
De acordo com o idealizador da Béé Brasil, outra área com players na região é a de pesquisa e inovação (Rodrigo Zanotto)
A Região Metropolitana de Campinas (RMC) tem um papel preponderante para fortalecer a cadeia produtiva de caprinos e ovinos no Estado de São Paulo.
A avaliação é do zootecnista e ovinocultor Luciano Piovesan Leme, idealizador da Expedição Bééé Brasil. O projeto, que começou em Minas Gerais e já passou pelos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro, terminou ontem a sua passagem por São Paulo em um evento realizado no Instituto de Zootecnia de Nova Odessa. O próximo a receber o movimento será o Paraná.
A expedição é um movimento com uma série de atividades para dar visibilidade à atividade de ovinos e caprinos no Brasil, destacando desafios, gargalos, demandas e principalmente os potenciais desse segmento.
Isso por meio de visitas, entrevistas e gravações em cada estado do País, conhecendo variedades locais desses animais, associações e cooperativas de produtores, explorando sistemas de produção, raças utilizadas e suas funcionalidades, além da identificação de formatos de comercialização e distribuição, incluindo mercados institucionais e consumidores finais.
Por fim, o Béé Brasil destaca as culinárias regionais e eventos relacionados ao consumo de derivados de caprinos e ovinos, investiga programas de fomento governamental e conhece trabalhos de pesquisa e extensão de instituições públicas e privadas.
Segundo Leme, que também é instrutor do Senar-MG (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - Administração Regional de Minas Gerais), existem várias empresas privadas na RMC que processam carne e leite de caprinos e ovinos, além de outras que produzem insumos e produtos ligados ao segmento, em cidades como Valinhos e Paulínia.
Ao mesmo tempo, existe um mercado consumidor na região, com vários cordeiros sendo abatidos ao mês para atender a demanda local.
Ainda de acordo com o idealizador da Expedição Béé Brasil, outra área com players na região de Campinas é a de pesquisa e inovação.
Ele destacou a existência do próprio Instituto de Zootecnia em Nova Odessa, além da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e o IAC (Instituto Agronômico de Campinas), instituições de pesquisa ligadas ao poder público e sediadas em Campinas, além de inovações da iniciativa privada.
"Nós temos, por exemplo, um problema sanitário muito sério ligado à questão da verminose. E nós temos um produto que é produzido em Paulínia, que está sendo utilizado em todo o Brasil e exportado para vários países, para o controle dessa doença. É outro exemplo da importância da região de Campinas para a cadeia produtiva de ovinos e caprinos", disse.
Leme elencou o potencial de fomento das cidades que fazem parte da Região Metropolitana de Campinas, devido às características macroeconômicas da região.
O especialista comentou ainda sobre o tamanho das propriedades localizadas na RMC, como um fator positivo para uma futura expansão do mercado de caprinos e ovinos.
"Existem propriedades de médio porte e que podem se encaixar muito bem na criação desses animais, ampliando assim a produção nacional. Atualmente nós temos atualmente uma dependência muito forte do mercado externo."
RELATÓRIO Um relatório com os dados levantados nas visitas e nas conversas com todos os integrantes da cadeia produtiva de ovinos e caprinos no Estado de São Paulo foi apresentado durante o evento realizado no Instituto de Zootecnia em Nova Odessa.
O documento será enviado para as associações de produtores do segmento, à Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e para as universidades e centros de pesquisa que foram visitados durante a etapa paulista da Expedição Béé Brasil.
O documento apontou uma série de dificuldades apontadas pelas pessoas e empresas que foram ouvidas em todo o Estado.
Algumas delas são a redução dos rebanhos comerciais, especialmente de cordeiros; desorganização da cadeia produtiva de ovinos; desarticulação de criadores, frigoríficos/processadores, instituições de pesquisa, órgãos de governo e associações; oferta irregular de cordeiro e leite ao mercado, entre outras.
Ao mesmo tempo, o relatório reuniu sugestões que podem ser aplicadas para solucionar os problemas da cadeia produtiva em São Paulo, como a definição de um sistema de produção e do manejo; melhorias na eficiência na produção de silagem, pastagens, capineiras, feno, entre outras, em quantidade e qualidade; mais profissionalismo na gestão das propriedades e um modelo de assistência técnica continuada e a realização de cursos de capacitação.
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