TECNOLOGIA

Câmara 'resgata' painel eletrônico para votações

Iniciativa foi suspensa há 6 anos após irregularidades na licitação

Rafaela Dias/AAN
05/05/2018 às 22:00.
Atualizado em 28/04/2022 às 07:49
Plenário da Câmara Municipal de Campinas: equipamento será composto por uma série de monitores conectados, formando uma grande tela (Cedoc/RAC)

Plenário da Câmara Municipal de Campinas: equipamento será composto por uma série de monitores conectados, formando uma grande tela (Cedoc/RAC)

A Câmara Municipal de Campinas resolveu retomar a instalação de um painel eletrônico de votações para uso dos vereadores, seis anos depois de suspender o processo por conta de uma série de irregularidades na licitação, e que acabou virando objeto de sindicância no Legislativo. A nova licitação foi lançada em abril e a expectativa é que o novo equipamento esteja em operação já no segundo semestre. “O processo de litação dos telões não tem nada a ver com os painéis eletrônicos daquela época. Tanto que abrimos uma sindicância com base nos questionamentos do Tribunal de Contas do Estado, que foi apurada e concluída”, explicou o presidente da Câmara, Rafa Zimbaldi (PSB). Além de pedir que o Executivo entre com ações e punições contra os envolvidos, a Câmara quer o ressarcimento do dinheiro público, que naquele período foi avaliado em R$ 286 mil. O problema é que o sistema não funcionou e o treinamento nunca chegou a ser feito. Além disso, o painel propriamente dito jamais chegou a ser instalado. O valor será devolvido para a Prefeitura de Campinas. Chamado de “video-wall multimídia”, o equipamento será composto por uma série de monitores conectados, formando uma grande tela. Serão dois grandes telões, de 3,5m x 2,1m, que serão colocados na parede de frente para quem está na galeria. Os painéis vão reproduzir todas as informações da sessão, como a pauta, oradores e votação. O sistema, cujo software foi alugado juntamente com equipamentos periféricos, que são os tablets por onde os vereadores vão votar, vai ainda gerar um relatório. O contrato inicial de um ano, já homologado, vai custar R$ 254 mil para a Câmara, que deve, segundo Zimbaldi, desenvolver o seu próprio sistema. “Nossa ideia em parceria com a IMA é criar um próprio software para que não tenhamos mais esse custo depois”, falou. Ainda em processo Os dois telões, compostos por 18 monitores de 55 polegadas, ainda estão sendo licitados. O valor de mercado gira em torno de R$ 14,2 mil cada monitor. Ainda segundo a Câmara, seguindo a tendência de mercado, será possível um desconto de até 40% no valor final estimado em R$ 255 mil. “Esse processo será de uma compra única, cujos equipamentos já são utilizados por muitas cidades, trazendo mais agilidade e transparência nas decisões do Legislativo”, defende Rafa. O presidente da Casa ainda explica que a instalação do equipamento é a fase final de um processo de digitalização do Legislativo. “Essa licitação é o complemento de um trabalho feito pela Câmara, permitindo que projetos, indicações e requerimentos já estejam sendo preparados para uma tramitação eletrônica. Além da modernidade e sustentabilidade, a população vai poder acompanhar os gastos, mais o trabalho de cada vereador eleito”, explicou o presidente. “Optamos por usar a IMA, por se tratar de uma empresa pública e que conta com profissionais extremamente qualificados”, avaliou Rafa. De acordo com o parlamentar, com as mudanças feitas em fibras óticas, equipamentos e servidores, já foi possível uma economia de 60% nos gastos com internet. Mudanças no voto Cada vereador terá um equipamento pelo qual serão feitos a anotação de presença e o voto. Para isso, será feito um cadastramento biométrico dos parlamentares, garantindo assim o uso pessoal e exclusivo. O equipamento também terá acesso ao processo integral de cada projeto em votação, sem a necessidade de papel. 

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