
Semáforos são dotados de tecnologia capaz de monitorar e fazer a gestão da fluidez do tráfego em tempo real (Gustavo Tilio)
A Prefeitura de Campinas pretende instalar, no prazo de seis meses a um ano, 70 semáforos com tecnologia para definir e variar o tempo de sinal verde em cruzamentos com fluxo intenso de veículos, os chamados semáforos inteligentes. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28) pelo prefeito Dário Saadi (Republicanos), que também informou que dois novos semáforos inteligentes acabam de ser instalados no Centro da cidade e no Distrito do Ouro Verde.
Esses dois novos equipamentos estão em funcionamento no cruzamento da Avenida Waldemar Paschoal e Rua Antônio Cesarino, região central, e entre as Avenidas Suaçuna e Jacaúna, na região do Distrito do Ouro Verde. São equipamentos capazes de se adaptar às condições de trânsito em tempo real. Segundo o prefeito, ambos não contaram com investimento público e foram instalados a partir da contrapartida de investimentos privados realizados nas proximidades.
A intenção com a implantação de uma rede de semáforos inteligentes é reduzir as situações de congestionamentos nas vias, aliviando o trânsito em locais com excesso de veículos, inclusive durante horários de pico. Segundo a Prefeitura, a definição dos locais ocorreu por meio de estudos da diretoria de inovação e tecnologia da Empresa Municipal de Desenvolvimento (Emdec).
Com isso, sobe para cinco o total de equipamentos desse tipo em funcionamento na cidade. O primeiro foi instalado em agosto do ano passado no cruzamento da Avenida das Amoreiras com as Ruas Maria Anna Cremasca Levantezi e Antônio Vicente Levantezi. Depois, foram colocados outros dois: no cruzamento entre as Ruas Dr. Cândido Gomide e Camargo Paes, e no cruzamento das Avenidas Waldemar Paschoal e Marechal Carmona.
Expansão
Até o próximo ano, Campinas terá 70 semáforos inteligentes, o que representa 10% do total de equipamentos existentes na cidade. A cidade tem 700 cruzamentos semaforizados. O valor do investimento não foi divulgado pelo prefeito Dário Saadi, que informou apenas que o recurso já está previsto no orçamento da Emdec.
"Campinas é uma cidade que possui uma frota muito grande em relação à sua população. E quando identificamos que um cruzamento está provocando lentidão no trânsito, temos que tomar providências. E a tecnologia está aí para auxiliar", disse o prefeito.
Dário fez questão de ressaltar que os semáforos inteligentes não serão equipamentos de fiscalização. "É bom deixar claro que os equipamentos não serão de monitoramento. Não servirão para multar. Apenas para dar maior fluidez ao trânsito e melhorar o deslocamento do campineiro", explica.
Segundo a Administração Municipal, os semáforos inteligentes, por serem conectados a câmeras ou tags, possuem tecnologia que permite a identificação do volume do tráfego de veículos em tempo real.
Por meio de um software, são capazes de operar em pontos onde a intensidade do trânsito é variável ao longo do dia: eles se mantêm fechados (vermelho) caso não identifiquem fluxo suficiente de veículo naquela via, permanecendo abertos (verde) na outra rua do cruzamento em que o movimento estiver maior. Dessa forma, o sistema mantém o sincronismo, criando a chamada 'onda verde' na rede de semáforos, proporcionando fluidez à via.
Nessa tecnologia, são adotados como critérios para definir o tempo de abertura dos semáforos: a quantidade de veículos em cada via, o intervalo sem veículos passando, e a existência de veículos com prioridade, como ambulância, carro de bombeiro e ônibus.
Especialistas da área de mobilidade urbana são unânimes ao afirmar que a tecnologia de semáforos inteligentes é, de maneira geral, positiva, porém é importante dar atenção a outras demandas, não só ao ganho operacional. "Em termos operacionais, é um ganho para a mobilidade. Se vai atender à principal demanda da cidade, precisamos ver. Não significa que isso seja a solução definitiva. A prioridade do trânsito não é só a fluidez. Uma cidade com trânsito eficiente é uma cidade que tem um trânsito que mata menos", disse Rosimar Gonçalves, pesquisadora da mobilidade urbana da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ex-gestora pública em mobilidade.