo plano e, por isso, ocorre de muitas cidades enfrentarem dificuldades em encontrar espaços para sepultar seus mortos. "O brasileiro não gosta de falar muito sobre a morte e o assunto cemitério não dá voto. Assim, muitas prefeituras vão empurrando o assunto com a barriga até a corda estourar", apontou. 

Segundo o estudo do Observatório da PUC, as cidades, no ano 2000, tinham a relação perto de 10 idosos para cada 100 pessoas. Porém, este número se aproximou a 20 idosos em 2020. Para 2040, a estimativa é a de 41 idosos a cada 100 pessoas. "O assunto deveria fazer parte dos Planos Diretores dos municípios, de modo que houvesse uma projeção de esgotamento de um estabelecimento e a previsão de início de construção de um outro cemitério, bem como a reserva de áreas", continuou.

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