INSEGURANÇA

Brigas entre pessoas em situação de rua já causaram três mortes em 2026

Insegurança gerada pela presença de moradores de rua já se estendeu para outros pontos

Edimarcio A. Monteiro/edimarcio.augusto@rac.com.br
18/04/2026 às 00:47.
Atualizado em 18/04/2026 às 00:47

Ação cotidiana da GM e da Polícia não intimida essa população, que quase sempre permanece nas vias públicas (Kamá Ribeiro)

A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga aualmente três assassinatos de pessoas em situação de rua ocorridos neste ano em Campinas. O delegado Rui Flávio de Carvalho Pegolo disse que as apurações indicam, inicialmente, que essas mortes foram provocadas por desentendimentos causados entre as vítimas e outros moradores de rua.

No dia 6 de janeiro, Vitória Rodrigues de Oliveira, de 24 anos, foi morta a tiros perto de uma praça de esportes no Parque Valença. o autor desse crime foi identificado e preso pela DHPP. No dia 14 de janeiro, Antônio Fernando Waisman, de 73 anos, foi encontrado morto por espancamento embaixo do viaduto da Avenida Aquidabã. Ele teria se envolvido numa discussão numa praça localizada na Vila Industrial. 

No dia 28 de março, Larissa Cristina da Silva, de 36 anos, morreu no Hospital Municipal Dr. Mário Gatti depois de ter sido espancada por traficantes perto no Terminal Central, no Centro. Nesses dois casos os autores não foram identificados. 

“Em todas as reuniões do Conseg Centro, nós temos abordado sempre a questão segurança e outros temas que influenciam na sensação de insegurança. Nós queremos cada vez mais ter um Centro mais limpo, mais bonito, mais agradável, e que as pessoas se sintam seguras para ir e vir”, afirmou o presidente do Conselho Municipal de Segurança Centro, Fileto de Albuquerque. 

A insegurança gerada pela presença de pessoas em situação de rua já se estendeu para outros pontos. Uma moradora da Vila Industrial, que não se identificou por medo de represália, disse que a 250 metros de sua casa há um ponto de venda de drogas frequentado por essas pessoas. “A PM, a GM aparecem e prendem as pessoas, mas no dia seguinte volta tudo de novo”, resignou-se. 

O presidente do Conseg Taquaral, Marcos Alves Ferreira, disse que a presença de moradores em situação de rua afeta também a sua região e pretende discutir com o Ministério Público um projeto-piloto para tratar a questão com ações diferentes para os grupos e subgrupos que ele entende viver essa situação. “Nós temos, em primeiro lugar, que ter uma política pública adequada para o morador de rua tradicional, aquele que pelos reveses da vida está nessa situação, e para o usuário de droga que, por vontade própria, que sair da rua”, afirmou. Ele defendeu ainda estudar uma alternativa legal, através de avaliação por uma junta médica, para a internação compulsória do que chamou de “zumbi”, os viciados em droga em avançando estágio de dependência química. 

Marcos Ferreira apontou ainda ação policial para atuar contra outros dois subgrupos: as pessoas que cometem crimes para manter o vício e os bandidos infiltrados para explorá-las. “Sem o interesse principalmente do prefeito e do Ministério Público, a gente não consegue resolver essa questão, no meu entendimento”, afirmou o presidente do Conseg Taquaral. 

“Se alguém achar que apenas patrulhamento policial vai resolver isso, está acreditando em Papai Noel, com todo o respeito”, afirmou Paulo Mariante. Para o coordenador do Fórum dos Direitos Humanos, a solução passa pela aplicação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), instituído em 2005, e por discutir as ações necessárias através do Comitê Pop Rua, que reúne várias entidades civis e públicas. 

A Prefeitura divulgou, em nota, que realiza abordagens diárias a pessoas em situação de rua para convencê-las a deixarem essa situação. Somente neste ano, acrescentou, foram 1.554 abordagens e 228 atendimentos na região central. Em 2025, 285 pessoas retornaram às cidades de origem pelo Programa Recâmbio, média de 32 por mês; 

De acordo com a administração, a Guarda Municipal realiza ronda 24 horas por dia na região central e a zeladoria de praças e ruas é feita em três turnos. Além disso, programa de revitalização e reocupação do Centro buscam atrair pública para a região e aumentar a segurança.

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