Parque reabre nesta quarta-feira após quatro anos de interdição por causa do risco de febre maculosa

Capivara vista pela equipe de reportagem no parque: Prefeitura garante que animal será retirado (Leandro Ferreira/AAN)
Depois de quatro anos fechado por causa do risco de contaminação por febre maculosa, o Lago do Café, em Campinas, reabre hoje ao público. O local foi revitalizado e passa por uma série de cuidados para evitar novas contaminações, mas ainda abriga pelo menos uma capivara. O animal foi visto ontem pelo Correio perto do lago. A capivara é considerada o principal hospedeiro do carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa, e foi o motivo do fechamento do parque, em 2009. Entretanto, ontem, a Prefeitura afirmou que a ocorrência de carrapato no local já é próxima de zero e que o risco de contaminação é mínimo. Mesmo assim, a capivara deve ser retirada do parque nos próximos dias.
De acordo com a Prefeitura, a reabertura do local foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após uma série de exames feitos no parque. A área só pôde ser reaberta mediante restrições. Cerca de 40 placas indicando o perigo foram espalhadas pelo parque. “O público pode frequentar o local tranquilamente. O cuidado com o parque tem sido muito grande, mas é claro que a população deve evitar as áreas de gramado, principalmente perto do lago”, ressaltou o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella.
Segundo ele, após a descontaminação, o Lago do Café foi revitalizado. “O parque foi recapeado, pintado, sinalizado, recebeu projeto paisagístico, nova iluminação e passa por cuidados constantes. O gramado, por exemplo, não pode passar dos cinco centímetros.”
Os trabalhos de revitalização do parque não param por aí. A Secretaria de Cultura vai abrir neste mês uma licitação para a reforma do casarão que fica dentro do Lago do Café. As obras devem durar cerca de quatro meses e os investimentos chegam a R$ 200 mil.
O local estava fechado ao público e inutilizado desde 2009 depois que um funcionário morreu vítima da febre maculosa. Catorze capivaras que estavam confinadas em uma área de 2,5 mil m² dentro do parque foram sacrificadas para eliminar os riscos de contaminação.
A limpeza do Lago do Café — que tem 330 mil metros quadrados — começou a ser feita no final de 2011, no governo do prefeito Demétrio Vilagra (PT), quase um ano após o abate dos animais.
Na época, funcionários da Prefeitura foram equipados para roçar a área e enterrar em valas toda a vegetação para eliminar os riscos de infestação.
A decisão para a reabertura do parque foi tomada pela Anvisa após os últimos relatórios da Superintendência de Controle de Endemias do Estado de São Paulo (Sucen). Segundo os laudos, entre o período de julho de 2009 e janeiro de 2011, foram identificados 59.465 exemplares de larvas e ninfas (em fase de crescimento). Já entre fevereiro de 2011 e dezembro de 2012, foram identificados 3.527 exemplares da mesma espécie, o que representa uma redução de 94%.
Com isso, o fim da interdição do local vem sendo preparada desde o início do ano, quando o Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) da Prefeitura já informava que o parque poderia ser frequentado pela população. Segundo o órgão, Campinas está localizada em uma região suscetível à presença de carrapatos.