PREVENÇÃO

Campinas descarta usar mosquitos transgênicos

Prefeito descartou a possibilidade de usar mosquitos transgênicos para o combate à proliferação do Aedes Aegypti, transmissor da dengue: medida não tem eficácia comprovada

Sarah Brito
13/03/2015 às 10:14.
Atualizado em 24/04/2022 às 01:52
Autoridades e público aplaudem apresentação de estudantes durante evento que lançou cartilhas educativas contra a dengue em Campinas ( Janaína Maciel/Especial a AAN )

Autoridades e público aplaudem apresentação de estudantes durante evento que lançou cartilhas educativas contra a dengue em Campinas ( Janaína Maciel/Especial a AAN )

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), descartou nesta quinta-feira (12) a possibilidade de usar mosquitos transgênicos para o combate à proliferação do Aedes Aegypti, transmissor da dengue. Segundo ele, não há ação comprovada de eficácia, e a introdução pode gerar problemas futuros. “Por isso precisamos agir para o mosquito não proliferar, evitando criadouros”, disse. A afirmação foi feita durante lançamento das cartilhas de educação sobre a dengue, que serão distribuídas nas escolas municipais. Os mosquitos modificados não picam os humanos, e colaborariam para reduzir radicalmente a população dos insetos transmissores da doença. Uma empresa inglesa de biotecnologia produz esse tipo de mosquito, em uma unidade produtiva no Technopark, em Campinas. Na fábrica de “ovos transgênicos”, uma proteína chamada tetraciclina (inofensiva e não tóxica) é usava para a modificação das larvas, que crescem defeituosas. Na natureza, os machos transgênicos cruzam com as fêmeas selvagens, e a inseminação gera descendentes que morrem antes de chegar à fase adulta. Esta semana, uma polêmica envolvendo a introdução dos mosquitos modificados, chamados de “mosquito do bem”, foi levantada em Piracicaba, que adotou a medida para diminuir a quantidade dos transmissores da dengue e da febre chikunguya. O bairro escolhido para o projeto-piloto é o Cecap, que tem em torno de 5 mil habitantes e apresentou 17 casos de dengue desde o início deste ano. A Prefeitura iniciou um processo de orientação aos moradores, para que eles entendam que esses insetos não picam humanos. Panfletos explicativos também foram distribuídos.O Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comdema), porém, irá ao Ministério Público pedir a suspensão da soltura no município. A intenção do órgão é abrir audiências públicas sobre a ação e obter garantias de que a introdução dos transgênicos não causará desequilíbrio ambiental. CartilhasAs cartilhas lançadas ontem em Campinas para a rede municipal de ensino contam com passatempos e jogos lúdicos sobre a dengue e informam as medidas preventivas para evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti. São 52 mil exemplares, distribuídos para os ensinos Infantil e Fundamental e Ensino de Jovens e Adultos (EJA). A partir de hoje essas cartilhas começam a ser distribuídas. Segundo a secretária municipal de Educação, Solange Pelicer, o material foi criado em parceria com a Secretaria de Saúde, durante o segundo semestre do ano passado. “O mais importante é que colocamos as ações, tanto de educação e prevenção, no projeto pedagógico, válido até 2017”, disse. Ela afirmou que as crianças são replicadoras da informação e agentes fundamentais para combater a doença.Imóvel fechadoO prefeito Jonas também afirmou que deve sancionar hoje a lei aprovada pela Câmara de Campinas que impõe multa aos proprietários de imóveis que não mantiverem limpos os imóveis, sendo possíveis criadouros. O projeto foi aprovado em segunda discussão na quarta-feira (11) e determina multa de R$ 27,9 por metro quadrado do terreno para os proprietários de imóveis desocupados da cidade que não recebam a devida limpeza e preservação.

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